MÚSICA:
‘Jimmy Jimmy & The JazzBreakers’
inova ao investir na ‘trinca’ jazz, blues e improviso
Improvisando com classe
The JazzBreakers: Fabricio, Bruno, Trakinas, e Jeffin
Você já ouviu falar de Herbie Hancock, Pat Metheny, Jaco
Pastorius ou Wayne Shorter? Provavelmente não. Mas eles são
músicos de renome no até então restrito mundo do
jazz e do blues – gêneros musicais que, pelo menos no Brasil,
não caíram no gosto popular. Apesar disso, um grupo de
músicos voltarredondenses, quase todos na faixa dos vinte e poucos
anos, decidiu investir no estilo e levar aos palcos da região
toda a sonoridade do jazz e do blues, que por décadas encantaram
– e ainda encantam – pessoas de todo o mundo.
Antes que algum nacionalista mais exaltado arvore-se em criticar as
influências musicais dos garotos, em sua maioria norte-americanas,
um aviso: músicos e compositores brasileiros como Milton Nascimento
e Toninho Horta também fazem parte da ‘escola’ dos
meninos da cidade do aço, que, em suas composições,
deixam transparecer com nitidez a paixão que nutrem pela boa
música nacional. A banda foi batizada de ‘Jimmy Jimmy &
The JazzBreakers’ e possui em sua formação os músicos
voltarredondenses Fabrício Santos, 24 (guitarra); Jr. Trakinas,
26 (sax); Bruno Salles, 27 (baterista) e Jeffin Rodegheri, 30 (baixo).
Em entrevista ao aQui, Jeffin Rodegheri explicou a origem do nome
da banda, um tanto incomum. “Jimmy Jimmy é o nome do macaquinho
de pelúcia que o Bruno sempre usa em cima do bumbo da bateria”,
disse, acrescentando que o ‘The JazzBreakers’ é uma
espécie de trocadilho com ‘Art Blakery & The JazzMensegers’
e ‘John Mayall & The BluesBreakers’, consagradas bandas
de blues e jazz. De acordo com Jeffin – que também é
músico da banda do cantor voltarredondense Rick Vallen –,
a banda teve início no segundo semestre de 2008, de forma bastante
casual.
“Nós começamos para estudar música. Então,
nos juntávamos uma vez por semana na casa do Bruno para bater
papo, beber, jogar cartas e tocar alguns temas de jazz”, relata
Jeffin, contando que, com o passar do tempo, o grupo percebeu que já
possuía um bom número de músicas. O suficiente
para fazer shows. “Foi aí que entrou nossa amiga Thaís,
assumindo o papel de empresária e começando a arrumar
shows pra gente”, completou o músico, garantindo que a
‘The JazzBreakers’ surgiu em consequência da amizade
e afinidade musical entre os integrantes do grupo. “Não
houve aquilo de ‘vamos montar uma banda pra tocar jazz’”,
simplifica.
Agora, que negócio é esse de ‘improviso’?
Segundo Jeffin, improvisar no palco é algo que está intrinsecamente
ligado aos estudos de música. “De uma maneira geral, o
grande diferencial do jazz são os improvisos dos músicos.
Cada música tem um tema principal e, depois, cada músico
coloca em seus solos as suas ideias e sentimentos para aquela música”,
conta o baixista, frisando que para que o improviso musical seja bem
sucedido e não fira os ouvidos de quem assiste à apresentação,
é necessário que o músico tenha disciplina, bom
conhecimento de música, técnica apurada e, claro, muito
sentimento e criatividade.
Longe de ser uma banda ‘cover’ como tantas outras da cidade
do aço, a ‘The JazzBreakers’ já possui composições
próprias em seu repertório. “A gente toca de tudo
que possa se encaixar bem no formato instrumental. Então, além
dos temas famosos e tradicionais do jazz, fazemos versões de
temas de desenhos animados, de músicas do Milton Nascimento,
do Djavan e do Toninho Horta”, revela Jeffin, dando uma ideia
de onde vem tanta criatividade musical. “Cada um dos integrantes
da banda veio com uma formação musical diferente –
do metal, do erudito, do rock. Então, nosso som tem realmente
um pouco de tudo. Não somos uma banda de jazz que só ouvia
jazz desde criança”, ressalta.
Mesmo tendo surgido despretensiosamente, a banda tem conquistado admiradores
entre os fãs do estilo musical que, segundo Jeffin Rodegheri,
são pra lá de exigentes. “A resposta do público
ao final dos shows tem sido muito legal. Tanto em elogios quanto em
sugestões”, comemora, salientando que, atualmente, boa
parte do repertório do grupo é formada por músicas
sugeridas pelo público. “Já temos um público
fiel, mas tem sempre gente nova aparecendo. Quem assiste a shows de
música instrumental é sempre muito atencioso com o que
os músicos estão fazendo no palco. O público presta
atenção mesmo”, reforça o baixista, acrescentando
que apesar da ‘The JazzBreakers’ estar há apenas
três meses na estrada, já tem se apresentado em outros
palcos da região, como em Penedo, onde shows de jazz e blues
têm sido uma constante.
O surgimento de uma banda de jazz na cidade do aço certamente
é um prato cheio para os admiradores do estilo. Até porque,
segundo Jeffin, quem curte o gênero acaba dependendo de festivais
próprios, que raramente acontecem na região. “O
que acontece é que se você gosta de ouvir rock, pagode,
funk, MPB, encontra muitos locais onde boas bandas estão fazendo
esse tipo de som aqui em Volta Redonda. Mas tem mais gente por aqui
fazendo som instrumental. Tem público pra isso. O que falta mesmo
é mais espaço para esse tipo de música”,
comenta o baixista, revelando que o publico da ‘The JazzBreakers’
é formado por pessoas de todas as idades.
“Tem de tudo, mas o destaque em shows instrumentais é
a grande presença de músicos na platéia. Tanato
que é uma característica nossa ter sempre um convidado
especial tocando ou mesmo cantando com a gente”, explica Jeffin,
acrescentando que músicos conhecidos no meio, como os guitarristas
Rodrigo Lobato e Filipe Torres, o tecladista Jean Barros, o gaitista
Cláudio Magalhães e as cantoras Carol Karpezi e Vivian
Salles já participaram dos shows da banda como convidados.
Quem entende de música sabe que para ser um bom músico
– e, em especial, um bom instrumentista – é preciso
ter muito empenho e muito estudo. Não significa, contudo, que
todos os músicos vivam especificamente da arte. De acordo com
Jeffin, o guitarrista Fabricio Santos, que estuda música na Universidade
Federal do Rio de Janeiro, por exemplo, divide seu tempo entre a faculdade,
a ‘The JazzBreakers’ e outros projetos. “O Fabricio
toca com o Zé Helder, um violeiro do Sul de Minas; com o ‘Brazilian
Beatles’, do Rio de Janeiro e dá aulas de violão/guitarra
no Instituto Musical Rogério Valente”, comenta Jeffin.
Já o saxista Trakinas, exagera, toca com tanta gente que não
seria possível colocar todos os nomes em uma folha de jornal.
“Mas a principal atividade dele, atualmente, é com o grupo
de pagode Dito & Feito”, conta Jeffin, que completa: “E
o Bruno, além do ‘Jimmy Jimmy & The JazzBreakers’,
também toca com as bandas Variäntz, Mr. Bong e ainda arruma
tempo para trabalhar na Volks de Resende”, ressalta.
Jeffin conta que a gravação de um CD ainda não
é um projeto imediato para a banda. “Mas a tendência,
dentro em breve, é gravar nossas composições num
CD”, garante, convidando os interessados em conhecer um pouco
mais de jazz, blues e improviso a assistirem o próximo show da
banda, na quarta, 1, no Piano’s Bar do Hotel Embaixador, no Centro
de Volta Redonda.
Mas, será que vale a pena pagar o ingresso? Quem tiver dúvidas,
pode fazer ‘degustação grátis’ das
músicas do grupo. “Quem quiser conhecer nosso som pode
acessar www.myspace.com/thejazzbreakers. Lá tem vídeos
dos nossos shows e quatro músicas que gravamos exatamente para
que o público conheça o som da banda”, sugere o
guitarrista, avisando que no site há, também, uma agenda
de shows constantemente atualizada.
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