POLÍCIA: De promessa do futebol a criminoso; conheça a história de Bicinho
Uma questão de honra


Bicinho poderia ser rico e famoso, mas está preso

Em junho deste ano, o aQui publicou uma reportagem mostrando quais eram os criminosos mais procurados pela Polícia de Volta Redonda. Fabrício Melo de Jesus, 25, o ‘Bicinho’, acusado de comandar o tráfico no Dom Bosco, era apontado pelo delegado titular da 93ª Delegacia de Polícia, Alexandre Leite, como um dos mais perigosos. Ao lado de Marcelo Camilo da Silva – o ‘Marcelo Paraíba’, 33, acusado de ser o chefe do tráfico de drogas no Padre Josimo –, Bicinho colocava-se diante das autoridades da área de segurança como um desafio. Afinal, além de ter uma extensa folha criminal, conseguiu escapar de diversos cercos policiais pulando no Rio Paraíba, que passa pelos fundos de sua casa, no Dom Bosco. O que levou os policiais da 93ª DP a tomarem como uma questão de honra a tarefa de prendê-lo.

O que pouquíssimas pessoas sabem é que Bicinho já chegou a ser preso por agentes da Polícia Federal, em maio de 2006. Ele era procurado desde 2004 e, ao ser detido dentro de sua casa, não reagiu à prisão. Pouco tempo depois, no início de julho daquele ano, os policiais, cumprindo mandado expedido pela 1ª Vara Criminal de Volta Redonda, prenderam a namorada de Bicinho, Natália Souza, 20 – contra ela pesavam as acusações de tráfico de drogas e formação de quadrilha.

Ainda naquele mês, conforme noticiário dos jornais diários, o juiz da 2ª Vara Criminal, Antônio Carlos Bittencourt, decretou a prisão preventiva de outras dez pessoas acusadas de envolvimento com a quadrilha de Bicinho. Dentre elas, a mãe do rapaz, Luzia Melo Mendes, denunciada pela Promotoria do Ministério Público por supostamente auxiliar o filho no esquema de distribuição de drogas, repassar recados a outros traficantes e intermediar a negociação de armas de fogo.

Além dela, também foram presos três policiais militares do 28º Batalhão: Rosemir, Rangel e Nascimento (conhecido como ‘Rogerinho’). Eles foram presos quando chegavam para o serviço e receberam voz de prisão por formação de quadrilha e por aceitarem suborno de traficantes. Eles foram denunciados pelo Ministério Público a partir do inquérito instaurado pela PF de Volta Redonda após a prisão de Bicinho, dois meses antes.

Na época, ainda segundo o noticiário policial, o juiz Antônio Carlos Bittencourt teria autorizado os agentes federais a fazerem escutas telefônicas logo após o depoimento prestado por Bicinho, que teria citado os nomes dos PMs como parte do esquema. Pela denúncia apresentada pelo MP, Rosemir, Rangel e Rogerinho teriam se utilizado de suas funções para contribuir com o tráfico de entorpecentes no Dom Bosco, acobertando os atos ilícitos dos criminosos locais e recebendo dinheiro para não denunciarem a comercialização de drogas no bairro.

O que aconteceu com Bicinho desde que saiu da cadeia, há dois anos, e domingo, 21, quando foi preso pela Polícia Civil, foi amplamente noticiado pela imprensa local. Ganhou manchetes desde o início de 2009, por estar sendo procurado e acusado, dentre outras, de continuar chefiando o tráfico de drogas no Dom Bosco. Mas não só por isso. Em junho do ano passado, o delegado adjunto da 93ª DP, Michel Floroschk, declarou à imprensa que Bicinho estaria tentando eliminar as testemunhas de assassinatos supostamente cometidos por ele.

Um caso seria o do entregador de gás Wesley Camilo de Souza, o ‘Feio’, 17, morto a tiros na Colina. De acordo com Floroschk, Wesley teria sido testemunha ocular do assassinato de Rafael Alves, o ‘Rafaelzinho’, ocorrido em maio de 2009, no Dom Bosco. Segundo as investigações da época, Bicinho teria sido o mandante da morte de Rafael. Outra morte creditada a Bicinho é a do autônomo Rogério Pinto Ferreira, 44, conhecido como ‘Badá’. Ele foi morto com um tiro na cabeça, à luz do dia, enquanto tomava café dentro de uma padaria no São Luiz. As denúncias que chegaram à 93ª DP davam conta de que o autor do disparo teria sido o próprio Bicinho, reconhecido por populares.

Em outubro de 2009, a Polícia Civil chegou a fazer uma operação, comandada pelo delegado Michel Floroschk, visando à prisão do criminoso. Floroschk e mais dois investigadores da 93ª DP foram recebidos a tiros no Dom Bosco durante a madrugada e os autores dos disparos foram identificados como Bicinho e dois de seus comparsas: ‘Gnomo’, preso em fevereiro deste ano; e ‘Dodô’, preso no início deste mês.

Durante a operação no Dom Bosco, os policiais revidaram os tiros, mas os suspeitos teriam conseguido fugir pelas margens do Rio Paraíba. Enquanto não conseguiam pôr as mãos em Bicinho – que por mais de uma vez conseguiu escapar de cercos policiais fugindo a nado pelo Paraíba –, a Polícia Civil, aos poucos, foi desmantelando a quadrilha que agia no Dom Bosco.

No dia 26 de janeiro deste ano, por exemplo, os policiais prenderam Marcellus Alencar Gonçalves Pires, 20, acusado de ter cometido um assalto no Jardim Amália II. De acordo com informações repassadas à imprensa, havia a suspeita de que o assaltante pertencesse ao bando de Bicinho. Semanas depois, no dia 18 de fevereiro, foi preso um menor, de 15 anos, que seria ‘vapor’ (transportador de drogas) da quadrilha.

Em maio, policiais da cidade do aço prenderam Jean Jorge da Silva Almeida, o ‘Macarrão’, 18, suspeito de assassinar, em abril, o menor Yuri Gomes de Carvalho. Macarrão, segundo as investigações, também pertenceria à quadrilha de Fabrício Melo de Jesus. Em junho, numa operação comandada por Michel Floroschk, policiais apreenderam uma moto zero quilômetro na casa de Bicinho. Na ocasião, o traficante teria conversado com o delegado por telefone, afirmando, dentre outras, que iria se entregar por “não aguentar a pressão”. No dia 3 de novembro, policiais militares prenderam Douglas Carrupt Mendes, o ‘Dodô’, 18, sobrinho de Bicinho, sob suspeita de gerenciar os pontos de venda de drogas no Dom Bosco.

A prisão
No último dia 21, domingo, a Polícia Civil finalmente conseguiu prender Bicinho. E no dia seguinte, segunda, 22, ele foi oficialmente apresentado à imprensa pelo delegado titular da 93ª DP, Alexandre Leite. Em entrevista, Alexandre Leite afirmou, dentre outras, que teve que modificar os métodos de investigação para que a prisão de Bicinho fosse, finalmente, efetuada. “Ele tinha sido preso pela Polícia Federal e imaginamos que, por isso, seria cada vez mais difícil a prisão dele, já que tinha conhecimento dos métodos de investigação. Tivemos que encontrar outra tática”, esclareceu, acrescentando que o trabalho da Polícia, em relação a este caso, está apenas começando. “A prisão dele não é o final das investigações, é o começo. Estamos entrando numa segunda fase e, em breve, vocês terão mais notícias”, prometeu.

Para o delegado, prisão foi um desafio

De acordo com Alexandre, ao assumir o comando da 93ª DP, em maio de 2009, recebeu como ‘missão’ a tarefa de prender Bicinho. “Soube de histórias mirabolantes relacionadas a ele e, por isso, encarei esta missão quase como um desafio”, comentou o policial, fazendo questão de frisar, mais uma vez, que Bicinho tinha conhecimento do modus operandi da Polícia, o que levou os policiais a usarem “novas modalidades de investigação”. “Foi uma investigação criteriosa, que contou com uma recompensa (de R$ 1 mil, grifo nosso) oferecida pelo Disque-Denúncia a quem desse informações que pudessem levar Bicinho à prisão”, emendou Alexandre Leite, frisando que , pela violência e agressividade, Bicinho era um dos criminosos mais procurados da região.

Ainda segundo o delegado, o bandido, ciente do empenho da Polícia Civil em prendê-lo, não permanecia em Volta Redonda durante a semana. “Ele achava que nos finais de semana, por causa do plantão policial, não seria preso. Trabalhamos fora do nosso horário para que pudéssemos prendê-lo”, explicou Alexandre, fazendo uma revelação curiosa: Bicinho foi preso na casa de sua mãe, no Dom Bosco, por volta das 11h30min – quase na hora do almoço, exatamente como aconteceu quando foi preso pela Polícia Federal, há quatro anos. E, assim como da outra vez, o criminoso -- embora tenha ‘ensaiado’ uma nova fuga pelo Rio Paraíba -- não reagiu à voz de prisão. “Esperamos que esta prisão sirva de exemplo para os outros bandidos da cidade: nós vamos pegá-los também”, finalizou o delegado.

De jogador de futebol a bandido procurado
Fabrício Melo de Jesus tem apenas 25 anos. Contabiliza em seu curriculum no mundo do crime uma prisão por tráfico de drogas, em 2006, e quatro mandados de prisão temporária e preventiva – cumpridas pelo delegado Alexandre Leite – por tráfico, associação com o tráfico e homicídio. Em até 30 dias, o delegado deverá concluir o inquérito policial, que será entregue à Justiça e ao Ministério Público, que poderá – ou não – apresentar denúncia contra o ex-presidiário. Até lá, Bicinho permanecerá preso na Polinter, no Rio.

A história de Bicinho, porém, poderia ser bem diferente. Com sorte, ele seria hoje um homem rico e famoso por motivos bem mais nobres. Talvez, estivesse até morando em outro país. Isso se tivesse aproveitado a oportunidade de ouro que lhe foi dada quando foi ‘descoberto’ por dois olheiros do mundo do futebol quando atuava nas divisões de base do Voltaço. Talentoso e, dizem, com potencial para virar craque, Bicinho recebeu convites do poderoso Santos e do São Caetano, times paulistas que poderiam projetá-lo para vôos mais altos. Aceitou o convite do São Caetano, onde chegou a atuar no time profissional.

“O Bicinho jogava pra caramba, era muito bom de bola. Isso você pode perguntar pra qualquer um aqui no bairro, todo mundo vai confirmar”, revela Bóris (nome fictício), morador do Dom Bosco, que conhece o traficante desde criança. O rapaz – que topou conversar com a equipe de reportagem do aQui desde que não fosse identificado ou fotografado – foi além. Contou como Bicinho passou de promessa do futebol a um criminoso procurado pela Polícia.

Segundo Bóris, Bicinho foi mandado embora do São Caetano por supostamente ter roubado uma camisa de uniforme do clube. “Essa é a história que eu sei. Depois de um tempo, ele se meteu numa confusão num baile funk aqui em Volta Redonda. Um cara roubou o boné do Bicinho e deu um tapa na cara dele, dentro do baile. Esse cara – que se chamava Alan, acho – foi o primeiro que o Bicinho matou”, conta.

O ingresso no Comando Vermelho
Logo após cometer seu primeiro assassinato, Bicinho teria se aliado a uma gangue do Complexo Califórnia, bairro limítrofe ao Dom Bosco. “Lá na Califórnia quem manda é o Terceiro Comando (facção criminosa carioca, grifo nosso). Aconteceu um desentendimento entre o Bicinho e esse pessoal, e ele acabou voltando pro Dom Bosco e entrando para o Comando Vermelho. Aí começou a rivalidade entre ele e o pessoal da Califórnia”, explica Bóris.

Ainda de acordo com o rapaz, embora Bicinho seja conhecido por ser implacável com os inimigos, matando-os com frieza, ele também é tido por muitos no bairro onde mora como uma pessoa ‘do bem’. “Ele sempre foi um cara muito tranquilo. É muito sério, muito calado, mas quando se expressa, fala muito bem”, comenta, frisando que ao contrário do que mostram todos os estereótipos de criminosos, Bicinho faz parte da chamada ‘geração saúde’. “Ele tem um linguajar aprimorado – embora tenha parado de estudar na 6ª série –, quase não usa gírias e não tem vícios: não fuma, não se droga e, quando bebe cerveja, bebe muito pouco”, destaca Bóris.

Ainda que seja visto pela Polícia e pela sociedade como um criminoso sanguinário e de alta periculosidade, uma boa parte dos moradores do Dom Bosco – onde mantinha seu ‘império’ – tem simpatia por ele, garante Bóris. “No Dia de São Cosme e Damião desse ano, o Bicinho distribuiu doces para a criançada do bairro. Ele é um cara muito querido por aqui, porque nunca se negou a ajudar ninguém”, assegura, acrescentando que muitos moradores, enfrentando dificuldades financeiras para comprar remédios ou pagar tratamentos médicos, acabavam recorrendo a Bicinho para pedir ajuda. E sempre eram atendidos.

Mas, embora fosse bastante ‘generoso’ com a comunidade local, diz Bóris, Bicinho não perdoava com os inimigos. “Ele era frio pra matar. Com o Bicinho não tem conversa e ele não é de mandar aviso: se ele tiver que matar, ele vai e mata”, garante o rapaz. Segundo ele, quando saía para assassinar integrantes de quadrilhas rivais ou pessoas que importunavam a ele e sua família, Bicinho ia disfarçado. “Às vezes ele se vestia de frentista, às vezes usava chapéu de boiadeiro e, às vezes, usava só uma blusa com capuz pra tampar um pouco o rosto”, relata.

Como não era de fazer ameaças, diz Bóris, muita gente do Dom Bosco estranhou quando o delegado adjunto da 93ª DP, Michel Floroschk, disse aos jornais que estaria jurado de morte pelo traficante. “O Bicinho gostava muito de ver as notícias que saíam sobre ele. Mas sempre comentava que jornalista fala muita mentira, que os jornais mentem muito. No caso desse delegado aí, foi assim”, conta Bóris, referindo-se ao episódio em que a Polícia Civil, em maio do ano passado, afirmou ter descoberto um plano de Bicinho para assassinar Michel Floroschk e sequestrar um dos investigadores da 93ª DP. Na época, Floroschk disse ter encontrado um recorte de jornal com sua foto, onde Bicinho teria marcado uma cruz e escrito a frase “vai morrer”.

“Não foi bem isso o que aconteceu. Como o Bicinho gostava de ler as notícias, um amigo dele, de zoeira, marcou uma cruz na foto do delegado. Foi só isso. Quando saiu essa história de que o Bicinho queria matar o delegado, ele até riu. Disse que não tinha nada a ver, que todo mundo tava ‘viajando’”, conta Bóris, que continua. “O Bicinho disse que esse papo de ele ter ameaçado o delegado era tudo invenção. Tanto que na época chegou a ligar para o jornal que publicou a notícia e pediu pra tirarem aquilo, porque era mentira”, afirma, garantindo que, durante a ligação, Bicinho teria feito sérias acusações a autoridades locais.

Faturava R$ 10 mil por semana
Quando foi solto, Bicinho retornou ao Dom Bosco. E retornou com muito mais força. “Quando ele saiu da cadeia, manteve muito contato com o ‘pessoal’ (traficantes, grifo nosso) que conheceu no Rio. Teve uma época que ele ‘fechou’ com o Marcelo Paraíba (suspeito de chefiar o tráfico no Padre Josimo, grifo nosso) e aí o ‘movimento’ ficou forte mesmo. Todo mundo dizia que a droga vendida pelo Bicinho era a melhor da cidade”, revela Bóris, lembrando que, naquele tempo, os integrantes da quadrilha de Bicinho andavam fortemente armados. “Já teve época do Bicinho andar aqui no bairro com submetralhadora, com espingarda calibre 12, pistola .40 e muito ‘oitão’ (revólveres calibre 38, grifo nosso)”.

O traficante, conduzido pelo delegado Alexandre Leite

Ainda de acordo com Bóris, ao contrário de outros criminosos, que procuram desafiar as autoridades, Bicinho era discreto. “Ele não gostava de se expor. Não era igual os caras da Califórnia, por exemplo, que andavam por aí tirando marra. O Bicinho só ficava em casa, não era de sair muito”, recorda, acrescentando que no ‘auge’ da carreira criminosa de Bicinho, ele comandava o tráfico no Dom Bosco, no São Luiz, em metade do Complexo Califórnia e no São Sebastião. “Em média, com a venda das drogas, ele tirava aí uns R$ 10 mil por semana, o que dava uns R$ 40 mil por mês”, pontua.

A alta rentabilidade da venda de drogas proporcionou a Bicinho alguns luxos. Um deles, segundo Bóris, foi a compra de um Astra preto, com o qual costumava circular pelo Dom Bosco. “Ele também comprou uma moto zero quilômetro, que a Polícia levou. E tem, além da casa em que morava com a mãe, mais umas três casas no Dom Bosco e no São Luiz, todas caras”, pontua. Segundo o rapaz, antes da Polícia Civil apertar o cerco, Bicinho costumava ficar no portão de sua casa, à toa. “Ele ficava na boa, só olhando o movimento da rua. Ele nem guardava arma em casa, guardava em outro lugar”, afirma. Nos últimos tempos, contudo, Bicinho parecia estar temeroso de que a Polícia o pegasse.

O declínio
“Quando a Civil começou a ‘apertar’, ele ficou ‘bolado’. Teve uma época que ele não dormia em casa: ficava acampado num morro perto aqui do bairro e dormia lá”, recorda Bóris, confirmando os boatos de que o traficante refugiou-se por um tempo em favelas do Rio de Janeiro. “Ele alternava entre Rio e Volta Redonda, e ia sempre de táxi. Mas depois de um tempo ele passou a ficar só aqui no bairro mesmo. E muito ‘bolado’, porque dormia só umas duas horas por dia, com medo da Polícia chegar”, confidencia, esclarecendo que essa ‘dificuldade’ para dormir começou a aparecer quando policiais da 93ª DP passaram a prender seus principais comparsas. “Quanto mais gente da galera dele era presa, mais cabreiro ele ficava”, garantiu.

A preocupação de Bicinho tinha razão de ser. Afinal, até então, ele podia contar com seus parceiros de crime para mantê-lo a salvo da Polícia. “A casa do Bicinho tem um monte de câmeras de segurança. O muro da casa tinha duas camadas de tijolos deitados e, nos fundos, tinha um portão que dava pro Rio Paraíba”, revela, contando, ainda, que Bicinho mantinha ‘olheiros’ no bairro, que o avisavam por rádio quando uma viatura da Polícia Civil chegava. “Com a Militar ele não se preocupava, porque pagava propina pros PMs não perturbarem o ‘movimento’ dele, que era bem forte. Ele só ficava bolado com a Civil mesmo”, afirmou.

Bicinho nega que tenha ameaçado Floroschk

À medida que seus comparsas foram sendo presos, de acordo com Bóris, Bicinho passou a contar apenas com os ‘vapores’. “A quadrilha dele acabou. Os três últimos da galera dele que não foram presos acabaram saindo do Comando Vermelho e ‘fechando’ com o pessoal da ADA (facção Amigo dos Amigos, grifo nosso) do Santo Agostinho. Aí ele ficou só com os ‘vapores’, que é a molecadinha aqui do bairro, de uns 12, 13 anos”, destaca, afirmando que os menores eram responsáveis por vender as drogas. “Essa molecadinha ganhava mixaria perto do que o Bicinho lucrava, mas pra moleque de 12 anos, tirar uns R$ 30,00 por dia era muita coisa”, sublinha Boris.

Quando foi apresentado à imprensa de Volta Redonda pelo delegado Alexandre Leite, no final da manhã de segunda, 22, Bicinho estava de cabeça baixa. Ao ser questionado pelos jornalistas se negava as acusações que pesam contra ele, porém, ele foi curto e grosso: “Quero ver provar. Eu nego. Nego todas”, disparou.

Enquanto era fotografado, o criminoso, que trajava bermuda e camiseta, deixava à mostra algumas tatuagens. E uma delas chamava mais atenção do que as demais. No braço esquerdo, Bicinho tem uma tatuagem onde se lê ‘Jesus Cristo’. Questionado sobre se era um homem religioso, Bóris é enfático ao dizer que não. “Ele chegou a frequentar uma igreja evangélica por um tempo, mas não gostava. Ia pra fazer média com um amigo dele, que tinha feito o convite. Mas isso foi por pouco tempo, uns dois meses, no máximo”, garante.

O que também chama a atenção é que Bicinho, ao contrário do que muita gente imaginava, não é um homem feio. E era justamente esta ‘beleza’, aliada à visão romântica – e equivocada – de que era um homem ‘poderoso’, que fazia dele um verdadeiro conquistador. “Bicinho só pegava menina ‘top’, bonita. Ele não ficava com menina feia, não”, garante Boris, acrescentando que muitas das ‘namoradas’ de Bicinho eram meninas de classe média alta. “Ele pegava muita ‘patricinha’ e muitas meninas dos bairros vizinhos. Costumava dizer que nenhuma menina dizia ‘não’ para ele”, revela.

Ao final da entrevista, Bóris lamentou o destino do amigo. “Ele teria sido um grande jogador de futebol. É bom de velocidade, corre muito, manda bem em campo. Tenho certeza de que se ele tivesse seguido este caminho, estaria muito bem de vida”, concluiu.


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