Só um

A 10 dias das eleições do Sindicato dos Metalúrgicos, o processo eleitoral que vai definir o presidente da entidade para os próximos quatro anos, sofreu uma reviravolta e tanto. Até então, duas chapas estavam na disputa: a de n.º 1, do atual presidente Renato Soares, que tenta a reeleição, e a chapa 2ª, de oposição, do vice-presidente, Wanderly Alves Jordão. A participação da chapa 2 nas eleições foi autorizada pela Justiça do Trabalho no final de fevereiro, já que Jordão teria perdido o prazo de registro da chapa. Com isso, era certa a participação dos dois no pleito. Só que ontem, sexta, 5, Renato Soares anunciou o cancelamento da chapa 2 por que ela estaria irregular. Com isso, Jordão não é mais candidato a presidente.

O anúncio foi feito ontem, sexta, 4, no gabinete de Renato Soares, no Sindicato. Segundo ele, após o registro da chapa 2, a Comissão Eleitoral, da qual é o presidente, verificou a documentação apresentada por Jordão durante a inscrição da sua chapa e constatou uma série de irregularidades. Dentre elas, o fato de pelo menos 10 dos 40 componentes da oposição não estarem quites com suas obrigações sindicais. “Tinha gente que se filiou ao Sindicato depois da inscrição da chapa, outros que estavam devendo mensalidade, e tinha até um ex-metalúrgico que atualmente é motorista de ônibus. Ele (Jordão, grifo nosso) tentou substituir os candidatos na semana passada. Isso prova que existe irregularidade na composição da chapa”, destacou Renato.

Pelo artigo 66 do Estatuto do Sindicato, o presidente da Comissão Eleitoral (o próprio Renato) é obrigado a verificar a documentação das chapas inscritas. E ao conferir a documentação apresentada por Jordão, teria constatado as irregularidades. “Todos os componentes da chapa foram notificados e tiveram um prazo de 48 horas, a contar da data da inscrição que foi no dia 23 de fevereiro, para regularizar a situação e continuar no pleito. Até a data de hoje (ontem, sexta, 5) ninguém se apresentou. Pelo contrário. Alguns deles estiveram no Sindicato depois do prazo estabelecido e tentaram substituir os componentes, o que é ilegal”, garantiu Renato.

Histórico
Desde que foi publicado o edital de convocação das eleições, no dia 2 de dezembro de 2009 no Jornal do Brasil, dando um prazo até 7 de dezembro para apresentação de chapas, Jordão vem sustentando que a atual Comissão Eleitoral está tentando aplicar o chamado ‘golpe da chapa única’. A verdade é que no dia 7 de dezembro, a chapa 1 foi inscrita e dois dias depois, no dia 9 de dezembro, às 17h45min, Jordão teria ido ao Sindicato para tentar inscrever a chapa 2 no pleito. Não conseguiu. Uma semana depois, no dia 16 de dezembro, o grupo de oposição ingressou com um pedido de liminar na Justiça do Trabalho para garantir o registro da chapa e a participação nas eleições. A oposição queria também que a Justiça interferisse no processo eleitoral e elegesse um presidente da Comissão que fosse de confiança do Judiciário.

Em fevereiro deste ano, por decisão da própria Comissão Eleitoral, Renato Soares tentou fazer um acordo com Jordão, via Justiça, para permitir a participação da chapa de oposição nas eleições do Sindicato. “Para espanto de todos e da própria juíza do trabalho (Monique Koslowski, grido nosso) Jordão se recusou a fazer um acordo”, contou Renato. No dia 23 de fevereiro saiu a decisão da Justiça Trabalho, dando à chapa de Jordão o direito de se inscrever no pleito. Na mesma decisão, a juíza da 1ª vara Monique Koslowski, negou o pedido de Jordão, que era o do judiciário eleger um presidente da Comissão Eleitoral que fosse neutro no processo.

Só que depois de registrada a chapa, a Comissão Eleitoral, conforme determina o Estatuto, verificou os documentos apresentados e constatou irregularidades em pelo menos 10 integrantes da chapa de oposição (ver quadro). “Por isso a Comissão Eleitoral decidiu cancelar a inscrição da chapa de Jordão. Ele não pode concorrer ao pleito”, assegurou Renato.

Nota da redação – o aQui tentou falar com Jordão na tarde de sexta, 5, após o anúncio feito por Renato Soares. Seu celular estava desligado e apesar do recado deixado pelo repórter na caixa postal do aparelho, Jordão não retornou a ligação.

Componentes da chapa de oposição em situação
irregular, segundo a Comissão Eleitoral:

Jorge Nogueira de Souza Neto - Irregularidade: não comprovou o efetivo e ininterrupto exercício da atividade profissional, no período de 24 meses anteriores a data da inscrição da chapa (art. 59 inciso I);

Lazaro Luiz de Paula Mendonça - Irregularidade: não comprovou o efetivo e ininterrupto exercício da atividade profissional, no período de 24 meses anteriores a data da inscrição da chapa (Artigo 59 inciso I);

Gil Celio Cassiano de Oliveira - Irregularidade: não comprovou o efetivo e ininterrupto exercício da atividade profissional, no período de 24 meses anteriores a data da inscrição da chapa (Artigo 59 inciso I);

José dos Santos Silva - Irregularidade: não comprovou sua condição de associado dois anos anteriores a data do edital de convocação. (Artigo 59 inciso I);

Eduardo Adão Ferreira - Irregularidade: não comprovou sua condição de associado dois anos anteriores a data do edital de convocação. (Artigo 59 inciso I);

Wagner Santos da Silva - Irregularidade: não comprovou sua condição de associado dois anos anteriores a data do edital de convocação. (Artigo 59 inciso I);

Edinir Camacho Tavares - Irregularidade: não comprovou o pagamento das mensalidades sindicais nos seis meses anteriores a data da publicação do edital (Artigo 59 V);

José Edmilson Ronfini Martins - Irregularidade: não comprovou o pagamento das mensalidades sindicais nos seis meses anteriores a data da publicação do edital (Artigo 59 V);

Edvaldo Pamponet - Irregularidade: não comprovou o pagamento das mensalidades sindicais nos seis meses anteriores a data da publicação do edital (Artigo 59 V);

Pedro Dias Lima - Irregularidade: não comprovou o pagamento das mensalidades sindicais nos meses de fevereiro, março, outubro e dezembro de 2009. (Artigo 59 V);


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