CIDADE: Ocupação do Escritório Central da CSN só depende do ‘sim’ de Benjamin Steinbruch
Será que interessa?


Escritório Central: um gigantesco elefante branco no coração da cidade do aço

O prefeito Neto parece animado com a possibilidade de, finalmente, ocupar o prédio do antigo Escritório Central da CSN, na Vila Santa Cecília – que há mais ou menos seis anos estava avaliado em cerca de R$ 80 milhões, segundo corretores de imóveis da cidade do aço. Hoje, o imponente edifício não passa de em elefante branco.

Ao longo dos últimos anos muito já se falou sobre o seu destino. Seria transformado em hotel, em escola, em universidade. Até em motel, acreditem.

Mas isso não importa. O que importa é que Neto deu carta branca ao secretário de Desenvolvimento Econômico de Volta Redonda, Jessé de Holanda Cordeiro Júnior, para que seja montado um projeto para ser apresentado a quem de direito. Até onde se sabe, a ideia já foi mostrada ao governador Sérgio Cabral, que teria, inclusive, se declarado bastante satisfeito com a coisa toda. “O Cabral gostou muito e disse que era uma excelente oportunidade, já que o Governo do Estado está em negociação com a empresa por conta de uma dívida”, garante Jessé Junior.

Para que o sonho seja realidade, técnicos da secretaria de Planejamento e do IPPU foram encarregados de estudar as variáveis de ocupação dos 16 andares do prédio da CSN. Vão esbarrar, de cara, num tremendo problema. É que nos andares abaixo do nível da rua – no setor de informática – ainda funciona o coração da Usina Presidente Vargas. Lá estão potentes e caros computadores de última geração, responsáveis por tudo o que acontece na indústria.

Mesmo que o projeto – ambicioso - ainda esteja sendo feito – Jessé diz que ele já caiu nas graças de Sérgio Cabral. Só que o próprio secretário de Desenvolvimento admite que tudo não passa, pelo menos por enquanto, de uma ideia, de um sonho que pode, ou não, sair do papel. “Não quer dizer que vá acontecer do jeito que está proposto”, avisa Jessé. Ele está certo. Um dos detalhes principais da proposta de ocupação do Escritório Central passa pela disposição do dono do imóvel, o empresário Benjamin Steinbruch, em aceitar a oferta. Jessé arrisca um palpite. “Acho que a CSN aceitaria o negócio por causa da dívida. Vai depender do valor que o Benjamin vai querer pelo imóvel”, aposta.

Segundo Jessé, as negociações para a ‘compra’ do Escritório Central teriam começado há dois meses. “Nós procuramos a diretoria da CSN, conversamos com o Marcelo Behar (diretor corporativo da empresa, grifo nosso) e buscamos uma parceria. Nessas conversas, nos sentimos na obrigação de buscar algumas ideias”, revela o secretário. Se Cabral conseguir convencer Steinbruch a ceder o prédio em troca de um abatimento na dívida que a empresa contraiu com o Estado, a gestão do imóvel ficará a cargo da prefeitura de Volta Redonda. Detalhe: numa parceria público-privada, já que a taxa de manutenção do prédio seria rateada, de acordo com Jessé, entre as empresas que lá decidirem se instalar.

E gente interessada no empreendimento – que ainda está no papel, frise-se – não falta. Pelo menos é o que garante Jessé. “Só esta semana fomos procurados por duas empresas interessadas em se instalar no Escritório Central”, afirma, recusando-se, porém, a dar qualquer pista sobre que empresas seriam estas. “Não digo”, dispara, curto e grosso. Motivos para o interesse empresarial no projeto, diz Jessé, há de sobra. “O edifício possui excelente localização. E vemos como negócio ter no centro da cidade um espaço que atrairá empresas, mão de obra e vai gerar emprego”, analisa.

Centro Empresarial
Se a ideia de Jessé Júnior realmente sair do papel, Volta Redonda poderá ter nos 16 andares do Escritório Central um Centro Empresarial moderno, com direito a um centro de convenções para eventos de negócios; empresas prestadoras de serviços – principalmente as de call center –; centros universitários e todas as autarquias da prefeitura local, assim como as secretarias municipais e a própria sede do Executivo. “Também colocaríamos lá o Rio Poupa Tempo, que é um projeto do governo estadual, e hotéis que tenham interesse em se instalar no município”, sonha.

Segundo ele, se o projeto for adiante, o Palácio 17 de Julho, no Aterrado, onde hoje funciona a prefeitura, será transformado em um Centro Cultural. Ou melhor, um museu, segundo fontes do aQui. Jessé ressalta, ainda, que muitos dos imóveis ocupados pela prefeitura de Volta Redonda são alugados. No caso de o Escritório Central ser cedido ao município, os imóveis seriam devolvidos a seus respectivos donos, o que geraria, de acordo com ele, uma economia para a prefeitura.

Outro ponto abordado por Jessé em sua proposta é a construção de um edifício-garagem em frente ao Escritório Central. “A Vila tem essa necessidade e o terreno está sendo negociado junto com o prédio, para atendê-lo exclusivamente”, adianta, esquecendo-se, porém, que a área em questão pertence à CBS Previdência e não à CSN. Jessé demonstrou não recordar-se, também, do projeto da CBS para a expansão do Sider Shopping Center, que prevê a utilização e exploração do terreno em frente ao Escritório Central como estacionamento rotativo.

Quando o aQui recordou esse ‘pequeno’ detalhe, Jessé ponderou. “Caso os estudos indiquem ser necessário, uma opção seria construir um edifício-garagem no terreno da Cúria Diocesana”, nas proximidades do Clube Umuarama, bem longe do Escritório Central. “Pode haver dois edifícios-garagem: um no terreno da Cúria e outro em frente ao Escritório Central. É uma ideia. O governador está muito favorável ao projeto”, insiste.

Tem mais. Muito embora o Escritório Central seja um edifício ligado à história do país, visto que remete à Era Vargas e ao processo de industrialização do Brasil a partir da década de 1940, Jessé garante que se a ideia do Centro Empresarial for levada adiante, a fachada do imóvel não sofrerá modificações. Pelo menos não a princípio. “Mas dentro, as reformas são necessárias”, pontua o secretário, lembrando que os elevadores terão de ser trocados, assim como o sistema de ar-condicionado central, dentre outras. “Estamos calculando mais ou menos R$ 10 milhões para deixar o prédio com tecnologia de ponta”,diz, acrescentando que depois de pronto, o prédio terá 100 banheiros públicos e 54 privativos para atender à demanda. Esqueceu de uma escada externa que terá que ser construída conforme exigência já apresentada por especialistas.

Caso o prédio seja tombado pelo patrimônio histórico, como alguns dizem, o que impediria as reformas externas no imóvel, como a construção da escada de fuga, Jessé assegura: vai buscar a comissão de tombamento para conversar. “O empreendimento é de suma importância para o município. Levaríamos o caso à comissão para encontrar meios de resolver problemas legais e técnicos se houver a necessidade de uma reforma externa”, explica o secretário, que completa: “Temos hoje uma grande oportunidade de dar destino a um espaço sem utilização. Mas tem que ser bom para os dois lados. Agora, o valor que o Benjamin pedir não pode ser exacerbado, até por que a intenção é fazer uma parceria com a empresa, não uma imposição”.

Esclarecendo, mais uma vez, que o projeto do Centro Empresarial de Volta Redonda é, ainda, apenas uma ideia, Jessé afirma que o importante, mesmo, é que o Escritório Central seja reativado – mesmo que pela própria CSN. “O nosso desejo é que o prédio esteja ativo. Se a CSN quiser dar um destino comercial ao edifício, o município ficaria agradecido, com certeza”, conclui. Resta saber se para a CSN – que há anos vem deixando claro que, em se tratando de Escritório Central, não vende, não empresta e não aluga – o negócio interessa. Façam suas apostas.


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