EXCLUSIVO:
Neto terá que mandar demolir obras
inauguradas na Ilha São João
No chão
Academia da GM já pode estar com os dias
contados
As últimas melhorias feitas pela prefeitura de Volta Redonda
na sede da Defesa Civil, e de quebra, na da Guarda Municipal, na Ilha
São João, podem estar com os dias contados. É que
as obras estariam na mira da Procuradoria Geral da República
e do Ministério Público Federal. Tudo porque a prefeitura
construiu uma academia de ginástica para seus guardas municipais
e um auditório para os técnicos da Defesa Civil do município
sem a devida autorização dos órgãos ambientais.
“Posteriormente a prefeitura vai ter que demolir tudo”,
revelou com exclusividade ao aQui, o procurador da
República, Rodrigo da Costa Lines.
O ti-tit-ti envolvendo a ordem de demolição da academia
da Guarda Municipal começou no dia 15 de julho, quando o próprio
procurador Rodrigo Lines e representantes do Instituto Estadual do Ambiente
(Inea), da Defesa Civil e da secretaria Municipal de Meio Ambiente estiveram
na Ilha São João para vistoriar as obras que estavam sendo
feitas. De acordo com o procurador, em termos de engenharia a obra não
apresentava irregularidade. O problema, segundo revelou, era a ausência
da licença ambiental obrigatória, emitida pelo Inea e
pelo Ibama, autorizando a prefeitura a construir em Área de Preservação
Ambiental (APA). “A obra foi feita sem essa licença. O
que é considerado crime”, destacou.
Além disso, Rodrigo Lines explicou que o entorno da Ilha São
João, onde ficam as sedes da Guarda Municipal e da Defesa Civil,
pertence à União. Portanto, qualquer obra feita pela prefeitura
ou pelo Estado no local tem que ser autorizada pelo Governo Federal.
“As áreas localizadas às margens de rios não
são do município. Elas pertencem a União. Não
há problema algum em construir algo no entorno delas, desde que
haja uma licença para isso”, frisou, acrescentando que
no caso das melhorias feitas pela prefeitura de Volta Redonda na Defesa
Civil e na Guarda Municipal essa licença nunca existiu.
Ao aQui, Rodrigo Lines disse que a ordem inicial
era de demolição sim. Só que como as obras já
estão prontas e, inclusive, foram inauguradas no dia 16 de julho,
véspera do aniversário de 56 anos da cidade, o MPF decidiu
conduzir o processo de outra forma. “Nós entendemos que
houve um investimento de dinheiro público, portanto não
podemos mandar demolir de uma hora para outra”, ressaltou.
A solução, segundo o procurador da República,
seria a assinatura de um Termo de Ajustamento de Condutas (TAC) entre
a prefeitura e os órgãos ambientais, dando um prazo para
que o poder público transfira a obra para outro local. “O
TAC, necessariamente, não é para que obras fiquem como
estão. O que podemos fazer é dar um prazo para que eles
utilizem o prédio construído enquanto a prefeitura providencie
um novo local para transferir os serviços”, explicou.
Auditório
Para Rodrigo Lines, o pivô dos problemas na Ilha São João,
não foi a construção da academia de ginástica
na sede da Guarda Municipal, de uso exclusivo dos guardinhas e dos vigias
patrimoniais. E sim a construção de um auditório
na sede da Defesa Civil, que fica ao lado da Guarda Municipal. Entretanto,
as duas obras estão sendo analisadas pelo MPF. O procurador explicou
ao aQui que, para implantar a academia, a prefeitura
utilizou um espaço que já estava pronto, e apenas equipou
o local com os aparelhos de ginástica. Já o auditório,
o poder público teria construído um prédio sem
licença ambiental, o que teria transgredido a Legislação.
“O problema ali parece que não foi a academia em si. Mas
o auditório da Defesa Civil. Se tiver que demolir alguma coisa,
é ele que poderá vir ao chão”, esclareceu.
Segundo o aQui apurou, a Procuradoria Geral da República
(PGR), em Brasília, teria entrado em contato com o Ministério
Público Federal, em Volta Redonda, solicitando uma averiguação
nas obras da prefeitura na Ilha São João. A informação
repassada ao jornal por uma fonte seria de que a PGR teria sugerido
ao MPF a demolição das obras, caso fossem constatadas
irregularidades. Ao aQui, o procurador do MPF Rodrigo
Lines, assegurou que por enquanto não há qualquer ação
ou inquérito na PGR sobre a Ilha São João. “O
que existe é um Procedimento Administrativo, aberto aqui em Volta
Redonda pelo MPF, para averiguar as condições das obras
da prefeitura na Ilha São João”, afirmou.
Rodrigo Lines foi além. Disse que a vistoria realizada pelo
Inea no dia 15 de julho, que contou com as presenças do secretário
de Meio Ambiente, Carlos Amaro, e do coordenador da Defesa Civil, Rodrigo
Ibiapina, foi para elaborar o impacto ambiental das obras da academia
e do auditório na Ilha São João. “Eu aguardo
esse resultado para os próximos dias”, confirmou o procurador
que não quis revelar qual será o próximo passo
do MPF com relação ao problema. “Prefiro não
dar um prognóstico. O que eu posso dizer é que as obras
que não possuem licença ambiental, um dia terão
que ser demolidas. Não agora. Vamos dar um prazo para que a prefeitura
transfira os serviços dali para outro local”, concluiu.
“Não tem demolição”
O aQui conversou rapidamente, por telefone, com o coordenador
do Inea-VR, Miguel Arcanjo. Ele garantiu que não existe ordem
nenhuma, nem do MPF muito menos da PGR, para demolir as obras da prefeitura
na sede da Guarda ou da Defesa Civil. “Não tem isso. Ninguém
vai demolir nada. Estamos tentando um entendimento com a prefeitura
e com o MPF para que seja feito um TAC”, garantiu Miguel, que
ficou de responder a um questionário enviado, por e-mail, pelo
jornal sobre o assunto. Mas até o fechamento desta edição,
nenhum material foi encaminhado à redação pelo
Inea-VR. O coordenador também não foi encontrado no celular
na quinta, 22, e sexta, 23, muito menos retornou aos recados deixados
em sua caixa postal.
Na prefeitura, o aQui também tentou conversar
com o coordenador da Defesa Civil, Rodrigo Ibiapina, com o Secretario
de Meio Ambiente, Carlos Amaro e com o prefeito Neto, via Assessoria
de Comunicação, mas até o fechamento desta edição,
não houve qualquer resposta.
Academia foi inaugurada semana passada
Na sexta, 16, véspera do aniversário de 56 anos de Volta
Redonda, o prefeito Neto inaugurou a academia de ginástica na
sede da Guarda Municipal, na Ilha São João. O local, que
foi construído para uso exclusivo dos guardas municipais e de
vigias patrimoniais, recebeu equipamentos de ginástica, para
ajudar a melhorar o preparo físico da corporação.
“Os usuários receberão orientação
dos professores da secretaria de Esporte e Lazer na prática dos
exercícios”, informou o prefeito durante a inauguração.
Os valores investidos na implantação da academia não
foram divulgados pela prefeitura. Sabe-se apenas que no local, a prefeitura
instalou um serviço de ouvidoria – que já está
funcionando através dos números 0800-7021156 e 3339-9292
– e entregou 15 motocicletas zero km, adquiridas para a Guarda
Municipal atuar nos serviços de ronda e emissões dos Boletins
de Registro de Acidente de Trânsito sem vítimas (Brats).
Quanto ao auditório da Defesa Civil, a obra foi erguida no
ano passado, para que os técnicos da DC tivessem um local voltado
para a capacitação profissional. A construção
desse auditório foi incluída num pacote de obras de reformulação
e modernização que a prefeitura fez na sede do órgão.
Se for constatado, através da vistoria realizada pelo Inea
na Ilha São João, que esse auditório e a academia
de ginástica foram erguidos sem licença ambiental, a prefeitura
terá que demolir tudo. “Em longo prazo”, lembra o
procurador Rodrigo Lines. Será?
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