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Na parede
ELEIÇÕES:
Neto pode estar sendo pressionado a dizer se é ou não
candidato a prefeito.

Sérgio Cabral está entre a cruz e a espada
Pezão, ao lado de Dr. Toninho, anda em território alheio
Ambos são
da região e foram eleitos prefeitos pela primeira vez em 1996.
Se reelegeram quatro anos depois e em 2004 passaram o cargo a seus sucessores
com índices altíssimos de aprovação popular.
São pesos pesados do PMDB e ‘amigos’ do governador
Sérgio Cabral. Mas com tantas semelhanças, uma diferença
teria que existir entre eles. E existe. Enquanto um é vice-governador
e secretário estadual de Obras, o outro ocupa o cargo de presidente
do Detran-RJ. Estamos, é claro, nos referindo a Pezão
e Neto, respectivamente. Outro detalhe que chama a atenção:
amigos e companheiros políticos há anos, os dois estariam
tendo problemas de relacionamento. Seja no Palácio Guanabara,
seja no Palácio 17 de Julho que Pezão passou a visitar
constantemente enquanto Neto anda se afastando. Motivos: as eleições
municipais de outubro deste ano e as de 2010 para o governo do estado
do Rio.
Pezão, por exemplo, só nos três primeiros meses
de 2008 já esteve diversas vezes na região como governador
interino. Promoveu uma série de inaugurações e
posou ao lado dos prefeitos, como Gotardo de quem virou amigo intimo,
com direito a participar de festa de aniversário de familiares
do prefeito de Volta Redonda, no apartamento do bairro Jardim Amália.
Oficialmente, na cidade do aço, Pezão esteve quatro vezes
nos últimos meses. Duas, sozinho. As outras duas ao lado de Sérgio
Cabral. Pezão também anda almoçando com gente dos
mais diferentes partidos do Sul do estado. E tem sido um dos conselheiros
preferidos dos futuros candidatos do PMDB e de partidos aliados, todos
de olho nas obras do PAC, que estão à cargo da poderosa
secretaria estadual de Obras, sob seu comando.
O ex-prefeito Neto, por sua vez, oficialmente esteve três vezes
na cidade do aço como presidente do Detran para participar de
eventos oficiais. E tem demonstrado desenvoltura nas suas visitas aos
municípios vizinhos para fazer mimos aos prefeitos e candidatos,
como Pinheiral. Dizem até que Neto, mesmo que saia candidato
à sucessão de Gotardo pretende se envolver nas eleições
para prefeito em cinco outras cidades. Para até sonhar com a
cadeira de Sérgio Cabral. Como Pezão também sonha.
O assunto vem sendo tratado com muita discrição. Mas pegou
fogo quando o jornal O Globo, em matéria de página inteira,
se derreteu em elogios a Pezão, apontando-o como provável
candidato à sucessão de Sérgio Cabral. Isso teria
irritado a Neto, que já não morre de amores pelo governador
desde que este passou a apoiar publicamente o nome de Gotardo como candidato
do PMDB nas eleições de outubro.
Quem transita pelos bastidores do governo estadual garante que os dois
políticos têm evitado comentar o assunto, que começa
a preocupar os caciques do governo. Mas há quem garanta que tudo
não passa de especulação e que Neto e Pezão
continuam tendo uma ótima relação. “Não
há rixa de vaidades. Os dois seguem trabalhando juntamente com
o governador Sérgio Cabral e em busca do bem comum que é
o melhor para a população do Rio”, garante um figurão
do PMDB.
O presidente do diretório municipal do PMDB, Edílson Silva,
disse que ao contrário do que se especula, Neto tem tido uma
boa relação dentro do governo estadual e nem mesmo as
demonstrações públicas de apoio em torno do nome
de Gotardo para concorrer à reeleição tem afetado
politicamente o ex-prefeito. “O Neto tem visto seu trabalho a
frente do Detran ser valorizado. As demonstrações são
de que ele tem tido atuação histórica e competente.
As demonstrações dadas pelo governador mostram que ele
não quer perder um homem de confiança e que tem ajudado
demais o governo, na administração do estado. Não
há porque ele se sentir desprestigiado”, explicou Edílson.
Quem também contesta as especulações é o
próprio presidente do Detran-RJ. Neto diz que não tem
se sentido incomodado pelas demonstrações públicas
do governador e de Pezão em torno do nome de Gotardo como candidato
ideal do PMDB nas eleições de outubro. Ele afirma que
o relacionamento com ambos é o melhor possível. “Muito
pelo contrário, há um entendimento muito bom entre mim,
o governador e o Pezão. Temos viajado juntos. Nos falamos diariamente,
não tem clima ruim”, afirmou Neto, que não quis
polemizar e nem dar mais declarações.
Briga
por candidatura
Só que há quem aposte o contrário. Um deles, que
pediu para não ser identificado, garante que Neto anda bastante
chateado desde a última visita que Pezão fez à
cidade do aço, para participar de inaugurações
como do asfalto da Avenida Amaral Peixoto. Nesse dia, Pezão não
deixou por menos. Declarou seu apoio incondicional à reeleição
de Gotardo e encheu o peito para defender a parceria da prefeitura (leia-se
Gotardo) com o governo do estado. Tantos elogios fizeram, dizem os políticos
locais, com que Neto ficasse enciumado e preocupado.
Afinal, Neto não esconde mais dos amigos e dos seus auxiliares
o desejo de voltar a ser prefeito já em 2009. E isso estaria
provocando um racha interno dentro do PMDB de Volta Redonda. Para piorar,
como cabeça de bacalhau que ninguém vê, dizem que
existe uma pesquisa de opinião que daria 51% das intenções
de voto ao ex-prefeito. E isso não o agrada. “Para o Neto,
51% é pouco. Para o PMDB, a percentagem é preocupante”,
diz uma fonte do aQui. Pode ser.
Por outro lado, há quem garanta que se o nome de Gotardo for
preterido a favor do de Neto, isso se caracterizaria como mais uma traição,
não só do PMDB como também de Neto, para com Gotardo.
“Ele tem procurado realizar muitas coisas. Até o entendimento
com a CSN fez com que ganhasse muitos pontos dentro do partido e da
sociedade como um todo. Mas não é questão de justiça.
Política é assim mesmo. O Neto já traiu o Baltazar
e quem trai uma vez ... ”, ironiza um nome forte dentro do partido.
A indecisão em cima do nome do candidato do PMDB estaria até
incomodando o próprio prefeito Gotardo. Por uma simples razão:
a ida de Gotardo para a legenda de Neto, Pezão e Cabral, teria
sido motivada pela promessa de que receberia total apoio para se lançar
como candidato à reeleição. “A apreensão
dele é grande. Ele sabe que há uma corrente forte lutando
para que Neto saia candidato, mas acha que a relação com
o governo estadual, mais as obras que a prefeitura tem feito, dão
um gás muito forte ao seu nome”, disse um dos amigos pessoais
de Gotardo.
O presidente do diretório municipal do PMDB, Edílson Silva,
acha que o momento, no entanto, é favorável não
só ao PMDB como também ao próprio Gotardo, que
vê seu nome sempre citado por Sérgio Cabral e por Pezão
como sendo o nome ideal para concorrer em outubro. “Ele tem conseguido
ótimos resultados à frente da prefeitura e as demonstrações
públicas o gabaritam para continuar, mas é uma decisão
que vai ser tomada em conjunto, em âmbito local. Com apoio de
todos do partido”, afirmou.
Quem bate na mesma tecla é o ex-prefeito Neto. “O prazo
é 4 de junho. Estamos conversando e nada foi acertado ainda.
Nunca escondi o amor que tenho por Volta Redonda. Mas ainda estamos
conversando, eu, Gotardo, Nelson (Gonçalves), o governador. Antes
disso acredito que não vá haver nenhuma precipitação”,
disse Neto. Pode até ser. Porém muitos no partido têm
trabalhado com opções variadas, talvez até para
confundir a oposição.
Quando deu essas declarações, o ex-prefeito Neto ainda
não sabia que o clima pode mudar. Para pior. É que o presidente
da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani, aliado do deputado
estadual Edson Albertassi, que também deseja ser candidato ao
Palácio 17 de Julho, pediu ao governador Sérgio Cabral
que desse um ultimato ao presidente do Detran-RJ. O pedido foi feito
durante encontro no Palácio Guanabara, segundo relato de políticos
que ouviram Picciani comunicar na Alerj que faria isso. “O Picciani
quer que Sérgio Cabral pressione Neto a dizer se quer ou não
ser candidato a prefeito. Se quiser, no entender dele, o Neto deve sair
logo do Detran-RJ”, afirmou.
Tem mais. Segundo relato da fonte, o presidente da Assembléia
Legislativa vai insistir – mesmo que Neto queira ser candidato
– que Albertassi seja ouvido. “Tudo tem que passar pelo
crivo do Albertassi. Se o Neto não quiser, o nome do Gotardo
só será lançado se o deputado (Albertassi) concordar”,
disparou.
A hora da oposição
Para quem faz oposição ao Palácio 17 de Julho,
a indefinição do PMDB é fruto de uma insegurança
que o partido tem na escolha do nome que irá disputar as eleições
de outubro. De acordo com o vereador Washington Granato, pré-candidato
do PDT à sucessão de Gotardo, além de insegura,
a situação pode não passar de um factóide
para desviar a atenção dos reais problemas existentes
na cidade do aço. “Se eles não definiram o nome
é porque há incertezas sobre a capacidade dos candidatos.
Mas o importante é que eles lavem a roupa suja deles logo e escolham
um nome”, provocou Granato.
O presidente da Câmara acredita que na disputa interna do PMDB
as posições de Sérgio Cabral e Pezão não
devem influenciar na escolha do candidato. “Acho que eles não
influenciam em nada. E para um prefeito não aproveitar o dispositivo
da reeleição é porque algo de errado existe. Se
ele não tentar a reeleição, a carreira política
dele termina. Se eu sou o prefeito eu não abriria mão
da reeleição”, disse Granato.
Sobre a postura que irá adotar perante a candidatura governista,
Granato disse que espera uma disputa no campo das idéias, mas
que está preparado para a ‘guerra’. “Eles estão
preocupados porque as pesquisas deles já mostram que teremos
2° turno na cidade. A oposição tem objetivos e metas
claros. Não acredito numa aliança entre PMDB e PT. Os
dois não dividem os interesses locais. Eu espero que sejam apresentado
projetos, idéias, mas se eles quiserem jogar rasteiro eu também
sei fazer isso”, ameaçou.
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