REGIÃO: 93ª DP fará ‘operação surpresa’ para encontrar ‘bandidos-motoqueiros’
Crime sobre duas rodas

Capacete atrapalha só na identificação do rosto

Era madrugada quando o comerciante Fábio Hot, 35, chegou à sua casa, na Rua 154, no Laranjal, em Volta Redonda. Ele descia do carro quando foi abordado por quatro homens, em duas motos. Era um assalto. Os criminosos, armados de revólveres, roubaram cerca de R$ 300,00 e o seu aparelho celular. Poderia ser um caso pontual, mas não é. Tanto que poucos dias depois do assalto ao comerciante no Laranjal, os bandidos-motoqueiros agiram novamente, desta vez na saída de uma boate no Jardim Amália. Lá, eles abordaram a policial militar Marcela Cristiane Salgueiro, 34, e a arquiteta Juliana de Morais, 33. Delas, levaram aparelho celular, talão de cheques, carteira de motorista, carteira de plano de saúde e dinheiro.

Justamente para coibir este tipo de crime – que tem se tornado cada vez mais comum - a 93ª Delegacia de Polícia de Volta Redonda vem, periodicamente, realizando blitzes com o objetivo de encontrar esses assaltantes. O problema é que, segundo o delegado titular da 93ª DP, Alexandre Leite, uma das maiores dificuldades enfrentadas pela Polícia para chegar a esses criminosos é justamente a falta de informações quanto às suas características. “Muitas vezes as pessoas vêm à delegacia fazer o registro, mas não se empenham em fornecer informações sobre esses bandidos, que são necessárias à investigação. As descrições são sempre muito vagas, o que gera dificuldade”, justifica Alexandre Leite.

O delegado afirma, porém, que em alguns casos investigados pela 93ª DP ficou clara a atuação de uma dupla de assaltantes em específico. Segundo informações obtidas na própria unidade policial, a dupla utilizaria uma moto de baixa cilindrada, de cor preta. Só que apenas esta particularidade, segundo Alexandre Leite, não é suficiente para que a Polícia ponha os criminosos atrás das grades. “Em outros casos registrados, não sabemos se o assalto foi ou não praticado por esta dupla, justamente pela falta de informações mais precisas por parte de quem denuncia”, reafirma o policial.

Em entrevista ao aQui, Alexandre Leite revelou ainda que as operações fixas levadas a cabo pela Polícia Civil para encontrar suspeitos de praticarem o crime, têm sido prejudicadas pela troca de informações entre os motoristas. É que muitos, segundo ele, ao enxergarem uma blitz policial, avisam aos demais condutores através de celulares ou rádios do tipo nextel. “Gostaria de ressaltar que o nosso objetivo não é pegar motoristas com IPVA atrasado, por exemplo, mas prender assaltantes, pessoas que estejam armadas ou que possuam mandado de prisão expedido pela Justiça”, explica o delegado, afirmando que por conta do ‘alerta’ entre motoristas, a Polícia Civil vai mudar de tática e realizar ‘operações surpresa’ no trânsito da cidade do aço. “Mudamos de estratégia. Vamos fazer operações móveis, já que a operação fixa, além de ter se mostrado improdutiva, incomoda os cidadãos de bem”, completou.

Às vítimas dos ‘bandidos-motoqueiros’, Alexandre Leite faz um apelo. Pede que elas se esforcem no sentido de identificar detalhes da moto e do assaltante e repassem-nas à Polícia. “O capacete atrapalha na identificação do rosto do criminoso, mas não impede que a vítima veja a cor da pele, a altura, o tipo físico, a roupa, uma tatuagem, um cano de descarga diferente, enfim, algo que possa nos ajudar a chegar a esses elementos”, concluiu.

Polícia Militar
Embora a Polícia Civil afirme estar ciente do aumento de casos de assaltos envolvendo criminosos sobre duas rodas, a Polícia Militar acredita na tese de que os índices de roubos e furtos praticados por motociclistas na cidade do aço estão abaixo dos registrados nos últimos anos. Quem afirma é o comandante do 28° Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Licínio Fróes.

Ele vai além. Diz que é possível que haja “um ou dois” assaltos com este padrão no município, mas nada que justifique, em sua opinião, uma operação da PM. “Se tivéssemos cinco assaltos com motociclistas em um bairro, num período de uma semana, aí sim, teríamos um padrão para agir na comunidade”, explica o comandante, acrescentando que para realizar uma ação policial com objetivo de coibir assaltos praticados por motoqueiros, a PM precisa de dados mais “concretos”.

“Como, por exemplo, em quais bairros há maior incidência desses crimes, qual o tipo físico dos suspeitos, a marca das motos. Por isso pedimos à população que faça os registros de ocorrência. Isso nos ajuda a levantar os dados para mapearmos as áreas e a consolidar um padrão de crimes”, completou o oficial, garantindo que a Polícia Militar, em parceria com a Polícia Civil, já conseguiu controlar a onda de assaltos na cidade do aço. “A objetividade é fator primordial para conseguirmos diminuir as incidências criminais a um nível suportável. Atualmente, nossa prioridade é combater homicídios”, finalizou Fróes.


© Jornal aQui. Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.