CSN: Silos da Cimenteira apresentam problemas e segundo moinho só ficará pronto no ano que vem
Meia sola

Cabos de aço garantem sustentação dos silos

A economia de aproximadamente R$ 10 milhões que a CSN diz ter feito quando contratou a empreiteira Contern para construir a sua fábrica de cimentos foi, com o perdão da palavra, bem porca. E a CSN sabe disso. Tanto que agora a siderúrgica está tendo que reparar e, em alguns casos até refazer o serviço, se não quiser ser responsável por um acidente de grandes proporções na Usina Presidente Vargas. Segundo uma fonte do aQui, a coisa está tão feia que é por essas e outras que a siderúrgica vem adiando a inauguração oficial da cimenteira.

Pelo sim, pelo não, há meses a CSN vem cintando os quatro silos utilizados para armazenar o cimento, com reforçados cabos de aço. O último, o quarto a ser cintado, ainda pode ser visto como mostra a foto. A medida foi tomada depois que a CSN constatou que a parede do compartimento de todos os quatro silos estaria esfarelando, provavelmente porque teria sido construída com concreto de má qualidade. “Usaram material de segunda. Ali parece que utilizaram apenas cimento e areia. A ausência de brita ou o uso de um cimento vagabundo faz com que o concreto esfarele quando está seco”, comentou a fonte, acrescentando que não é preciso ser pedreiro ou engenheiro para detectar o problema. “Qualquer um enxerga o defeito”, emendou. “Vocês se lembram do Palace, é quase igual”, comparou, referindo-se ao Edifício Palace II que desabou na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 1998, por ter sido erguido, entre outros, com areia da própria praia.

A fonte tem razão. O ex-vereador de Barra Mansa Rodrigo Drable, por exemplo, foi um dos que conseguiu ver o problema. Viu e denunciou. Em seu blog, Rodrigo alertou para os riscos da amarração feita pela CSN nos silos da cimenteira. No texto, o ex-parlamentar diz ter recebido uma mensagem em sua caixa postal pedindo que ele verificasse a situação dos silos da fábrica de cimentos da CSN. “Segundo a mensagem, a CSN contratou uma terceirizada para a construção dos tais silos a um preço R$ 10 milhões mais barato que a concorrente. Parece que o barato saiu caro. Os silos estão amarrados por cabos de aço em propensão”, diz Rodrigo, no blog.

O texto de Rodrigo Drable termina com uma pergunta preocupante: “Será o prenúncio de uma nova tragédia?”, questiona. Para a fonte do aQui, talvez. Segundo ela, se a CSN não tivesse amarrado os silos, o risco de um acidente grave era iminente. Por outro lado, os cabos de aço podem resolver o problema por um tempo, mas o ideal seria reconstruir os silos. “A amarração não é um paliativo. Pode-se dizer que é definitiva. Observe as chaminés antigas de algumas indústrias, você vai ver que com o tempo elas tiveram que receber o reforço de um cinto. Só que os silos da CSN não são antigos, pelo contrário. A construção é nova. Porém, a qualidade do material utilizado deixou a desejar”, avalia.

A fonte vai além. E faz uma denúncia grave. Diz que há indícios de falha no projeto de estrutura e ferragem da cimenteira. De acordo com a fonte, esse seria o principal motivo que levou a Contern – empresa que iniciou as obras da fábrica de cimentos – a pendurar as chuteiras e a romper o contrato com a CSN antes de concluir as obras. “A CSN sabia que a coisa já não ia bem e que as obras estavam sendo feitas de qualquer maneira. Houve pressão e a Contern saiu de cena”, revela a fonte.

Teve ainda um caso que piorou o quadro dentro da Usina Presidente Vargas. Foi quando as tesouras de sustentação do galpão da cimenteira quase caíram. “O projeto foi mal calculado e as tesouras não aguentaram o peso próprio no galpão. Quase caiu tudo. Foi preciso que vários guindastes rerguessem a estrutura do galpão”, contou, acrescentando que por sorte não havia nenhum trabalhador no local no momento do incidente.

Rompimento de contrato
Em março de 2008, quando as obras da Fábrica de Cimentos estavam 75% concluídas, a Contern anunciou oficialmente o rompimento do contrato com a CSN, abandonando a Usina Presidente Vargas e cerca de 1.500 trabalhadores ficaram sem emprego. Na época, a Contern alegou que estava tendo prejuízos, porque os valores contratados estavam defasados em relação ao custo real da obra. Situação que já era de se esperar pelo fato de a construtora ter vencido a licitação para a construção da cimenteira, por ter apresentado uma proposta quase que R$ 10 milhões mais barato que as concorrentes.

Para não ter que pagar a multa da rescisão de contrato, a Contern conseguiu uma liminar na Justiça de São Paulo para paralisar as obras da cimenteira. Na Justiça, a construtora teria dito que pediu que a CSN fizesse uma avaliação técnica do custo e andamento da obra para receber os valores referentes ao que já havia sido feito. A siderúrgica teria se negado a pagar e informou que a construtora abandonou a obra antes de atingir o índice informado por ela na ação.

Com o rompimento entre CSN e Contern, a Construtora Paranasa – a mesma que construiu a fábrica de Aços Longos da Votorantim, em Resende – assumiu a conclusão das obras da cimenteira e a responsabilidade civil por parte dos 1.500 trabalhadores. A unidade ficou parcialmente pronta no final de junho deste ano, e entrou em operação em julho. Detalhe: com apenas um moinho funcionando. O segundo moinho só deverá ficar pronto em março de 2010. Até lá, por este motivo ou ainda pelos problemas com os silos, a CSN terá tempo para avaliar se valeu a pena economizar R$ 10 milhões. Procurada, a CSN não quis comentar o assunto.

Troca
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o contrato de fornecimento mútuo de insumos utilizados na produção de cimento entre a CSN Cimentos e a Votorantim Cimentos. A CSN ficará responsável por fornecer escória para a Votorantim e a Votorantim fornecerá clinquer à CSN.


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