CPI:
Mulher do deputado José Nader, de
Barra Mansa, recebia salário de R$ 39 mil no TCE
“Ih! Esqueci!”
Quem tem acompanhado pelo aQui o andamento da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Assembleia Legislativa
do Estado do Rio de Janeiro para investigar denúncias de corrupção
envolvendo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), certamente há
de se lembrar que, em abril, o deputado estadual José Nader (PTB)
teve que dar explicações sobre uma mansão de propriedade
de sua família em Orlando, na Flórida, EUA. A casa, que
está em nome da mulher de Nader, Marli Regina de Souza Costa,
é avaliada em US$ 260 mil – cerca de meio milhão
de reais – e não foi declarada à Receita Federal.
Na audiência de quinta, 25, Marli afirmou à CPI que ‘esqueceu’
de declarar sua mansão nos EUA, mas que já teria feito
uma declaração retificadora para incluí-la no Imposto
de Renda. Mas, durante o encontro, mais informações foram
trazidas à tona. Uma delas é que Marli Regina, funcionária
da Alerj cedida para o TCE, recebia, até fevereiro deste ano,
salário de R$ 39 mil. À CPI, ela afirmou que recebe R$
22 mil para trabalhar no Tribunal de Contas onde seu sogro, José
Leite Nader, é conselheiro. No mesmo Tribunal trabalharam, também,
a mãe de Marli e um cunhado seu.
Também foram ouvidos pela CPI os irmãos Paulo César
Vieira Aguiar e Marco Túlio Vieira de Aguiar. Exonerado do TCE
pelos contratos feitos com a empresa MTVA e a prefeitura de Cachoeiras
de Macacu, Marco Túlio afirmou durante a audiência que
espera na Justiça o seu retorno ao Tribunal de Contas, alegando
que sempre teve uma boa conduta no trabalho, onde prestou serviços
por 22 anos. Tem mais. Marco Túlio negou ser dono da empresa
MTVA, que ‘coincidentemente’ tem as iniciais de seu nome.
Afirmou, apenas, que é procurador da mesma. Vale lembrar que,
de acordo com a CPI do TCE, a sogra, a mulher e o irmão de Marco
Túlio também trabalham no Tribunal de Contas.
Paulo César, que ao contrário do irmão, ainda
é funcionário do TCE, declarou à CPI receber salário
de R$ 22 mil. Disse ter fiscalizado diversos municípios fluminenses
e afirmou jamais ter escondido nenhum fato. “Minha equipe era
conhecida como a tropa de choque”, contou Paulo. A presidente
da Comissão, deputada Cidinha Campos (PDT), discordou. Disse
que há indícios de que um dos integrantes da equipe da
qual Paulo César fazia parte teria negociado com a prefeitura
de Nova Friburgo.
Inquérito é transferido para Draco
Ainda durante a audiência de quinta, ficou acertado que a CPI
vai verificar como anda o inquérito policial sobre as denúncias
envolvendo funcionários do TCE que teriam oferecido ‘serviços’,
dentro do Tribunal, a prefeituras e Câmaras. Um dos anúncios
feitos pela Comissão dá conta de que o inquérito
acerca do caso, aberto na 4ª Delegacia de Polícia, foi transferido
para a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) a pedido
do Ministério Público Estadual.
De acordo com Cidinha Campos, a ocorrência foi registrada pelo
então presidente do TCE , conselheiro José Gomes Graciosa,
um dos principais investigados pela CPI. “Acredito que a delegada
Evanora Gomes de Moraes, que era da 4ª DP, tenha sido influenciada
no caminho das investigações”, afirmou a parlamentar,
certa de que a delegada – que disse ter entrevistado José
Graciosa junto com a secretária dele, Maria Verônica Madureira
–, foi induzida a ter que levar em conta, no inquérito,
o nome de pessoas que não eram citadas em um e-mail anônimo
enviado ao TCE em 2005, ignorando outros nomes mais relevantes.
“Quando o conselheiro esteve na delegacia, ele confessou ter
suspeitas de quem poderia estar armando estes esquemas de favorecimento.
Com isto, passaram a ser investigadas pessoas e empresas que sequer
constavam nas denúncias do e-mail”, explicou Cidinha Campos,
acrescentando que, embora o caso tenha sido levado à DP após
o recebimento de um e-mail, o inquérito não levou em consideração
o que era dito nas denúncias. De acordo com a delegada Evanora
Gomes, alguns nomes de prováveis envolvidos na fraude foram ditos
por José Graciosa e Maria Verônica, como os de Leonardo
Soder e Marco Túlio Vieira de Aguiar. “Não pude
dar andamento ao processo por falta de tempo para concluir as investigações.
Na 4ª DP eu tinha cinco mil inquéritos para cuidar”,
justificou-se a delegada.
Foi quando a deputada Cidinha Campos disse que Leonardo Soder e a empresa
Instituto Niteroiense de Administração Pública
(Inap), na qual ele trabalhava, foram incluídas no inquérito
“por influência”, já que não constavam
do e-mail. “É óbvio que uma delegada pode ser influenciada
ao erro por um presidente do TCE. As denúncias contidas no e-mail
é que deveriam ser investigadas, porque, se não déssemos
crédito às denúncias, o Disque Denúncia
– ótimo instrumento de investigações –
não poderia existir”, salientou a parlamentar.
Mas não foi só isso. Segundo Cidinha Campos, o delegado
responsável pelo inquérito na Delegacia de Repressão
ao Crime Organizado (Draco), Milton Olivier, foi rapidamente transferido
para uma unidade distante tão logo começou a convocar
as pessoas para depor sobre a ocorrência. “Se as pessoas
conseguem interferência no andamento dos trabalhos até
daqui da Casa, imagina na Polícia”, frisou a parlamentar.
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