ALERJ:
CPI do TCE entregará documentos
contra Graciosa ao Ministério Público
E agora, José?
A Comissão Parlamentar de Inquérito criada pela Assembleia
Legislativa do Estado do Rio (Alerj), criada para investigar denúncias
de corrupção contra os conselheiros do Tribunal de Contas
do Estado (TCE) – José Gomes Graciosa, José Nader
e Jonas Lopes, já indiciados pela Polícia Federal –
anunciou na quarta, 3, que vai enviar ao Ministério Público
Estadual (MPE) documentos e informações que comprometem
o conselheiro Graciosa, ex-prefeito de Valença.
De acordo com a presidente da CPI, deputada Cidinha Campos (PDT),
o Ministério Público pediu à Comissão que
encaminhasse os dados sobre o conselheiro logo após abrir um
inquérito para investigar a possível evolução
patrimonial incompatível com as rendas de Graciosa, que é
ex-presidente do TCE. Segundo a parlamentar, não faltarão
subsídios para que o MP possa fazer a apuração.
“Vamos enviar os documentos e também o relatório,
que será concluído até março. A investigação
do Ministério Público é uma grande vitória
e chama atenção para o nosso trabalho”, comemorou
Cidinha, que completou: “Queremos acelerar o processo deles com
o envio dos dados já coletados”.
Conforme revela o inquérito do MP, documentos obtidos pelo
jornal “O Estado de Minas Gerais” mostram que o patrimônio
de José Graciosa teria aumentado de R$ 660 mil para R$ 3 milhões
entre 2000 e 2006. Tem mais. Ainda segundo o documento, “de acordo
com (...) corretores de imóveis da cidade do Rio de Janeiro,
o patrimônio do ex-presidente do TCE estaria no patamar de R$
6 milhões”. A deputada Cidinha Campos destacou que o objetivo
da CPI está além de apurar as irregularidades da instituição
e punir os responsáveis. O objetivo, segundo ela, é também
deixar proposições para a melhora do Tribunal de Contas
do Estado. “Desde que começamos a CPI, muitas coisas que
apontamos como erradas já puderam ter correção”,
ressaltou a pedetista.
Durante a reunião de quarta-feira, o relator da Comissão,
deputado João Pedro (DEM) – que, aliás, terá
15 dias após o término da CPI, em 2 de março, para
apresentar o relatório final –, lembrou que o viés
político não pode se sobrepor ao trabalho técnico
do Tribunal. E disse, ainda, que os documentos elaborados pela CPI pretendem
sugerir propostas que tornem o TCE mais eficiente. “O trabalho
deve ser exercido de forma rápida e eficaz, sem muita burocracia”,
afirmou.
Funcionário revela que TCE tem 900
vagas disponíveis para concursados
Durante audiência da CPI, os parlamentares ouviram o secretário-geral
de Controle Externo do TCE, Ricardo Ewerton Britto dos Santos. Em depoimento,
ele admitiu existir desvio de função no Tribunal e garantiu
que todos os processos são acompanhados por um analista. De acordo
com a presidente da Comissão, Cidinha Campos, existem cerca de
100 processos relativos a desvios de função no TCE.
“São funcionários de ensino fundamental e médio
exercendo atividade de ensino superior, e outros de ensino superior
que exercem funções de cargos de ensino médio e
fundamental”, exemplificou a deputada. “Como isso é
possível?”, questionou. Tem mais. Ainda segundo as informações
de Ricardo Ewerton – que entrou para o TCE em 1993, via concurso
público –, existem aproximadamente 900 vagas no Tribunal
a serem ocupadas por concurso. “O ideal seria que os concursos
fossem feitos a cada dois anos, para oxigenar o corpo técnico
e não de uma vez só”, sugeriu o funcionário.
Ainda na reunião de quarta, a CPI ouviu o ex-vereador de Valença
e atual assessor técnico de José Graciosa, Roberto Silva
Machado. Aos integrantes da Comissão ele disse ser amigo do conselheiro
há mais de 45 anos, mas negou ter recebido qualquer valor em
dinheiro dele, motivo pelo qual teria sido convocado a depor. Ao final
do encontro, o deputado André Correa (PPS), sugeriu que seja
criada uma Comissão Especial após a conclusão dos
trabalhos da CPI do TCE. “Constatamos a existência de processos
que demoram 17 anos e viram instrumento de pressão política,
funcionários requisitados de forma irregular e outros problemas
que não podem continuar a existir”, disse.
Picciani apoia criação do novo
Tribunal de Contas
Alerj pode aprovar criação
de novo Tribunal de Contas
Se o projeto de emenda constitucional (PEC) n.° 60/10 for aprovado
pelo Legislativo estadual, em breve o estado do Rio poderá contar
com um novo Tribunal de Contas, já que o atual está sendo
investigado pela CPI do TCE. A proposta, assinada pelos deputados André
Corrêa (PPS), Marcelo Freixo (Psol), Gilberto Palmares (PT), Cidinha
Campos (PDT) e Paulo Ramos (PDT), tem por objetivo criar um Tribunal
Estadual de Contas dos Municípios (TECM) com regras nítidas
de controle e transparência, capazes de estabelecer um novo marco
na fiscalização da gestão dos municípios
fluminenses.
Durante uma coletiva de imprensa na quarta, 3, os parlamentares explicaram
que a PEC tem por objetivo descentralizar os poderes do TCE. E afirmaram
que o TECM não necessitará de uma nova sede, já
que funcionará no mesmo prédio onde hoje está o
Tribunal de Contas do Estado. “Metade do corpo técnico
do TCE e de seu orçamento será transferida para este novo
órgão, que não necessitará de uma outra
sede nem criará novos cargos comissionados. O único gasto
a mais será o salário dos sete novos conselheiros”,
explicou o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani, acrescentando
que , neste primeiro ano, a Assembleia Legislativa fará uma ‘economia’
para arcar com a conta do TECM.
Picciani disse ainda que a Alerj tem responsabilidade pela escolha
dos atuais conselheiros. “Isto serviu para vermos que o perfil
adequado para o cargo é de pessoas mais técnicas. Não
que um político não possa ser conselheiro, mas tem que
ser alguém com notório conhecimento”, defendeu o
parlamentar, que completou: “Temos a responsabilidade, perante
a sociedade, de equacionar este problema”. Durante a tramitação
do projeto – que poderá receber emendas dos parlamentares
e terá que passar por duas votações em plenário,
com aprovação mínima de 42 deputados –, será
elaborada uma Lei Orgânica para a nova instituição.
A tarefa será conduzida pelo corregedor da Alerj, deputado Luiz
Paulo (PSDB). À imprensa, ele garantiu que a total transparência
dos processos, inclusive na internet, fará parte da lei. “Atualmente,
sequer temos como saber quantos cargos comissionados existem no TCE,
que é uma caixa preta”, lembrou Jorge Picciani.
Já a deputada Cidinha Campos, presidente da CPI do TCE e uma
das autoras da proposta de emenda constitucional, acredita que a medida
será benéfica, principalmente, para as prefeituras do
interior. “Durante os trabalhos da Comissão, verificamos
a existência de um grande número de funcionários
fantasmas, assessores com duplas matrículas e prefeitos chantageados
para ter suas contas aprovadas. Ficamos impressionados com os inúmeros
processos administrativos pendentes de julgamento, sendo alguns da década
de 80”, revelou a pedetista. De acordo com o deputado André
Correa, a proposta foi bem recebida pelos deputados. E está confiante
de que a PEC será aprovada. “Há apoio e vamos abrir
a discussão para que todos possam participar”, avisou o
parlamentar.
CPI do TRE marca nova convocação
para estudante de Direito
A CPI criada pela Alerj para investigar denúncias de tráfico
de influência e venda de sentenças judiciais no processo
eleitoral, decidiu que convocará o empresário e estudante
de Direito, Eduardo Raschkovsky, para depor à Comissão
no dia 4 de março. O anúncio foi feito na quinta, 4, durante
a primeira reunião da CPI em 2010. De acordo com o presidente
da Comissão, deputado Paulo Ramos (PDT), a convocação
será enviada a Eduardo para que a CPI possa ouvi-lo na condição
de investigado, como determinou o habeas corpus deferido pelo desembargador
Sérvio Lúcio Cruz no final do ano passado.
Segundo Paulo Ramos, se Eduardo Raschkovsky continuar insistindo em
não comparecer, a convocação será mais rigorosa.
“Ele já apresentou atestado e pediu para ser ouvido como
investigado ao invés de vir como testemunha. A pretensão,
inclusive, já foi acolhida. É importante que ele venha
e estou convencido de que virá”, destacou o parlamentar.
Quanto à decisão do Órgão Especial do Tribunal
de Justiça do Rio, que rejeitou por unanimidade uma manobra judicial
de Eduardo para interromper a CPI, Paulo Ramos afirmou que o Parlamento
tem competência para investigar através da Comissão
e foi além. Disse que a decisão do TJ manifesta o reconhecimento
desta autoridade.
No exercício de nossos mandatos, já conhecemos os fatos;
só nos resta buscar as provas. Raschkovsky sabe da verdade: o
que fez, o que apuramos e que vamos, sim, encontrar as provas. Mas ele
tem que comparecer”, reformou o deputado.
Durante o encontro de quinta, a CPI também deliberou a convocação,
para o dia 25 de fevereiro,de Maurício Klajman, da empresa Klacon
Engenharia; de Fernanda Leitão, do 15° Ofício de Notas;
e de Marcelo Oakim, do escritório L. Montenegro, administrado
por Eduardo Raschkovsky. Quem tiver conhecimento de qualquer negociação
ou venda de decisões judiciais – tais como extorsão
e práticas ilícitas – que possam ajudar a Comissão
a colher resultados, pode entrar em contato com a CPI do TRE através
do número 0800.252.5888. O serviço, gratuito, funciona
de segunda a sexta, das 8 às 17 horas.
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