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Na mira
TRÁFEGO: Capitania dos Portos fiscaliza embarcações
irregulares

Operação foi feita em lanchas
Até
prova em contrário, a fiscalização feita pela Capitania
dos Portos na Represa da Light, em Rio Claro e Piraí, não
tem nada a ver com as denúncias feitas pelo aQui – edições
de nºs 472 e 558 Nem com a ação do Ministério
Público Estadual, que passou a investigar as construções
irregulares na Represa da Light. Pode ser. Mas a verdade é que
pela primeira vez na vida a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro fiscalizou
o tráfego aquaviário na represa, tentando ‘fisgar’
embarcações irregulares e também orientou a população
local sobre o uso consciente da Represa da Light, que possui uma área
superior à da Baía de Guanabara, onde navegam atualmente
mais de 500 embarcações, entre jet-skis e barcos de esporte,
recreio e pesca.
Curiosamente, o primeiro peixe grande a cair na rede da Capitania dos
Portos, foi o prefeito de Barra do Piraí, José Luiz Anchite.
Ele estava comandando um barco sem identificação. Parado
pelas lanchas da Capitania, argumentou que como a sua lancha era nova,
ele teria 30 dias para regularizar a situação do barco,
podendo trafegar apenas com um protocolo. Como a operação
era só de conscientização, o prefeito de Barra
do Piraí não naufragou no seu primeiro passeio aquaviário.
Nem foi notificado.
A operação na Represa da Light começou na sexta,
11 e terminou no domingo, 13. Foi comandada pelo capitão dos
Portos do Rio de Janeiro, Wilson Ferreira Lima Filho, e contou com a
participação do delegado da Capitania dos Portos de Itacuruçá,
Alessandro Santana, além de outros 25 componentes da Marinha
do Brasil. O evento foi o primeiro do gênero ocorrido na região
Sul Fluminense e teve como base de apoio o Clube de Pesca de Piraí,
atualmente o maior clube náutico de água doce do estado.
Durante a fiscalização do tráfego aquaviário
foram utilizadas quatro lanchas e um helicóptero, que juntas
fiscalizaram 82 embarcações, averiguando as condições
de navegação e itens básicos, como colete salva-vidas,
extintor de incêndio, registro da embarcação e a
habilitação de arrais amador. Além da fiscalização,
o capitão dos portos fez uma palestra na sede do Clube de Pesca.
Ele falou sobre os trabalhos desenvolvidos pela Marinha do Brasil e
ressaltou a importância do que a Marinha denomina de “Amazônia
Azul”, que representa toda a faixa litorânea do país
e que tem aproximadamente a mesma dimensão e a importância,
em termos econômicos e ambientais, que a Floresta Amazônica.
“Encontramos poucas irregularidades. Mas nada fora do normal e
que seja difícil de resolver. Essas pessoas terão, inclusive,
alguns dias para regularizar a situação. Nosso objetivo
é a prevenção e orientação sobre
o uso consciente da represa”, enfatizou o capitão, que
visitava a região pela primeira vez. “São feitas
pequenas fiscalizações constantes pela delegacia de Itacuruçá,
mas como essa é de grande porte, eu resolvi vir pessoalmente”,
completou o comandante.
Capital ecológica
MEIO AMBIENTE: Rio Claro ganha APA e recursos extras do ICMS Verde

Minc e Didácio comemoram investimentos em meio
ambiente
“Rio
Claro é a capital ambiental do estado”. Foi com essa frase
que o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, elogiou o
prefeito Didácio Penna pela criação da Área
de Proteção Ambiental do Alto Piraí e pelo lançamento
do projeto ‘Produtores de Água e Floresta’. A APA
do Alto Piraí irá ocupar uma área total de 36 mil
hectares de Mata Atlântica, equivalente a 40 mil campos de futebol.
Corresponde a um terço do território rio-clarense protegido
da ação predatória dos produtores locais, que muitas
vezes desmatam grandes áreas para plantar ou criar gado. A APA
será uma área de conservação de ocupação,
onde moradores e produtores terão que respeitar as regras estabelecidas
pela lei para poder fazer uso da terra. O grande objetivo é preservar
a nascente do rio Piraí, que é responsável pelo
abastecimento de 11% da cidade do Rio de Janeiro, mais os municípios
do Grande Rio.
A lei de criação da Área de Proteção
Ambiental do Alto Piraí diz que num prazo de 10 anos, serão
recuperados 100% da mata ciliar dos rios e córregos presentes
no local, além de proibir a implantação de atividades
industriais poluidoras, obras de terraplanagem e abertura de canais,
corte de árvores, uso de agrotóxicos e outros biocidas
e inseticidas, entre outras restrições que venham garantir
a ampla preservação da APA. Outro ponto importante é
o salto à frente que o município dá para poder
receber recursos do ICMS Verde. Do total de ICMS arrecadado em todo
o estado, 5% será destinado às localidades que mais investirem
em preservação ambiental.
“Aqui em Rio Claro, apesar da exuberância em termos de bens
naturais, sacrificamos muito o meio ambiente ao longo dos anos. Mas
agora estamos aprendendo a ter uma maior consciência ecológica.
Estamos aliando a produção rural, com a preservação
da natureza e ainda, de quebra, arrecadar um pouco mais de recursos
que poderão ser utilizados na própria preservação
da APA, com a implantação de centros de controle, equipes
de monitoramento etc. É um ganho muito grande para todos os rio-clarenses”,
comemorou Didácio Penna.
Como secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc fez questão
de ressaltar a importância da criação da APA, não
só para Rio Claro, como também para toda a região
do Sul Fluminense. Segundo ele, essas iniciativas ambientais vão
exigir um pouco mais de atenção da sua pasta. “A
gente já está com algumas ações, como o
reflorestamento do rio Guandu. Conseguimos recursos da (lei) Compensação
Ambiental e eu acho que a partir do momento em que o município
se destaca e vai crescendo nisso é natural que ele se credite
em receber um maior apoio da secretaria. Vamos ter também o Parque
Estadual do Cunhambebe, que vai pegar parte de Rio Claro e da APA. Portanto
queremos criar uma roda positiva mostrando que isso vai atrair investimentos,
emprego e preservação, em conjunto”, destacou Minc.
Por conta da criação da APA do Alto Piraí, a cidade
de Rio Claro já planeja receber uma parte do bolo do ICMS. Segundo
Didácio, a estimativa é de que haja um retorno mensal
de aproximadamente R$ 150 mil. Grande parte desse dinheiro, proveniente
do ICMS verde, será destinada à implantação
de sistemas de fiscalização e controle da área,
além do desenvolvimento de novos programas voltados para o trabalho
de sustentabilidade no município. “Serão quase R$
2 milhões a mais para injetarmos no trabalho de preservação
natural da nossa cidade. É um ganho muito importante para a nossa
população”, comemorou Didácio.
Com a aprovação da lei de criação da APA,
os esforços estarão concentrados na etapa burocrática,
que é a criação do grupo gestor e de um conselho
ambiental para cuidar da área, além de regulamentá-la
junto aos demais órgãos ambientais. Outro ponto fundamental
é a elaboração do Plano Diretor, que tem o prazo
de 12 meses para ser concluído. Sobre a criação
de uma secretaria específica de meio ambiente, o prefeito Didácio
Penna disse que há o interesse, mas que, em virtude das eleições,
isso terá que ficar para depois. Para o prefeito que o suceder.
Ribeirão
das Lajes
Carlos Minc não detalhou, mas disse que os processos envolvendo
as ocupações irregulares na represa de Ribeirão
das Lajes, denunciadas pelo aQui, estão em andamento.
Tem mais. Ele informou que muitos proprietários já foram
multados. Para ele, a preservação da área tomará
outro rumo a partir da implantação da RPPN (Reserva Particular
do Patrimônio Natural) da Light, já autorizada pela Feema
e pelo Ibama, o que vai permitir que sejam feitos investimentos para
a preservação do local.
“Já está bem avançada a implantação
da RPPN na área da represa (Ribeirão das Lajes). Isso
vai permitir um maior desenvolvimento do ecoturismo e ainda mais povoamento
de peixes e evitar que as margens da área continuem sendo degradadas.
O trabalho vem sendo feito com muito cuidado e acredito que em breve
possamos dar mais esse ganho para a região, até porque
o Parque do Cunhambebe também deverá cortar a área
da represa”, explicou Minc.
A Light já havia comunicado no final do ano passado a disponibilidade
de criar a RPPN de Ribeirão das Lajes, que deverá ser
a maior reserva natural particular de Mata Atlântica do país.
Hoje, a maior reserva particular de Mata Atlântica está
localizada na Bahinha, com 6 mil hectares. Um estudo realizado pelo
Instituto Terra de Preservação Ambiental, com sede em
Miguel Pereira, previu que a RPPN de Ribeirão das Lajes deverá
ter uma área mínima de 14 mil hectares. Vale lembrar que
a Light é proprietária de quase 25% do território
rio-clarense.
A reserva ocupará parte do território de Rio Claro e parte
de Piraí. Sua implantação é tida como fundamental
para a conservação da represa de Ribeirão das Lajes
e será integrada ao corredor ecológico ligando o Parque
Nacional da Bocaina com a Reserva Biológica de Tinguá,
através de um caminho estreito na Serra do Mar. Além disso,
estará interligada a nova APA do Alto Piraí.
Produzir e preservar
Outro destaque dado ao município de Rio Claro foi por ter sido
escolhido para receber um projeto piloto desenvolvido através
de uma parceria entre a prefeitura local, o Instituto Terra de Preservação
Ambiental, a TNC, o Comitê do Guandu e a Secretaria Estadual do
Ambiente. O projeto ‘Produtores de Água e Floresta’
tem o objetivo de incentivar produtores da cidade a restaurar a Mata
Atlântica nas propriedades rurais, bem como a preservação
dos mananciais nas bacias hidrográficas existentes.
Os produtores receberão uma verba, em dinheiro, por cada hectare
de mata que for preservado ou recuperado na área da Micro Bacia
do Rio das Pedras, que possui cerca de 5 mil hectares. O valor a ser
pago será de até R$ 60,00 para quem recuperar um hectare
de áreas com florestas e até R$ 50,00 por cada hectare
de área de restauração da Mata Atlântica.
Até o final de abril os primeiros 30 contratos de cooperação
serão assinados. O plano piloto irá durar cinco anos para
que seja avaliada sua eficácia e os avanços ambientais
alcançados pelos cerca de 120 produtores cadastrados no município.
Se forem atingidas as metas, o projeto será replicado em outras
regiões.
“Rio Claro foi escolhido por ter uma importância muito grande
para o estado do Rio. Aqui se produz grande parte da água consumida
na capital e também há produção de energia
elétrica. Além disso, existe a dificuldade enfrentada
por alguns produtores das localidades mais altas no dia-a-dia. Isso
vai ser um incentivo para que eles melhorem o trabalho de cultivo, respeitando
e protegendo as fontes de água e a Mata Atlântica. Neste
ano vamos iniciar com as propriedades maiores e depois estender para
as demais”, explicou o diretor técnico do Instituto Terra,
Gilberto Pereira.
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