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Os renegados
SINDICAL:
A Justiça ainda é o caminho para a ‘nova’
família brasileira, constituída por pessoas do mesmo sexo
Camburão: “É preciso ter respeito”
Os
casais homossexuais já circulam fora do armário e à
luz do dia e assim como outros casais, querem ter seus direitos reconhecidos.
No Brasil, os movimentos sindicais se curvaram às mudanças
da nova ‘família’ e começaram a incluir políticas
que atendem a reivindicações de trabalhadores homossexuais.
As mais comuns são programas de combate à discriminação
e inclusão de parceiros nos planos de saúde e previdência.
Em Volta Redonda, no entanto, isso está longe de ocorrer. Das
27 cláusulas do acordo coletivo dos trabalhadores da CSN, por
exemplo, não há nenhuma nesse sentido. Na pauta das terceiras
também não. “Nenhum pedido em relação
a isso foi feito. Por isso não incluímos”, disse
Renato Soares, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta
Redonda.
As ações para garantir a extensão de direitos presentes
nos acordos coletivos a trabalhadores que têm parceiros do mesmo
sexo ainda são pontuais e enfrentam o preconceito dos próprios
sindicalistas. A avaliação é do próprio
dirigente sindical. “Há várias categorias em que
o machismo predomina e a nossa é uma delas. Eu lançaria
a discussão se os próprios trabalhadores pedissem”,
reafirmou o sindicalista, ressaltando que já ouviu falar de empresas,
inclusive estatais, que começaram a incorporar alguns benefícios
após anos de reivindicação. “Por causa do
preconceito, acho pouco provável que aconteça aqui”,
enfatizou.
Isso não significa, porém, que não existam casais
homossexuais entre os metalúrgicos da cidade do aço e
que eles não queiram ter os seus direitos garantidos. O metalúrgico
Wilson*, 46, é um deles. Casado há 12 anos com Anderson*,
43, ele ainda não pode colocar o companheiro como seu dependente
no plano de saúde, nem mesmo revelar para os colegas que é
homossexual. “O preconceito lá dentro da Usina (Presidente
Vargas) é muito grande. Já tive um colega que pediu demissão
quando descobriram, tamanho constrangimento que sofreu”, contou
Wilson, que é funcionário de uma das empreiteiras que
prestam serviço para a CSN.
No interior de sua casa, no entanto, ele se sente à vontade para
falar do assunto. “Aqui, entre quatro paredes, nós somos
uma família. Quem cuida de mim quando estou doente é ele
e vice-versa. Mas, em Volta Redonda, as pessoas ainda não respeitam
a opção sexual do outro. No meio metalúrgico, então,
há muita discriminação. As piadas contra homossexuais
são constantes. Fico muito incomodado e me afasto. Não
vou me expor e correr risco de sofrer. Até aqui onde eu moro,
por sermos parecidos, meus vizinhos pensam que somos irmãos”,
revelou Wilson, que resolveu entrar na Justiça para que seu relacionamento
seja reconhecido legalmente. “Se eu morrer não quero que
Anderson fique desamparado”, falou.
Para Anderson, apesar do assunto já ser amplamente discutido
no Rio e São Paulo, na região toda essa revolução
de costumes ainda não foi absorvida. “As pessoas aqui ainda
são muito antigas. Não tem mente aberta e nem querem discutir
esse assunto. Talvez, estamos agindo errado em não assumir publicamente
a nossa relação. Sinto vontade de beijá-lo em público,
mas esse é o mal menor”, reconhece Anderson, que trabalha
como cozinheiro num restaurante, também de Volta Redonda.
Metalúrgico aposentado da CSN e homossexual assumido, José
Luiz Olegário, 50, conhecido como Camburão, sabe muito
bem disso. Ele diz que só não sofreu preconceito na Usina
Presidente Vargas porque sempre se assumiu. Isso, entretanto, não
o livrou de ouvir piadinhas dos companheiros metalúrgicos. “Uma
vez eu estava saindo da CSN e dois caras falaram assim: ‘Um negão
desse tamanho, viado (sic)’. Aí eu voltei e perguntei:
Você me chamou de quê? Olha, melhor ser viado (sic) do que
ser bandido e estuprador, que podia estar na tua casa agora, maltratando
tua mulher”, lembrou Camburão.
Para ele todo homem que tem preconceito e é agressivo com homossexuais,
é homossexual e não sabe. “O preconceito está
na pessoa. Se a pessoa quer ter respeito, tem que se dar ao respeito”,
explicou Camurão, que trabalhou no setor de refratários
e na área de Comunicação Social da CSN, como auxiliar
administrativo e estima que há cinco anos, quando ainda trabalhava,
a siderúrgica tinha cerca de 500 funcionários homossexuais.
“Tinha bastante homossexual, mas era algo reservado”, comentou.
De acordo com Camburão, muitos gays vivem juntos durante décadas
sem nunca adquirir os mesmos direitos dos casais heterossexuais, como
pagamento de pensão. “Eu mesmo não iria utilizar
nenhuma lei para colocar meu parceiro como meu dependente. Porque a
pessoa pode ‘colar’ comigo por causa disso. Não querer
trabalhar e depois de seis meses me matar para ficar com o benefício.
Não dá pra saber se a pessoa ama de verdade ou se só
está com você por causa do benefício. Essa lei –
reconhecimento das uniões homoafetivas - é uma faca de
dois gumes. Acho que os sindicatos deveriam correr atrás do reajuste
dos aposentados”, avaliou Camburão.
Apesar do preconceito, o panorama se tornou menos hostil aos gays em
função de uma série de vitórias computadas
aqui e ali. Uma delas foi dada pelo governador Sérgio Cabral,
que concedeu no mês passado pensões a parceiros de servidores
públicos homossexuais. O benefício, concedido pela Lei
5034/07 e sancionada pelo próprio Cabral, vai atingir mais de
30 mil servidores estaduais e seus companheiros.
Ferrenho defensor dos GLTBs, Cabral quer ainda que a união estável
entre pessoas do mesmo sexo se torne uma realidade no país. Para
tanto ele pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a união
homossexual tenha o mesmo valor de uma união entre heterossexuais.
Ou seja, além da união estável, a medida garantiria
também o direito a pensão em caso de morte, pensão
alimentícia e divisão de patrimônio.
Cabral propôs uma ação chamada “argüição
de descumprimento de preceito fundamental”, alegando desrespeito
à Constituição. A ação alega que
os princípios constitucionais violados são igualdade,
liberdade, dignidade da pessoa humana e segurança jurídica.
Como a ação ainda não foi julgada, o melhor caminho
é a Justiça.
Nota da Redação: A CSN foi procurada pela reportagem do
aQui para falar sobre o caso, mas preferiu não comentar o assunto.
Palavras
também ferem
VIOLÊNCIA: Ligue-Idoso de Volta Redonda registrou 411 denúncias
de agressão a idosos em 2007

Maior parte dos idosos são agredidos em casa
‘Respeitar
os mais velhos’ é uma lição que muitas crianças
brasileiras deixaram de aprender. Já adultas, não foram
poucas as que se esqueceram de que respeitar o próximo –
em especial as pessoas idosas – é um exercício de
cidadania. Prova disso é que a pesquisa “Idosos no Brasil
– vivências, desafios e expectativas na Terceira Idade”,
feita pelo núcleo de Opinião Pública da Fundação
Perseu Abramo, mostrou que violência, desrespeito e maus-tratos
são coisas presentes na vida dos idosos brasileiros.
O estudo indica que, espontaneamente, apenas 15% dos idosos relatam
alguma ocorrência deste tipo. Porém, quando são
sugeridas outras formas de violência como ofensas, tratamento
com ironia, humilhação e recusa de trabalho, o percentual
de idosos que se revela vítimas sobe para 35%. Não é
pouca coisa. Significa dizer que sete milhões de idosos sofrem
maus-tratos, já que dados do Instituto Brasileiro de Geografia
Estatística (IBGE), mostram que o Brasil possui, hoje, mais de
18 milhões de pessoas que completaram ou passaram dos 60 anos
de idade. A expectativa do órgão é de que até
2020 a população idosa seja de cerca de 30 milhões.
Engana-se, entretanto, quem pensa que as formas de violência mais
freqüentes estejam relacionadas a maus-tratos físicos ou
abandono. Especialistas dizem que a violência psicológica
é a mais comum, e inclui ameaças, discriminação
e humilhação. A violência física vem em seguida,
com casos de espancamento e cárcere privado. A aposentada Ivone
(nome fictício), de 75 anos, moradora do bairro Retiro, em Volta
Redonda, sabe bem o que é ser uma vítima.
Ela, que mora sozinha com a irmã inválida, de 95 anos,
há cerca de dois meses tem tido sua tranqüilidade perturbada
pela implicância de uma vizinha que, sem motivo aparente, passou
a agredi-la verbalmente e a fazer-lhe ameaças. Assustada, Dona
Ivone conta que a vizinha – de uns 32 anos de idade – não
economiza nos xingamentos. “Ela chega na janela, me chama de ‘velha
murcha’, fica gritando e uma vez disse que o fato de eu ser idosa
não a impediria de me dar ‘porrada’. Ela me xinga
de nomes muito feios, que nem dá pra repetir”, revela a
aposentada que, desde então, tem evitado sair de casa, com medo
de que a vizinha cumpra a ameaça.
O caso foi parar na Delegacia da Mulher (Deam), onde Dona Ivone registrou
queixa contra sua agressora. “Não sei o que fiz para merecer
isso. Minha vida se resume a cuidar da minha irmã doente e dos
serviços de casa”, indigna-se. “Tudo o que eu quero
é voltar a viver em paz”, desabafa. Mas, de acordo com
a assistente social e gerente do Centro de Atendimento à Pessoa
Idosa de Volta Redonda, Sandra Martins, casos como o de Dona Ivone são
raros. “A maior parte dos agressores estão dentro de casa.
São pessoas da própria família do idoso”,
alerta.
Ela revela que o Ligue-Idoso, serviço oferecido desde 2005 pela
secretaria de Ação Comunitária (Smac), recebeu,
só no ano passado, 411 denúncias de agressões contra
pessoas idosas. “ É importante salientar que a violação
de direitos da pessoa idosa vai desde a agressão verbal até
a negligência institucional, passando pela violência física
e o abandono”, explica Sandra, ressaltando que na dita ‘negligência
institucional’ enquadram-se casos de mau atendimento por parte
de funcionários de empresas ou órgãos governamentais.
De acordo com a assistente social, a média de denúncias
recebidas pelo Ligue-Idoso é de 40 por mês. Só de
janeiro a fevereiro deste ano, diz ela, foram recebidas 35, sendo que
14 eram casos reincidentes. E Sandra conta que a equipe do Ligue-Idoso
, formada por assistentes sociais e psicólogas, apura todas as
denúncias recebidas. “A maior parte das denúncias
é verídica, mas é preciso analisar todo o contexto”,
diz.
Ela explica que, muitas vezes, a agressão não é
feita por maldade, mas por falta de informação. “É
claro que existem pessoas muito más e cruéis, mas nem
todo agressor é perverso. Às vezes as pessoas perdem a
paciência, estouram e acabam descontando a raiva no idoso, xingando
ou tratando de forma ríspida”, analisa, dizendo, porém,
que nada justifica maltratar uma pessoa idosa. “Isso machuca a
auto-estima do idoso. Dói”, afirma, acrescentando que,
por conta disso, são muito comuns os casos de pessoas idosas
mergulhadas em depressão.
Afinal, diz Sandra, eles já estão numa fase delicada da
vida, quando são comuns os pensamentos de que já não
servem para mais nada e de que são completos ‘inúteis’.
“É importante que as pessoas saibam que violência
não significa, apenas, dar tiro, paulada, beliscão, deixar
com hematomas. Às vezes, um comportamento sutil, como fazer as
coisas de má vontade, causa danos irreparáveis”,
frisa.
Sandra conta que o Ligue-Idoso também recebe denúncias
relacionadas a abandono de idosos. O problema, segundo ela, é
que nem sempre o idoso fica abandonado, sozinho dentro de casa, por
maldade ou má-vontade dos familiares. “Às vezes,
a família toda está numa situação de abandono
e violência. Ou então os parentes têm que trabalhar
e não possuem condições de ficar em casa ou pagar
alguém para tomar conta do idoso. Então, ele acaba ficando
sozinho”, informa.
Quando é assim, diz Sandra, a família é orientada
a procurar um local onde o idoso possa passar o dia. Porém, quando
é constatada uma situação de abandono e negligência,
as medidas são mais drásticas. “Encaminhamos a denúncia
ao Ministério Público, para que sejam tomadas as providências
cabíveis”, afirma.
Muito embora as medidas tomadas pelo Centro de Atendimento à
Pessoa Idosa sejam firmes, de acordo com Sandra, não são
suficientes. “O Brasil não tem um modelo de política
pública para idosos, pois é um país que não
se preparou adequadamente para esta geração. Apesar das
dificuldades, pode-se dizer que Volta Redonda é a cidade que
mais possui políticas públicas voltadas para a Terceira
Idade”, analisa. Por isso, diz ela, é fundamental que se
implante na cidade do aço um Fórum Municipal da Pessoa
Idosa.
“Já tivemos algumas reuniões com as Pastorais Diocesanas
– que querem, inclusive, formar uma Pastoral do Idoso –,
com a Associação dos Aposentados, representantes de instituições
de longa permanência (asilos), e com o delegado da 93ª DP,
Leandro Gontijo”, informa Sandra, que espera contar com a colaboração
da sociedade. “O que demandou a idéia deste Fórum
foi justamente a questão da violência contra o idoso. Esperamos
que a sociedade contribua, propondo ações e idéias
de políticas públicas”, declara.
Agressões
Sandra Martins recorda-se com tristeza do caso de uma filha que submetia
a mãe idosa a um tratamento desumano. “Ela dava banho na
própria mãe com uma mangueira de água fria, no
quintal”, relata. De acordo com Sandra, o Ligue-Idoso encaminhou
o caso à Justiça. “O juiz a tirou de dentro da casa
onde vivia. Hoje, esta senhora está bem, vivendo num asilo e
adorando. Não é o ideal, mas com certeza é bem
melhor do que a situação em que ela vivia antes”,
pondera. Outro caso de que Sandra se recorda é o de um neto –
maior de idade – que ateou fogo à própria avó.
“Hoje ela está bem, mas o neto está foragido. O
que me deixa muito triste é a impunidade”, diz Sandra.
Aproveitando a oportunidade, Sandra faz um alerta: apropriação
indébita de rendimentos do idoso, tipo aposentaria e pensão,
também é crime. “Certa vez recebemos a denúncia
de que um senhor estava passando por esta situação. Ele
morava com um casal, que nem da família era. Vivia sem medicação,
mal alimentado, desnutrido e desidratado num quarto insalubre. Então
descobrimos que o casal recebia os rendimentos dele”, conta. De
acordo com ela, o casal foi denunciado à Justiça e o senhor,
agora, vive com uma irmã, em outro município. “É
preciso que a população esteja atenta. Tem muita gente
por aí que diz que ‘ajuda’ idosos, mas tem um único
interesse: receber os benefícios deles”, alerta.
Quem souber de algum caso de violência e negligência contra
idosos, ou quiser informações acerca dos Direitos da Pessoa
Idosa, pode entrar em contato com o Ligue - Idoso através do
telefone 0800 7260662, de segunda à sexta, das 08 às 17
horas. O anonimato é garantido.

Dias
de alegria
Às quatro horas da tarde, eles se juntam no corredor e esperam
que a van da prefeitura os leve para casa. Em seus rostos, as marcas
indeléveis da idade. Muitas mãos, já trêmulas,
buscam apoio em bengalas ou muletas. Os olhos já quase não
enxergam mais. Mas todos eles, sem exceção, têm
um sorriso no rosto. Gostam de ser bem tratados, de receber atenção,
conversar, e passar o tempo com atividades divertidas.
No refeitório, Dona Sebastiana termina seu lanche: suco de laranja
e sanduíche. Do alto de seus incríveis 103 anos de idade,
delicada e elegante no trato, diz que gosta de passar o dia no ‘Centro
Dia para Idosos’, mantido pela prefeitura através da secretaria
de Ação Comunitária (Smac). “Ah, amanhã
eu vou voltar!”, constata sorridente. Sim, ela tem bons motivos
para querer voltar ao ‘Centro Dia’, como é conhecido.
No centro de convivência, que funciona desde 2005, ela passa o
dia interagindo com outros idosos, participa de atividades com o fisioterapeuta
e o fonoaudiólogo, tem uma psicóloga à sua disposição
e pode participar de oficinas de música e artes. Assim como seus
colegas, pode fazer parte do coral e participar dos ensaios.
Depois do almoço, se quiser, pode até tirar uma sonequinha
no dormitório das ‘meninas’, caprichosamente decorado
com colchas cor-de-rosa. No dormitório dos ‘meninos’,
todas as camas têm lençóis e colchas azuis, para
agradar aos idosos do sexo masculino. Os banheiros são adaptados
para suas necessidades e todo o local é bastante arejado, para
não causar incômodo algum.
O triste é que não são todos os idosos que podem
ter a oportunidade de passar o dia no local. É que ele só
tem espaço para atender, por dia, a 25 idosos. “Mas estamos,
com custo, atendendo a 40. E, infelizmente, não há mais
vagas”, diz Sandra Martins, gerente do Centro de Atendimento à
Pessoa Idosa, da Smac. Ela explica que os idosos que lá chegam,
muitas vezes, são enviados a mando de algum juiz. “A família
não tem como cuidar durante o dia, então o juiz manda
o idoso para ficar aqui”, conta.
Sandra informa que o ‘Centro Dia’ é um modelo que
substitui o modelo asilar. “O idoso vem, passa o dia e mantém
seus vínculos familiares e afetivos. Toma café, almoça,
participa das oficinas, toma um lanche reforçado e volta para
sua casa no final da tarde”, explica ela, lamentando que não
existam mais centros como esse na cidade do aço que, segundo
dados da Smac, possui cerca de 30 mil idosos – o equivalente a
quase 10% da população volta-redondense.“Seria ótimo
se tivéssemos mais, para atender a todos”, comenta.
Sandra explica que o trabalho dos fisioterapeutas, psicólogos
e fonoaudiólogos do centro de convivência é desenvolvido
de maneira que não cause tédio ou desânimo na turma
da Terceira Idade. “A fisioterapia é feita coletivamente,
e é sempre uma diversão. Já as oficinas buscam
trabalhar a memória deles e resgatar a história de cada
um”, explica. Mas, segundo ela, a oficina que mais tem feito sucesso
no ‘Centro Dia’, é a oficina de rádio. “Eles
pegam o microfone, cantam, contam piadas, histórias, inventam
notícias, dedicam músicas, mandam recados... É
uma farra!”, completa.
Dona Maria Fernandes, de 66 anos, já está sentada no corredor,
esperando com suas amigas a van que as levará para casa. Puxando
papo, descobre-se facilmente o motivo do muxoxo que faz. “Eu adoro
isso aqui. Gosto das atividades. Por mim, não teria sábado
nem domingo”, confidencia ela, chateada porque o ‘Centro
Dia’ não funciona nos finais de semana. “Mas amanhã
eu volto, se Deus quiser. Eu volto todo dia!”, completa, com um
sorriso maroto.
Mau exemplo
DENGUE:
Menina de 11 anos contrai a doença dentro da escola municipal
e engrossa número de notificações
A pequena Renata, 11, aprendeu na escola que não se deve deixar
água parada em vasos de planta, pneus, garrafas e outros utensílios
que possam atrair o mosquito da dengue. Ótimo. Pena que a lição
não tenha partido dos professores ou de orientadores pedagógicos
e sim do próprio aedes aegypti, que picou a estudante enquanto
ela assistia às aulas no Colégio Municipal Getúlio
Vargas. “Ela chegou em casa na terça, 8, mostrando a perna
e dizendo que um mosquito tinha picado. No começo achei que podia
ser pernilongo, mas depois na sexta, 11, ela começou a ter febre
de 40 graus. Desconfiei que poderia ser dengue. E era”, contou
Aparecida Gonçalves da Silva, mãe de Renata.
Ainda se recuperando da dengue clássica, a estudante da 5ª
série do ensino fundamental contou que desconfia que o foco esteja
na garagem da escola, onde existe um número grande de coisas
entulhadas. “Ainda nem pude ir à escola e informar que
minha filha está com dengue e que pegou lá. Agora que
ela recebeu o soro e está fora de perigo vou ao Colégio
(Getúlio Vargas) para pedir que limpem a área antes que
outras crianças contraiam a doença. Não desejo
para nenhuma mãe o que eu passei. Tive medo dela morrer”,
enfatizou Aparecida.
Procurado pelo aQui para comentar o assunto, o coordenador da Vigilância
Sanitária, Luiz Carlos Rodrigues, o Imperial, contestou as informações
da mãe de Renata. Ele disse que ainda é muito cedo para
se afirmar onde a menina contraiu a doença. “Ela ainda
está na lista de notificações, que hoje são
701. Casos de dengue confirmados mesmo são apenas 27. E outra
coisa a se salientar é que ela moradora do Parque das Ilhas,
que fica bem perto do Santo Agostinho, bairro de maior infestação
do aedes aegypti de Volta Redonda”, disse Imperial.
Para ele, um outro indicativo de que a menina pode não ter contraído
a doença na escola é o fato de lá estudarem 5 mil
crianças e adolescentes e nenhuma ter contraído dengue.
“Não estamos descartando nada e até por isso estamos
enviando uma equipe para fazer uma varredura na escola”, informou
Imperial, ressaltando que não haverá mudanças no
plano de combate ao mosquito transmissor da dengue. “Vamos continuar
com as tendas informativas nos bairros, para que a população
se conscientize e não deixe água parada”, completou
Imperial.
O problema é que nem todos estão dispostos a abrir as
portas para a Vigilância Sanitária. Principalmente, depois
de quarta, 16, quando três homens armados entraram no prédio
da Unimed, na Rua 33, na Vila, vestidos de agentes sanitários,
renderam os funcionários e assaltaram a agência bancária
localizada no segundo andar. “Agora é que as pessoas não
vão deixar entrar nas casas. Entre o mosquito e os assaltantes,
as pessoas vão preferir o aedes aegypti. A prefeitura terá
que mudar o uniforme dos agentes urgentemente”, alertou Rose Marcelino,
que estava no prédio no momento do assalto.
Outro
mau exemplo

Bromélias no jardim da prefeitura
podem ter focos
O velho ditado “Faça o que eu digo, mas não faça
o que eu faço” continua tendo tudo a ver com a prefeitura
de Volta Redonda. Ela, que deveria dar o exemplo, insiste em fazer errado.
Mesmo depois das denúncias do aQui, o cemitério
municipal Bom Retiro não recebeu ainda a visita dos agentes sanitários.
Pior. Na quinta, 24, o prefeito Gotardo em entrevista ao jornalista
Dário de Paula, encheu a bola do projeto de lei do vereador Novaes,
que proíbe a plantação de Bromélias na cidade
do aço. “Esse tipo de planta acumula água e pode
virar foco”, afirmou Gotardo, esquecendo-se que existem dezenas
de bromélias plantadas nos jardins do Palácio 17 de Julho.
O Aterrado, bairro onde inúmeras caixas d’água estão
destampadas, ainda não mereceu uma maior atenção
do governo municipal. “Até hoje nenhum agente sanitário
esteve aqui para notificar nossos vizinhos”, contou um morador.
“E olha que depois que o jornal esteve aqui, eu liguei para o
disque dengue e eles me informaram que não podem invadir a casa
de ninguém”, revoltou-se o morador.
A revolta, porém, não é só dele. Uma leitora
do aQui, que preferiu não ser identificada também
tem ligado para denunciar seu vizinho, morador da Avenida Retiro, nº
3926, e recebeu da atendente do Centro de Zoonoses, identificada como
Waldira, a mesma resposta. “É um absurdo eles nos informarem
que não podem invadir a casa, que tem uma piscina com água
da chuva acumulada e vários utensílios domésticos
velhos espalhados pelo quintal”, reclamou a leitora.
O alento para ela e outros moradores pode vir da Alerj, onde o projeto
de lei, nº 1423, de autoria do deputado estadual Nelson Gonçalves
está na pauta de votação. O projeto, de Combate
à Dengue, prevê a criação de brigadas de
combate à proliferação do mosquito Aedes Aegypti
em condomínios residenciais e comerciais, além de prédios
públicos. A meta do parlamentar é conseguir, com este
projeto, reunir moradores e servidores públicos na campanha contra
a dengue, em todo o estado do Rio de Janeiro.
De acordo com o projeto, cada brigada deverá contar com três
a sete voluntários, que sejam servidores, no caso de prédios
públicos, moradores, proprietários ou inquilinos de imóveis,
se tratando de condomínios residenciais e comerciais. Cada brigada
será responsável por adotar um planejamento específico
para o imóvel em que estará atuando. Os grupos deverão
realizar verificações para evitar o surgimento do mosquito,
além de executar campanhas orientando sobre os riscos da doença
e formas de combatê-la.
Lambança
COMÉRCIO: Ninguém pode dizer se lojas de Volta Redonda
vão ou não abrir no feriado de São Jorge
Enquanto um monte de gente, como os mais de onze mil servidores públicos,
ficarão de perna pro ar durante cinco dias seguidos, outros,
como os lojistas de Volta Redonda, estão tiriricas da vida por
conta dos feriados de Tiradentes - segunda, 21 - e São Jorge
- quarta, 23. Contabilizam, inclusive, os prejuízos que terão
sem saber se poderão abrir ou não as suas lojas. No meio
do fogo cruzado, quem trabalha no comércio também lamenta
ficar tantos dias sem vender, sem receber comissão pelas vendas.
E isso só acontecerá por causa da lambança protagonizada
pelo Sindicato dos Empregados do Comércio de Volta Redonda e
pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-VR).
É que o presidente do Sindicato dos Empregados, Roberto Galo,
tentou garantir para a classe que representa um valor de R$ 35,00 para
que todos trabalhassem no feriado de São Jorge, dia 23. Enquanto
esperava pela resposta, Galo foi surpreendido com a campanha publicitária
da CDL informando que o comércio iria abrir. Pior. A CDL chegou
a enviar nota aos jornais dando conta que as duas entidades tinham fechado
acordo. Não tinham.
Irritado com a atitude do presidente da CDL, a quem definiu como ‘aloprado’,
Galo não assinou o acordo e jurou que não assinaria. Fez
mais. Disse às rádios que as lojas não poderiam
abrir na quarta e que fiscais do Ministério do Trabalho iriam
a campo para multar quem insistir em abrir. Enquanto isso, o presidente
da CDL-VR, Gilson de Castro, que saiu com a reputação
em baixa graças a pendenga, não deixou por menos.
“Ele (Galo) não assinou por pura vaidade. Não entendeu
que, para abrir, o comércio precisa ter público na rua
para comprar e, com isso, serem beneficiados o comerciante e o comerciário.
O Galo tinha feito um acordo verbal com a gente, dizendo que o comércio
abriria. Então a CDL se antecipou e divulgou a notícia,
para que os clientes soubessem que no dia 23 o comércio estaria
aberto. Ele não gostou disso e não quis cumprir o acordo”,
alegou Gilson. “Ele queria ter dado a notícia”, completou.
A reportagem do aQui tentou falar ontem à tarde, sexta, 18, com
o presidente do Sindicato dos Empregados para que ele pudesse esclarecer
o posicionamento do órgão. Mas foi informada de que Roberto
Galo já tinha ido viajar para bem longe da cidade do aço.
“Agora só na semana que vem”, disse Renato Galo,
diretor de patrimônio do órgão.
“O Galo (Roberto Galo) não gostou da campanha da CDL e
não assinou o acordo coletivo. Então, o comércio
funcionará apenas na terça-feira, dia 22”, esclareceu
Renato, acrescentando que apenas o Sider Shopping poderá funcionar
durante o feriadão, das 15 às 21 horas, e os supermercados
das 8 às 15 horas. “É um feriado em que banco não
abre, prefeitura não abre. É um feriado emendado no outro.
Então, acredito que vai haver prejuízo sim, mas não
acho que deve ser grande. Não dá pra ter uma estimativa”,
disse Renato.
O certo é que comerciantes, lojistas e funcionários, como
um todo, sairão prejudicados no final do mês. “O
prejuízo será enorme. Era pra ser um dia em que o cidadão
poderia aproveitar a folga e sair para fazer compras. O comércio
de Barra Mansa fez acordo e vai abrir. O de Resende também. Só
o de Volta Redonda é que não vai”, esbravejou o
presidente da CDL, que continua. “O comércio todo está
indignado por causa do prejuízo. Infelizmente temos que passar
por isso: funcionários e comerciantes ficarão no prejuízo
no final do mês. Não poderão exercer seu direito
de trabalhar”, analisa Gilson.
Se ele não fosse precipitado, a situação poderia
ser diferente. Caberá agora, à Justiça decidir
se comerciários e comerciantes trabalharão no dia de São
Jorge. É que depois da confusão dos diabos entre o Sindicato
dos Empregados e a CDL-VR, a Federação do Comércio
do Estado do Rio (Fecomércio) puxou para si a tarefa de resolver
o imbróglio, o que deveria ter feito bem antes do qüiproquó.
Entrou com uma medida cautelar na Justiça do Rio para assegurar
que o comércio da cidade do aço funcione na quarta. Como
é de praxe que um juiz sempre fique de plantão para resolver
pendengas, a decisão se as lojas abrem ou não só
será conhecida mesmo na terça, 22. E é bom que
Gilson e Galo não se esqueçam: em maio, teremos mais dois
feriados.
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