Todas as cores do arco-íris
POLÊMICA: Em julho, Volta Redonda pode ser palco da 1ª Parada Gay do Sul Fluminense


Zoinho: de olho nos votos dos gays


Para Camburão, o importante é não chocar

Em junho do ano passado, a Avenida Paulista – a mais badalada de São Paulo – ferveu, literalmente. Foi durante a 11ª Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) – que contou com a participação de 3,5 milhões de pessoas protestando contra o preconceito e a discriminação sexual. Em outras palavras, exigiam da justiça brasileira a mesma igualdade com que são tratadas as pessoas heterossexuais, com os mesmos deveres e, principalmente, os mesmos direitos. Não admitem, por exemplo, continuar sendo alvo de chacotas e piadinhas preconceituosas. Desejam exercer, com liberdade, segurança e respeito, o direito que têm de ser o que são.
A boa notícia para a comunidade gay de Volta Redonda e redondezas é que agora ninguém terá mais que se deslocar para o Rio de Janeiro ou São Paulo para participar de uma manifestação como a da Avenida Paulista. É que a deputada federal Cida Diogo, do PT, está querendo promover, mais precisamente em meados de julho, a 1ª Parada Gay do Sul Fluminense. Com isso, a bandeira do Arco-íris, que é símbolo internacional da causa gay, será hasteada em Volta Redonda, que se transformará em palco para o desfile de gays e lésbicas dos 14 municípios da região.
O interessante é que se a Parada Gay, proposta por Cida Diogo, acontecer mesmo em meados de julho, servirá também de palco para os candidatos a prefeito ou a vereador que desejarem conquistar a simpatia do eleitorado gay. É que de acordo com o calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos estarão liberados para pôr suas campanhas nas ruas a partir do dia 6 de julho. Logo, se a Parada Gay do Sul Fluminense acontecer mesmo no período previsto, o que não vai faltar é candidato distribuindo santinhos aos adeptos do GLBT, pedindo votos aos gays e lésbicas que estiverem presentes.
Um deles será Zoinho, um dos pré-candidatos à sucessão de Gotardo. Ele, inclusive, garante que não é homem de preconceitos. Diz que se for convidado, participará da marcha. “Acho que hoje em dia a sociedade não pode discriminar ninguém. E acho que o homem público, o político, tem que estar presente em todas as camadas da sociedade”, diz Zoinho, já de olho nos votos que poderá conquistar. “Volto a dizer: se eu for convidado, vou participar sim”, frisa.
Ele não é o único que vê com simpatia a idéia de Cida Diogo. A promoter Ana Paula Delgado, badaladíssima no meio social de Volta Redonda, acha que a Parada Gay vai ‘bombar’ e promete participar da mesma. “Claro que eu participaria! Tenho vários amigos gays e acho que está na hora da sociedade tomar a consciência de que preconceito não é legal. As pessoas têm que entender que é o futuro”, opina.
Engana-se, entretanto, quem pensa que o vereador Walmir Vitor, um dos nomes que o PT trabalha para bater chapa com Gotardo & Neto, vai pedir votos na Parada Gay, em meio a plumas e paetês. Mesmo tendo organizado, junto com Cida Diogo, uma pré-conferência que tratou de assuntos de interesse do público homossexual, Walmir prefere manter-se afastado de manifestações como a Parada Gay.
Faz questão de ressaltar que sua participação restringe-se apenas à esfera política. “Posso dar apoio político. Mas participar, não. A liderança está com a Cida Diogo, não tem sentido eu tomar a frente de uma coisa que está sendo liderada por ela”, desconversa Walmir Vitor, fazendo questão de reafirmar que não vai, de jeito nenhum, nem que a vaca tussa, participar da passeata gay. Nem mesmo como convidado.
Tem mais. Se Cida Diogo espera algum apoio da secretaria de Cultura de Volta Redonda para realizar a Parada Gay, vai ter que esperar sentada. O secretário de Cultura, Moacir Carvalho, o Moa, afirma que se o evento fosse idéia de um movimento gay organizado e sem implicações partidárias, ele não pouparia esforços para dar uma ‘forcinha’. Como não é, diz ele, não poderá fazer nada senão assistir ao desfile.
“Não tenho nada a opor quanto à Parada Gay. Acho que qualquer tipo de manifestação sadia é válida. Eu já vi a Parada Gay no Rio e não tem nada de ofensivo. É pacífica e alegre”, revela Moa, acrescentando que, se bem feita, a Parada Gay do Sul Fluminense pode até trazer benefícios financeiros para a cidade do aço. “Se for bem organizada, a Parada Gay gera renda. Hotéis e restaurantes ficam lotados, vem gente de fora para participar”, opina Moa, tomando como exemplo a cidade de Juiz de Fora (MG), onde a Parada Gay já é um evento tradicional.
Já o metalúrgico aposentado Luiz Carlos Olegário, o popular Camburão, que é homossexual assumido, surpreende e faz ressalvas quanto à idéia de Cida Diogo e até mesmo quanto às intenções das diversas manifestações de apoio à causa dos GLBTs. “Mostrar que é gay para político, em época de eleição, não vale de nada. Acho que antes de querer conquistar o mundo, os gays têm que conquistar a família”, analisa Camburão. Para ele, o ideal é que se faça um censo para descobrir quantos homossexuais existem na cidade do aço e, a partir daí, formar uma base organizada para reivindicar, junto ao poder público, seus direitos como cidadãos.
Camburão questiona os objetivos de uma passeata como a que Cida Diogo quer fazer em Volta Redonda. “O objetivo é agredir a sociedade? Tem que saber o objetivo, tem que ter uma causa. Desfilar por desfilar, só pra chocar, é bobagem. É frescuragem”, comenta, aproveitando para deixar uma sugestão. “Uma coisa legal seria fazer um desfile com um objetivo solidário”, diz, explicando que seria interessante, por exemplo, que cada participante do desfile contribuísse com R$1,00 a fim de que no final do evento todo o dinheiro arrecadado fosse doado para alguma instituição de caridade ou para um hospital.
“Imagina se cada uma das 3 milhões de pessoas que participaram da Parada Gay de São Paulo fizesse isso. Seriam R$ 3 milhões para construir um hospital”, completa Camburão, dizendo que mais importante do que os gays exigirem o respeito da sociedade, é fazerem alguma coisa por ela. “Se queremos respeito, temos que nos dar ao respeito e mostrar que somos pessoas comuns e que podemos contribuir com a sociedade. Se essa Parada Gay tiver um objetivo, vou participar, sim”, conclui.
Nota da Redação: A deputada Cida Diogo foi procurada pelo menos quatro vezes pela reportagem do aQui para que desse mais detalhes sobre a 1ª Parada Gay do Sul Fluminense. Ela, porém, não retornou às ligações nem respondeu aos e-mails enviados. Outros políticos, como o vereador Granato, pré-candidato a prefeito, também foram procurados. Muitos simplesmente escafederam-se sem nada dizer. Pelo visto, temem queimar o próprio filme.

Sem autorização
JUSTIÇA: Procuradores do MP acusam Casa de Custódia de estar agredindo o meio ambiente


Para procurador da República, obra é amadora

Quando em 2004 a Casa de Custódia de Volta Redonda, no bairro Roma I, foi inaugurada, meio mundo reclamou contra. Até o bispo. Não adiantou protesto nem chiadeira. Prova é que passados quatro anos desde que abriu suas portas e celas, a Casa de Custódia permanece firme e forte na cidade do aço. Foi até palco de uma rebelião em 2006, quando dois presos foram queimados vivos. Rebelião que custou o emprego de muita gente boa, inclusive, do diretor da unidade.
O que ninguém esperava é que, depois de tanto tempo, a Casa de Custódia voltasse a ser alvo das atenções. E muito menos que estivesse na mira da própria Justiça. Tudo por ter sido, segundo afirma o Ministério Público Federal, construída sem autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Por essa e muitas outras, o MPF moveu uma ação civil pública contra a prefeitura de Volta Redonda e o governo do Estado, mais a empresa Blokos Engenharia Ltda e o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) – todos envolvidos na construção da Casa de Custódia.
De acordo com os procuradores responsáveis pela ação, Gustavo Soares e Paulo Gomes, não houve um estudo prévio do impacto ambiental que a obra causaria. Pior. Segundo consta nos autos do processo, ao qual o aQui teve acesso, a construção fica no entorno da Floresta da Cicuta, que é área de preservação ambiental e onde se despeja todo o esgoto produzido pelos detentos da Casa de Custódia. Significa dizer que o leito do Rio Brandão, que passa pelo local, recebe todos os dias uma grande quantidade de cocô e gordura produzida pela cozinha da unidade prisional. Tudo sem tratamento.
Além disso, de acordo com o que consta no processo, a implantação da Casa de Custódia interferiu na Rodovia BR-494, que servirá, num futuro próximo, de rota de fuga para quem mora nas proximidades da Usina Nuclear de Angra dos Reis, em caso de algum acidente nuclear. Como o Dnit , nas palavras dos procuradores, não quis saber de fiscalizar as obras da Casa de Custódia e permitiu ali sua instalação, também será processado.
Como medida liminar, o Ministério Público quer que a Justiça obrigue o governo do Estado a construir uma estação local de tratamento de esgoto para tratar a ‘sujeirada’ que é lançada no Rio Brandão e em águas subterrâneas. Quer também que a prefeitura, o governo do Estado e a Blokos Engenharia plantem 1,5 hectare de árvores às margens do Brandão, retirem fossas e sumidouros, recuperem a vegetação atingida, adequem a drenagem de águas superficiais na via de acesso à Casa de Custódia e, de quebra, paguem uma multa compensatória, no valor de R$ 575.154,70 , pelo estrago que fizeram.
Quanto à interferência da obra na BR-494, o MPF esclareceu que tentou, por diversas vezes, firmar acordos extrajudiciais com os responsáveis, mas as tentativas foram frustradas. Por isso, está pedindo à Justiça que a Blokos Engenharia – responsável pelas obras – entregue um projeto de engenharia para corrigir o que fez. Se não o fizer, dizem os procuradores, a empresa poderá ter seus bens seqüestrados judicialmente. “A construção da Casa de Custódia de Volta Redonda é exemplo do amadorismo com que os órgãos estatais ainda implementam projetos de engenharia com evidentes impactos sociais, os quais, neste caso, são de ordem ambiental e rodoviária”, afirmou o procurador Gustavo Torres.

Selva de Pedra
VOLTA REDONDA: Floresta cresce desordenadamente desrespeitando vizinhos


Quebra-quebra: demolição estaria abalando a estrutura de outras casas

Para alegria dos consumidores de Volta Redonda, os donos dos supermercados locais, de uma hora para outra, resolveram se coçar. Meteram a mão no bolso e passaram a ampliar, modernizar e embelezar suas lojas. Motivo: enfrentar a concorrência de um grupo rival, paulista, que está investindo alguns milhões na instalação de um hipermercado na Rodovia Tancredo Neves. A rede Floresta, por exemplo, gastou R$ 460 mil só para comprar uma casa na Avenida 17 de Julho, no Aterrado. Vai derrubá-la para ampliar o estacionamento da loja localizada na Avenida Paulo de Frontin. Só que o tiro está saindo pela culatra.
É que os vizinhos estão chiando contra as obras de demolição da casa de nº 567 da Av. 17 de Julho que começaram no dia 20 de fevereiro de forma desordenada, sem segurança para ninguém. Pior, sem autorização do poder público. “A obra foi embargada por falta de licença. Eles foram autuados e a obra ficou parada por quase um mês”, disse o chefe da fiscalização da secretaria de Planejamento, Nilton Periard. Para provar que a pressa é a inimiga da perfeição, o diretor do departamento de controle urbanístico da secretaria, José Silva, explica que, mesmo com o embargo, as obras continuaram e o supermercado acabou recebendo quatro multas, no valor total de R$ 1.232,73. “No dia 7 de março eles conseguiram o alvará, com validade até o dia 8 de julho. Ou seja, agora eles têm 90 dias para concluir a demolição”, garantiu.
Até lá é possível que a obra de demolição do imóvel ainda renda atritos entre a direção do supermercado e os moradores. O passado, inclusive, mostra que eles quase chegaram às vias de fato, com intervenção da Polícia Militar, fiscais do CREA e da prefeitura. Só faltou a do bispo. Se o líder religioso tivesse sido acionado, na terça, 15, ele teria tido trabalho. É que o sossego dos moradores acabou quando os trabalhadores ligaram as britadeiras para continuar a demolir a casa.
Detalhe: até esse dia, os responsáveis nem se preocuparam em – como manda a lei – colocar uma placa com o nome do engenheiro responsável pelo projeto. E nenhuma caçamba tinha sido colocada para receber os entulhos da obra, o que provocou a irritação de Andréa Saviolo de Souza, 36, mãe de três filhos pequenos. Isso sem contar o medo que ela passou, em fevereiro, quando um pedaço do muro da casa demolida caiu na área de serviço onde mora. O berço da filha menor, de um ano, fica bem em frente a essa área, tendo apenas uma porta de vidro a separá-la. Se estivesse aberta poderia ter provocado uma tragédia. “Foi Deus que pediu para eu tirar ela dali. Momentos antes da queda, ela chorou e eu a levei para a sala”, conta Andréa.
Ela ainda se recorda que perguntou aos pedreiros e ao gerente do supermercado o que estava acontecendo. “O gerente disse que estava tudo legalizado, que nada ia acontecer. E aconteceu”, lamenta, lembrando que os responsáveis mandaram limpar tudo, retirando os escombros. “Mas isso não paga nada. E se minha filha tivesse morrido?”, questiona, garantindo que até hoje tem medo de usar o varal para estender as roupas. Pior. Está impedida pela Defesa Civil de usar um dos banheiros da sua própria casa, pois as paredes apresentam rachaduras desde que as obras começaram e as crianças nem se atrevem mais a brincar no local do acidente.
“Se a pessoa martela errado ou faz o trabalho inadequadamente, o que se pode fazer? Ele também tem que ter responsabilidade”, ironiza Eduardo Abrantes, um dos diretores da rede Floresta, que não satisfeito, contesta a moradora. “Teríamos que verificar se essas rachaduras não existiam antes ou se foram realmente causadas pela demolição”, completa.
O que talvez ele não saiba é que pelo menos um acidente mais grave já ocorreu. “Pela janela de nossas casas víamos um quebra-quebra desordenado e perigoso: pedras voavam e atingiam o teto das garagens, pedaços de muro se precipitavam em nossos quintais. As autoridades foram procuradas e avisadas do perigo eminente... e o pior aconteceu: um muro desabou em cima de um trabalhador! A ambulância que prestou socorro foi obstruída por um caminhão da obra que estava estacionado irregularmente”, conta Nancy Cardoso Pereira.
Sem entrar em maiores detalhes, Eduardo Abrantes garante que o trabalhador ferido voltou a trabalhar e aproveitou para dizer que agora, com o alvará em mãos, a secretaria de Planejamento já não poderá mais impedir a conclusão da obra. “Eles têm licença e ela está dentro do prazo. A secretaria só fiscaliza se a obra tem projeto e licença, quanto ao trabalho realizado pelos profissionais, não temos como fiscalizar. A responsabilidade é do Crea”, afirma Nilton Periard.
Ele está certo. O problema é que o CREA, que recebeu uma denúncia contra a obra, estava com problemas, segundo Gil Portugal, coordenador da regional sul do órgão, em definir quem era responsável pela demolição. “Os fiscais vão lá e eles (do Floresta) desconversam. Vamos lá hoje (dia 18) e se não houver placa (com o nome do engenheiro responsável) ou ART (anotação de responsabilidade técnica), vamos autuá-los”, prometeu. O que não foi preciso, pois a placa acabou sendo colocada no local certo.
Quem também não vê com bons olhos a demolição da casa é o advogado João Antônio Catta Preta Costa. “Não entendo como o município não tomou nenhuma providência quanto a isso. Parece que o Floresta tem muita influência junto à administração da prefeitura. Há pouco a prefeitura implicou com o Edifício Bandeirantes quanto às marquises, toldos e mesas na calçada. E de repente acontece uma demolição como essa e ninguém faz nada. Parece que há uma benevolência em relação às obras do Floresta. O rigor no tratamento não é o mesmo”, insinua o advogado.
Aliás, Catta Preta é dono de um terreno, onde pretende construir uma casa para morar e um escritório para atender seus clientes, que despertou o interesse da rede Floresta. “Queriam comprar o meu sonho, não meu terreno. E ofereceram muito pouco (R$ 150 mil). Eu não fechei o canal de comunicação com eles (supermercado), mas só venderia por um valor com o qual eu pudesse comprar outro terreno aqui mesmo no Aterrado”, comenta.
E o problema não pára. A demolição acabou com a segurança dos moradores. “Esta rua era muito tranqüila. Mas agora com essa casa sendo derrubada, criou-se um esconderijo para viciados, meliantes, larápios... O Floresta quebrou o muro da casa ao lado que era maior que o meu e, junto com o entulho, facilitou a entrada de um bandido que furtou do meu escritório um fax, um modem, uma tevê 14 polegadas, meus óculos e um terno italiano”, relata Catta Preta, acrescentando que registrou queixa na 93ª DP, tomando ainda outras precauções de segurança, como mandar levantar o muro mais alto do que era antes.
Além disso, o advogado reclama, como outros moradores, do fato de caminhões estacionarem e os funcionários do Floresta descarregarem verduras, legumes e frutas na Avenida 17 de Julho. Eles se queixam com razão, afinal, o local de carga e descarga, inclusive com placa de autorização, fica na Avenida Nestor Perlingeiro. “Há o incômodo dos caminhões que estacionam na minha garagem, a sujeira constante, além do aparecimento de insetos, baratas e ratos”, disse Catta Preta. “A convivência está difícil”, dispara.
“Mesmo tendo ampliado sua garagem pela Avenida Paulo de Frontin, o Floresta usa a Avenida 17 de Julho como ponto de carga e descarga, permitindo que os caminhões estacionem de modo irregular, interditando até as garagens dos moradores, amontoando caixas e sacos na calçada, inviabilizando a passagem de pedestres e dificultando o fluxo até então tranqüilo da pequena rua. As autoridades de trânsito foram procuradas e confirmaram não haver permissão para carga e descarga na 17 de Julho. A fiscalização foi acionada, os policiais lavraram multas, mas tudo continua igual”, lamenta Nancy Cardoso Pereira.
O diretor da rede Floresta, Eduardo Abrantes, confirma que o local de carga e descarga fica mesmo na Nestor Perlingeiro e alega que está tomando providências quanto a utilização da 17 de Julho. “Vamos sentar para conversar com a prefeitura para encontrarmos a melhor solução (quanto à zona de carga e descarga)”, diz.
Todos os problemas acima levaram Nancy a realizar um ato simbólico para mexer com os brios das autoridades. No dia 11, por exemplo, ela levou três pedras e as colocou na frente da filial do Floresta em horário nobre, por volta das 12 horas. Ela fez questão de explicar a todos os motivos do protesto, que foi repetido mais duas vezes. Na terceira vez, ela encontrou alguns PMs na porta do mercado, que teriam sido chamados pelo gerente da loja. “Chamamos também o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, mas eles não chegaram a tempo”, ironiza Eduardo Abrantes.
A mãe de Nancy relata o que ocorreu: “O policial ouviu a explicação e disse: ‘é só isso?’. E foi embora. A polícia nada tinha a fazer já que ela (a filha) não estava fazendo nada ilegal, estava apenas reclamando. E eles também não podiam fazer nada contra os causadores do problema que ela denunciava”, contou. E, insatisfeita com a ironia do diretor do Floresta, Nancy resolveu denunciar as irregularidades das obras do supermercado.
Escreveu uma carta à vereadora Neuza Jordão e foi ao Ministério do Trabalho relatar como os funcionários trabalhavam na demolição da casa, sem capacetes, botas ou qualquer equipamento de proteção, além de supostamente não terem a supervisão de um engenheiro. Não se esqueceu nem de denunciar a possível existência de focos do mosquito da dengue nos entulhos da obra. “A Vigilância Sanitária diz que é assunto da Fiscalização de Obras, que pergunta se já conversamos no Controle de Zoonose, que nos dá o número do 0800”, relata Nancy.
Ela faz um apelo. “Que o Floresta utilize seus espaços para carga e descarga e que a fiscalização proíba o uso da (avenida) 17 de Julho como área de carga e descarga e saída de lixo. É uma rua residencial e assim deve ser mantida. Que o Floresta feche suas ‘portas’ indevidas na 17 de Julho e limpe e conserte o que vem danificando”, exige. “Que a casa fantasma semidestruída seja imediatamente demolida, por uma firma autorizada, seguindo planejamento e normas de segurança para trabalhadores e vizinhança. Se o Floresta pensa em criar uma saída de automóveis pela 17 de Julho, essa idéia deve ser abandonada! Ela é residencial, pequena e já está sobrecarregada”, enfatiza.
Eduardo Abrantes chega a afirmar que a rede nem tinha e intenção de demolir a casa da polêmica. “Tínhamos um terreno alugado onde colocaríamos piso para ampliar o estacionamento. Mas o proprietário faleceu e os filhos ainda não decidiram o que farão com o terreno. Portanto, compramos o imóvel da Avenida 17 de Julho e estamos demolindo para ampliar nossas vagas de estacionamento”, diz Eduardo, acrescentando que o terreno de 360 m2 garantirá mais 20 vagas de estacionamento. “Hoje temos 80 vagas no estacionamento descoberto e coberto ao lado do supermercado, com mais essas vagas teremos 100. Temos que deixar essa estrutura montada para o período de pico, aos sábados e vésperas de feriados”, explica.
Sobre a intenção de construir uma saída para a 17 de Julho, Eduardo nega a possibilidade. “Não existe um projeto para efeito de controle de saída de veículos. Vamos construir um muro e a saída será apenas pela Paulo de Frontin”, garante. “A cidade está se modernizando, crescendo e exige que o estabelecimento se modifique e amplie. Não queremos criar transtornos. Mas as pessoas não gostam de mudanças. Eu mesmo me mudei de endereço por um problema de vizinhança. O que é um absurdo é que as pessoas exageram e estão muito inflamadas. A Avenida 17 de Julho tem alguns pontos comerciais, mas é principalmente residencial e elas não estão acostumadas com essa movimentação”. É. Pode ser. Mas para Nancy, o resultado é bem diferente: “É a lei da selva do Floresta”, resume.

Nada públicas
LAZER: Praças de Volta Redonda ficam trancadas a cadeado, o que impede que todos
possam utilizá-las. Chaves ficam com dirigentes de Associações de Moradores


Praça do Juca permanece fechada o tempo todo


Acesso só com autorização da presidente da associação de moradores

Essa, se não fosse verdade, todos diriam que o aQui está inventando: em Volta Redonda as praças públicas não são públicas. Não são todas, por enquanto. Mas várias delas ficam fechadas, com correntes e cadeados. Servem apenas a poucos moradores, felizardos amigos do rei. Ou melhor, dos presidentes das Associações de Moradores onde estão localizadas, como nos bairros do Jardim Normândia, Aterrado, Niterói, Jardim Primavera e Laranjal, entre outros. Para piorar, as desculpas para o fechamento das praças são várias. Vão desde a ‘necessidade’ de se combater o vandalismo a impedir ações de traficantes e prostitutas.
O fato é que não é difícil ver pessoas darem com a cara no portão quando, como no feriadão desta semana, resolvem levar seus filhos para brincar ou praticar esporte em quadras que deveriam ser públicas. Descobrem que não são. O caso mais gritante é o do Jardim Primavera, onde a Praça do Juca foi construída num terreno que dizem ser da igreja católica. Ela é toda cercada por grades, obra da prefeitura de Volta Redonda, e os dois portões existentes permanecem, o dia inteiro, trancados com cadeados.
A chave do cadeado do portão menor fica sob responsabilidade da Igreja e a chave do portão maior fica com a presidente da Associação de Moradores do bairro. Há inclusive (ver foto) um aviso num dos portões informando os telefones de contato da presidente da associação para que os interessados liguem para ela para usarem a praça de lazer construída com dinheiro público.
O aviso foi colocado há cerca de um mês e os moradores que tentaram utilizar a praça foram pegos de surpresa. “Tentei trazer meu filho para brincar e não consegui, pois estava trancada com cadeado. Se é para trancar, que se tranque a noite. Não nos avisaram, simplesmente trancaram. Não sei se foi a Igreja que pediu ou outros moradores. Eu não pedi que a trancassem”, disse um morador, pedindo para não ser identificado.
A presidente da Associação de Moradores do Jardim Primavera, Sílvia Maria Cunha, explica que o fechamento da praça foi feito a pedido dos próprios moradores, que teriam feito um abaixo-assinado preocupados com a presença de ‘indivíduos suspeitos’ no local. “Eu não tenho a cópia da listagem assinada, pois ficou com a prefeitura. Mas foi para atender um pedido dos próprios moradores, que se viam obrigados a conviver com gente de fora que freqüentava a praça para usar drogas, fazer sexo, e por aí vai. Até a igreja ao lado foi assaltada três vezes”, diz Sílvia que continua. “Vamos fazer uma reunião com os moradores para decidir se contrataremos alguém para cuidar da praça. Até lá, a igreja colocou um cadeado no portão, mas as chaves ainda nem estão comigo”, avisa.
Mesmo alegando que a colocação dos cadeados não foi uma decisão exclusiva da associação, e sim dos moradores, Sílvia Maria Cunha, diz que a praça é pouco utilizada pelos moradores e sugere, para o futuro, a construção de um centro comunitário da Associação de Moradores no lugar da quadra poliesportiva. “Acho que a quadra foi construída num lugar muito escondido e por isso ela é até pouco utilizada. Talvez se fosse transformada num centro comunitário ou na sede da Associação, evitaria esse tipo de problema”, alega.
A colocação de cadeados e correntes nas praças também prejudica a população de bairros que nem possuem praças e quadras poliesportivas. Um exemplo é o Limoeiro. No bairro há apenas uma quadra, velha e deteriorada. Há mais de dez anos sem reforma, reclamam os moradores. A quadra mais próxima fica no Jardim Veneza, que também vive trancada para que os jovens dos bairros vizinhos a utilizem. “A gente sempre ia jogar bola lá. Agora temos que ir até a Vila Mury e essa vive lotada. Isso tinha que ser proibido”, comentou um estudante, que mora no Limoeiro.

O problema se repete


Paddle pra quê?



Arena para poucos

Assim como no Jardim Veneza, outros bairros também possuem praças e quadras públicas que vivem fechadas à base de grades, correntes e cadeados. Todas em locais de classe média alta. Em Niterói, por exemplo, na praça local existe uma quadra de tênis, esporte nobre, que é trancada diariamente. A chave fica com o vigia de um condomínio vizinho. Para pegar a chave e utilizar a quadra é preciso que o interessado faça um agendamento com alguém da Associação de Moradores. O que nem todos conseguem. “Eu já tentei utilizar uma vez, mas o segurança disse que ela é só para moradores do bairro e com a autorização da Associação”, disse o funcionário público Rafael Cruz, que mora no Retiro.
Na Praça Luther King, no Laranjal, próxima ao Hospital Vita, também há uma quadra de ‘paddle’ (que chique!), cercada por grades e, óbvio, trancada com cadeados. Detalhe: trancada por quatros cadeados. “Isso é para impedir que qualquer um possa usá-la e danificá-la”, justificou uma moradora. No entanto ela não soube dizer quem fica com as chaves dos quatro cadeados. O mais curioso é que ela confessou que raramente vê alguém utilizando a quadra. “Desde que construíram, poucas vezes vi gente ali”, disse.
No bairro Barreira Cravo, onde também existe uma quadra pública não pública, o que mais se comenta é a fúria de um pai, acompanhado do filho, ao encontrar o portão da quadra do bairro trancada. Com ferramentas próprias, ele teria arrebentado o cadeado e mandou avisar a todos que entraria na justiça caso o local permanecesse trancado. Resultado: os portões de acesso estão sempre abertos.
A chefe de gabinete da secretaria de Esporte e Lazer (Smel), Tyara de Moura Groke, confirma o óbvio. Segundo ela, todas as praças que a reportagem do aQui verificou são públicas e todos deveriam ter o direito de usá-las. Como não podem, ela explica que as praças e quadras são ‘entregues’ às Associações de Moradores para que exista um ‘controle’ maior de como são utilizadas. “Fazemos uma parceria com a Associação e cada uma adota uma rotina para manter o local. Como, normalmente, quem utiliza são os próprios moradores e a Associação é o órgão mais próximo aos moradores, fica mais fácil ela controlar. Então descentralizamos esse serviço”, comenta.
Ela diz que, dependendo do local, o cuidado com o espaço de lazer tem que ser redobrado, por isso a necessidade de se ‘limitar’ o acesso. “A quadra que é de grama sintética depende de um cuidado maior. Qualquer defeito no campo pode atrapalhar o jogo. Por isso deixamos as chaves com a associação para haver um uso racional do local”, explica Tyara, referindo-se talvez ao campo existente na Arena Esportiva Prof. Paulo Camargo, Aterrado, cuja manutenção cabe à Smel.
Para utilizar as dependências da Arena é preciso seguir uma série de etapas rígidas, que exigem paciência e tempo. “As pessoas devem agendar o uso antecipadamente, no final de cada mês para o mês seguinte, pelo telefone da secretaria. O mini estádio funciona da mesma forma”. Já para a utilização do Complexo Oscar Cardoso, no Aero, o agendamento é feito no próprio local. “Sempre tem uma pessoa responsável que fica lá para fazer o atendimento à população”, garante Tyara.

Pela lei


Imperial diz que já matou mosquitos da dengue no cemitério

A prefeitura de Volta Redonda pode recorrer à Justiça para entrar nas casas fechadas, como as do bairro Aterrado, denunciadas pelo aQui nas edições 577 e 578, onde os agentes da Vigilância Sanitária não conseguem acesso para combater o mosquito da dengue. A medida foi anunciada pelo coordenador da Vigilância Sanitária, Luiz Carlos Rodrigues, o Imperial. Segundo ele, o ideal é que se consiga amparo legal para invadir esses imóveis, caso os proprietários não sejam localizados. “Apesar de haver uma lei estadual que permite a entrada, ela só pode ser aplicada em cidades onde há epidemia. O que não é o nosso caso”, afirmou.
Imperial explica que essa é uma medida extrema e que só vai ser tomada se as notificações e multas, que estão sendo aplicadas no município, não surtirem efeito. “Muitas pessoas que nem moram mais em Volta Redonda mantêm a sua casa aqui, fechada. O encaminhamento judicial é o único caminho para entrarmos nas casas onde não conseguimos nenhum acesso desde o início do combate à doença. Outras colocam para alugar e não visitam o imóvel. Só que nessas ainda temos conseguido acesso via imobiliária”, admitiu Imperial, sem dizer o número de multas que já foram aplicadas.
Quanto à visita aos lugares públicos, como cemitério, onde a equipe do aQui encontrou focos da dengue nas tampas de túmulos e em vasos de flores, Imperial disse que está cumprindo um cronograma. “Estivemos lá há 15 dias. Mas, por causa das chuvas, novos focos podem ter surgido. Mas como houve denúncia, vamos encaminhar agentes até lá o mais rápido possível”, prometeu.
O problema, no entanto, é que quanto mais demoram a conseguir autorização da Justiça para entrar nas residências o número de casos aumenta. Em nota oficial, a Secretaria de Saúde confirma a existência de 771 notificações. Os casos confirmados chegam a 27. Há quem conteste. Uma fonte do aQui afirma que o número casos já ultrapassou a casa dos mil. “Basta ir aos hospitais São João Batista e Retiro. Tem dias que nem fichas para a coleta de sangue são distribuídas”, disse a fonte.
Para diminuir o número de casos, Imperial lembra que a melhor forma é a conscientização. E para tanto citou o trabalho dos leituristas do SAAE, que continuam com duplo trabalho. “Eles também podem, assim como os agentes sanitários, notificar e multar. Há poucos dias escutei de uma moradora um elogio. Ela disse que nós somos os únicos que estamos em todos os lugares. Nem o Ibope faz isso. É raro ver uma porta em que não tenha um papel colado de visita dos agentes da Vigilância”, argumentou.
Para ele, não existe epidemia em Volta Redonda, pois alega que o Ministério da Saúde só considera epidemia quando existem 300 casos por 100 mil habitantes. “Estamos em alerta. Mas não há motivo para pânico. No dia 30 deste mês faremos o balanço com toda a equipe das ações. Os bairros que têm maior índice de infestação, terão as visitas reforçadas”, finalizou.

Só depende de Gotardo
ECONOMIA: Banca de jornal amarga prejuízo depois de constantes mudanças de endereços


Banca mudou três vezes, em menos de um ano

Ninguém imagina como a simples mudança de endereço de uma banca de jornais e revistas pode afetar tantas pessoas. Quem sabe muito bem disso é Maria do Carmo Rocha, 61, responsável pela banca que funcionava na Avenida Paulo de Frontin, na calçada do supermercado Royal, no Aterrado. Hoje, transferida para a Avenida 17 de Julho, bem distante de onde funcionou durante décadas, ela amarga um prejuízo da ordem de 70% nas vendas. E não sabe explicar aos habituais clientes os motivos que a mantém tão longe do seu ponto original. Isso quando eles a encontram, pois a banca está mesmo em um lugar muito ruim.
A confusão começou quando a ‘banca de jornal do Royal’ foi ampliada e modernizada – ficou igual às da Vila – com a promessa de que poderia usar um espaço dentro do novo estacionamento do supermercado onde não atrapalharia ninguém, muito menos os pedestres. O que não aconteceu porque a dona do terreno, hoje estacionamento, não concordou que a direção do supermercado sublocasse o espaço necessário para a instalação da banca, de propriedade da Distribuidora de Jornais e Revistas de Volta Redonda.
Resultado: a banca continuou na calçada, perto da entrada do estacionamento. Lá ficou por pouco tempo, muito pouco tempo. É que fiscais da prefeitura de Volta Redonda exigiram que ela fosse retirada da calçada, esquecendo-se que quase em frente, ao lado do Plaza Shopping, onde fica o escritório do vice-prefeito Nelsinho Gonçalves, uma loja de material de construção, utiliza um espaço, como fazem muitos bares e restaurantes da cidade do aço, para expor alguns dos produtos que vende, como uma betoneira de cimento. Literalmente, uma agressão visual.
“Isso (a ordem de mudança) nos foi passado no meio da tarde, quase no horário de fechamento da banca. Conseguimos às pressas um transporte e nos mudamos no meio da noite para a calçada do outro lado, também na Paulo de Frontin”, conta o sócio diretor da Revendedora de Jornais e Revistas de Volta Redonda, Ricardo Maciel Ramundo. “Fomos para lá após recebermos um telefonema da senhora Elisângela, da secretaria de Fazenda, dizendo que tínhamos que tirar a banca até o final daquele dia. Assim o fizemos e respeitamos rigorosamente o projeto do IPPU", explica Ricardo, certo de que estaria assim resolvendo o problema que tanto aflige Maria do Carmo.
Só que o dono da loja, presidente da CDL-VR, Gílson de Castro, não teria gostado do novo vizinho. “Apesar de considerá-lo um amigo, ele foi muito deselegante com meu pai, um homem ilibado, com 68 anos e muito respeitado. Ao contrário do Gílson, eu e meu pai procuramos o Sebastião Faria (sócio da empresa) por três vezes na tentativa de encontrarmos um espaço que não prejudicasse a eles. É uma pena que um presidente de nossa classe de comerciantes (CDL-VR) haja de forma tão passional”, comentou Ricardo.
Tal situação foi praticamente confirmada pelo gerente da empresa, Carlos Araújo, que garantiu que a banca, funcionando na calçada pública, em frente à loja de material de construção do presidente da CDL-VR, estaria atrapalhando os negócios. “Fizemos uma queixa na prefeitura e alguém tirou a banca. Só ficaram aqui uma semana”, confirmou Carlos.
Ele tinha razão. É que, em uma semana, a Distribuidora, acatando determinações da prefeitura de Volta Redonda de mudar novamente a localização da banca, acabou levando-a para a Avenida 17 de Julho, longe de tudo e dos tradicionais clientes. O que fez com que Maria do Carmo redigisse um documento pedindo que a prefeitura revisse a situação, dando-lhe um local mais apropriado para fixar de vez a banca de jornais e revistas.
Afinal, ela contabiliza um prejuízo enorme com tantas mudanças de endereço. “As vendas caíram 70%. E ainda fui assaltada três vezes”, revela Maria do Carmo, dando uma sugestão para solucionar o problema: “Gostaria que a banca ficasse em frente à sede da Ciretran. Como é um prédio público, não atrapalharia a vitrine de ninguém”, ironiza. “Queremos colocar num local que agrade a todos os leitores”, completa Ricardo.
É ele ainda quem cita algumas novas alternativas. “O melhor ponto seria na calçada pública do outro lado do Royal. Se não for possível, poderíamos ir para a calçada em frente ao Banco Real ou ao Shopping Plaza. O que queremos mesmo é colocar a banca num local que agrade a coletividade, o que é, sem dúvida, também o objetivo do prefeito Gotardo”, diz Ricardo, certo de que o prefeito fará de tudo para ajudar Maria do Carmo, uma aposentada de 61 anos que trabalha há anos para sustentar sua família.
Maria concorda e lamenta estar desperdiçando o seu potencial de vendas.
“Quando você sai da Beira Rio passando pela Paulo de Frontin você só vai encontrar uma banca de jornais na Praça da Prefeitura. Uma não, duas e depois outra, perto da Casa Nula. Isso prejudica quem mora na outra extremidade e tem que sair andando à procura de uma banca, no caso a minha, na Rua Luiz Alves Pereira, que pela sua colocação, parece que está fechada”, diz meio que desanimada.
“Banca é questão de informação e cultura; as pessoas só têm a ganhar com a banca”, finaliza Maria, com a esperança de se mudar em breve para um ponto melhor. E em definitivo. “O Gotardo é uma pessoa sensível. Ele vai me atender”, espera.

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