A todo vapor
ECONOMIA: A cidade do aço está crescendo e gerando empregos que serão aproveitados por quem vem de fora


Região se preocupou com setor metal-mecânico e esqueceu do setor de construção civil

Por Lívia Venina

O cidadão mais atento já deve ter percebido. Nos últimos meses, três novas agências bancárias foram construídas em Volta Redonda: uma no Aterrado e duas na Vila Santa Cecília. Outras estão previstas para a área da Amaral Peixoto e do Retiro. Com isso, a cidade do aço passará a contar com mais de 20 agências espalhadas pelos principais bairros da cidade, brigando pelo dinheiro que políticos, industriais, empresários, lojistas e prestadores de serviço, além de autônomos e o Poder Público, guardam e escondem de todos a sete chaves. “Em Volta Redonda corre muito dinheiro, muito dinheiro”, resume um gerente, pedindo para não ser identificado.
Ele tem razão. Prova é que quem mora na cidade do aço poderá, em breve, testemunhar um ‘boom’ de grandes negócios. Os esperados – como os da CSN, que incluem uma cimenteira, uma fábrica de aços longos (vergalhões) e, possivelmente, o AF-4 – ou ‘mega-construções’ já anunciadas, como a de um condomínio de luxo da Gafisa, na Vila, e outro no Jardim Amália. E há ainda as que estão em segredo, como a de condomínios em área do Clube dos Funcionários, com previsão de 150 apartamentos para a classe média e classe média alta. E no Aterrado, onde serão erguidas três torres cada uma com 50 apartamentos destinadas a classe média baixa. Isso sem falar na esperada ampliação do Sider Shopping; que continua com cara de interior, mais a construção do Hospital da Unimed, a ampliação do Hinja e as obras do PAC.
Tem mais. O prefeito Gotardo jura que muito recentemente Volta Redonda recebeu a visita do presidente de uma outra grande construtora, tipo Gafisa, que sobrevoou a cidade do aço de helicóptero, interessado em construir mais um grande empreendimento imobiliário. Gotardo só não quis dizer quem era o tal presidente. Nem o nome da empresa. Há quem diga até que foi Benjamin Steinbruch, fato que ele nega. Mas, é bom lembrar que o empresário acalenta um sonho: construir uma mini-cidade nos terrenos que formam a área do Aero Clube, que era totalmente da CSN, até que parte dela foi desapropriada pela prefeitura de Volta Redonda. Se depender apenas dele, a área volta a ser do ativo da siderúrgica, ficando livre para receber investimentos.

Aquecimento
Os mais otimistas podem até relacionar o aumento do número de agências bancárias com o anunciado boom da construção civil em Volta Redonda, embora exista quem não veja relação alguma entre as duas coisas. De qualquer forma, será que a abertura de novos bancos e o anúncio de obras são sinais de que a economia da cidade do aço vai deslanchar? Para o prefeito Gotardo, sim. “A vinda dessas agências bancárias mostra claramente o crescimento, o desenvolvimento absurdo da cidade”, dispara Gotardo. “A nossa economia está aquecida. Agências bancárias não apostam em promessas”, frisa.
O presidente da Associação Comercial de Volta Redonda, Carlos Alberto dos Santos, que não morre de amores pelo Palácio 17 de Julho, discorda. “A economia de Volta Redonda não está a pleno vapor, aquecida. Há muitas lojas fechando, comércio de portas arreadas”, cutuca, para logo depois amenizar o tom da crítica. “A expectativa de crescimento da cidade, a médio prazo, é boa”, afirma, acrescentando que o anúncio de investimentos da CSN na cidade poderá fortalecer a economia local.
Outros fatores que, segundo ele, vão alavancar o crescimento da cidade do aço estariam ligados à construção do Aeroporto Regional, ao término da Rodovia do Contorno e às melhorias da BR-393, já privatizada. “Volta Redonda está num ponto estratégico, próximo da Via Dutra, no meio do eixo Rio-São Paulo. Com a Rodovia do Contorno, aeroporto e BR-393, o desenvolvimento econômico da cidade será potencializado”, acredita.
Para Marcelo Moreira, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem (CDL Jovem) de Volta Redonda, a abertura de novas agências bancárias é prova de que a economia e o potencial de desenvolvimento do município têm chamado a atenção. “A vinda de mais agências para Volta Redonda tem um fator positivo, pois aumenta a competitividade no setor e indica que vai haver um aquecimento da economia. Os bancos já estão prevendo isso”, acredita. O presidente da Aciap faz coro. “Volta Redonda é, sem dúvida, a economia mais forte da região. Os bancos sabem disso e já perceberam o potencial da cidade”, diz.

Comércio
Apesar das divergências quanto ao aquecimento da economia no município, numa coisa Gotardo e Marcelo concordam: o boom da construção civil, em 2008, vai movimentar o mercado. “É um excelente indicativo de desenvolvimento da cidade. A construção civil é o setor que mais emprega, em todos os níveis, desde o pedreiro até o engenheiro. Tendo mais emprego, há mais renda. E quem ganha com isso é o comércio da cidade”, diz Marcelo Moreira, explicando que as construtoras certamente comprarão materiais nas lojas especializadas de Volta Redonda, o que é uma ótima notícia para os comerciantes da área.
O comerciante Cleiton Moreira, por exemplo, já comemora. Dono de uma loja de materiais de construção ele acredita que as construtoras darão preferência ao comércio local. “Com certeza é uma boa notícia. E o que temos visto é que as construtoras preferem comprar materiais mais pesados, como areia, cimento, pedra e lajotas, por aqui mesmo”, conta, explicando que não é vantagem para as construtoras trazer esse tipo de material de fora. “Não vale a pena trazer de fora e pagar frete”, acredita. E diz que com o grande número de obras previstas na cidade, todos os comerciantes vão lucrar.
“O preço desse tipo de material não varia muito. É claro que os materiais de acabamento serão trazidos de outras cidades, mas o material bruto, com certeza, será comprado aqui”, afirma Cleiton, dizendo que o lucro dependerá apenas da boa vontade dos comerciantes. “Tendo bom preço, bom atendimento e, principalmente, entregando no prazo, acredito que todas as lojas poderão lucrar. Há espaço para todo mundo”, conclui ele.

Má notícia
Já o prefeito Gotardo acredita que, além da injeção de dinheiro no comércio, haverá mais trabalho. “Isso tudo significa geração de emprego. É função do poder público garantir o desenvolvimento econômico da cidade e, com isso, atrair investimentos”, diz, puxando sardinha para sua administração. “Nós temos os melhores índices da região. Volta Redonda está passando por um momento muito especial, positivo”, assegura.
É indiscutível que empregos serão gerados. A má notícia que Gotardo se esqueceu de dar, entretanto, é que grande parte dessas vagas será ocupada por pessoas de outras regiões, a exemplo do que aconteceu com a Cimenteira da CSN: por falta de mão-de-obra qualificada em Volta Redonda, a empresa responsável pela construção do novo empreendimento acabou tendo que ‘importar’ de São Paulo e de outras cidades, pessoas que estivessem aptas a executar determinados serviços.
Para Marcelo Moreira, presidente da CDL Jovem, o ponto fraco do município é justamente a falta de centros que promovam a qualificação daqueles que anseiam por uma vaga de emprego. “A meu ver, a cidade ainda não está preparada para isso. Reparando bem, a gente percebe que pedreiro em Volta Redonda, hoje, é disputado à tapa. Infelizmente não temos mão-de-obra qualificada”, dispara Marcelo, confirmando a notícia de que a CSN, por conta da obra da Cimenteira, contratou uma empresa de São Paulo que trouxe, de fora, 80 armadores para trabalhar na construção. “É o tipo de qualificação que se consegue em três meses, é coisa rápida. Mas não temos isso aqui. Por isso as empresas trazem trabalhadores de outras cidades. É preciso qualificar com urgência”, diz.
Da mesma opinião compartilha Clodomir do Nascimento Ribeiro, diretor do Sine de Volta Redonda, que possui, atualmente, um cadastro com cerca de 47 mil pessoas em busca de uma colocação no mercado de trabalho. “Em Volta Redonda não há mão-de-obra qualificada”, constata. E, de acordo com o que informou Marcelo Moreira, Clodomir diz que a empresa responsável pela construção da Cimenteira da CSN chegou a pedir ao Sine 300 armadores carpinteiros para trabalhar na obra. “Nós atendemos apenas a 15% dessa demanda, pois tivemos dificuldade em encontrar candidatos que fossem qualificados. As empresas pedem, no mínimo, seis meses de experiência. Esta não estava nem exigindo isso, e mesmo assim foi difícil encontrar quem se adequasse ao perfil das vagas oferecidas”, afirma Clodomir, acrescentando que o ‘forte’ de Volta Redonda é a área metal-mecânica, e não a construção civil, que é um mercado novo e para o qual, segundo ele, a cidade não está preparada para atender.
“Volta Redonda não tem como atender a essa demanda. E o que nos deixa triste é que essas vagas de emprego que surgem acabam beneficiando pessoas de fora do município. Isso representa uma perda muito grande em termos financeiros. Poderíamos, se tivéssemos mão-de-obra qualificada, estar trazendo dinheiro para a cidade”, analisa Clodomir, salientando que a criação de um Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) na cidade do aço poderá até reverter o quadro, se oferecer cursos voltados para a área da construção civil.
O que se sabe até agora, entretanto, é que o Cefet oferecerá cursos apenas para as áreas de metal-mecânica, eletroeletrônica e confecções. E mesmo se oferecer curso de armadores carpinteiros, por exemplo, é pouco provável que o mercado da construção civil absorva os recém-qualificados, visto que as aulas do Cefet só começarão por volta de junho ou julho de 2008, época em que a maior parte das obras no município já estará em andamento.

Apagão
Parecendo estar indiferente a todas essas questões, o prefeito Gotardo permanece confiante. E garante que, em se tratando de qualificação profissional, Volta Redonda estará muito bem servida com a instalação do Cefet. “A maior vitória do município foi ter conseguido trazer o Cefet para Volta Redonda, que vai oferecer qualificação”, afirma, discordando daqueles que dizem que a cidade do aço não possui mão-de-obra para atender às exigências das empresas. “Não é que não tenhamos. Temos sim, mas não na quantidade exigida”, garante. Ele está certo. O que acontece em Volta Redonda, com a vinda de pessoas de fora para preencher vagas de emprego na cidade, é o que se pode chamar de ‘apagão’ de mão-de-obra qualificada.
E para que haja mão-de-obra suficientemente especializada para atender às novas demandas da cidade do aço, é bom que Gotardo se apresse e comece a reunir-se com os deputados da região – estaduais e federais – para trazer para Volta Redonda o Centro de Vocação Tecnológica (CVT), do governo do Estado. É que, recentemente, o governador Sergio Cabral inaugurou, em Duque de Caxias, o primeiro dos 17 CVTs que serão abertos até outubro do ano que vem.
O projeto tem por objetivo formar mão-de-obra específica para o atendimento à demanda de cada pólo industrial fluminense e é uma parceria entre a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT), o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e as prefeituras. De acordo com a assessoria de imprensa da SECT, o governo do Estado já solicitou ao governo federal mais verbas, para que sejam implantadas, no estado do Rio, mais 20 CVTs além dos 17 que já estão previstos.
O curioso é que entre os 17 CVTs já previstos, não há nenhum para Volta Redonda. Nem para Barra Mansa. E na lista dos outros 20 CVTs também não. Mas, ainda de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Ciência e Tecnologia, “a lista não está fechada”. Ou seja, se Gotardo começar a correr atrás do CVT desde agora, poderá, com sorte, evitar novos ‘apagões’ no futuro.

Nova cruzada
PÔLEMICA: Religiosos fazem abaixo-assinado contra o projeto que torna crime preconceito contra homossexuais


Para Davi Cabral projeto atenta contra os valores da família e da ética

Acostumados a conquistar fiéis com a oratória, pastores evangélicos e padres católicos querem agora usar esse dom para impedir que a discriminação contra homossexuais seja tratada como crime, passível de até cinco anos de prisão, conforme prevê projeto de lei (PLC 122/2006) que deve ser apreciado em breve pela Comissão de Direitos Humanos do Senado. Depois de fracassarem na Câmara, onde não conseguiram evitar a aprovação da proposta em novembro do ano passado, os religiosos, incluindo os da região, tentam a todo custo pedir o arquivamento do projeto.
Se não conseguirem, querem pelo menos que seja aprovada uma versão mais amena para evitar, segundo eles, que a nova lei atente contra a liberdade religiosa. O texto, que está nas mãos dos senadores, amplia as leis que já proíbem a discriminação – mas que hoje se restringem à raça, cor, etnia, religião e procedência nacional – para também tipificar como crime o preconceito por “gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”.
Na região, a cruzada contra a Lei da Homofobia, encampada pelo pastor Davi Cabral, presidente da Cadevre (Catedral das Assembléias de Deus) reúne não só religiosos, mas também líderes de diversos outros seguimentos, como líderes comunitários, deputados, vereadores, empresários, docentes e até estudantes. Mais radicais, eles se reuniram e elaboraram um manifesto no qual afirmam que “a Igreja Cristã se reserva no direito amparado pela Constituição Federal no artigo 5º de não poder aceitar que os princípios defendidos por uma minoria prevaleçam de forma ditatorial sobre os princípios defendidos pela minoria”.
O manifesto - com mais de 300 assinaturas – inclusive, foi enviado para a Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio), Câmara dos Deputados e Senado. “Concordo que é preciso garantir os direitos humanos dos homossexuais e acabar com o preconceito e a discriminação. O problema é como fazer isso sem que se fira o direito de liberdade de culto, expressão, fé e opinião”, afirmou Davi Cabral, lembrando que o projeto relatado pela petista Iara Bernardi é inconstitucional e vai contra as liberdades individuais.
O pastor ressalta ainda que o Projeto de Lei 122/06 é rigoroso demais e atenta contra os valores da família, morais e éticos da sociedade. “Não pode haver crítica. Não se pode falar nada, porque o projeto considera isso incitação ao ódio. A lei não pode ser radical”, critica. “Estamos diante de uma verdadeira ditadura de valores de uma minoria, sobre a filosofia milenar de vida de uma imensa maioria de cidadãos deste país, seja em razão de sua formação cristã, ou mesmo por outras fontes de motivação comum”, acrescenta.

Alterações
Os líderes religiosos acreditam que o ponto mais delicado da lei é o que diz respeito à prisão. A proposta pretende punir como crime qualquer tipo de reprovação ao homossexualismo. Além dos direitos previstos na Constituição para todas as pessoas, o homossexual, pelo simples fato de sê-lo, ganhará privilégios. Trocando em miúdos, quem ousar criticar tal conduta poderá ser tratado como criminoso. A proposta pretende ainda punir com 2 a 5 anos de reclusão aquele que proibir ou impedir a prática pública, por exemplo, de manifestação de afetividade por homossexuais.
Para citar um exemplo prático: impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência de homossexuais em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público poderá ser considerado crime. Como será considerado crime também impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público de homossexuais. O dispositivo prevê reclusão também para quem recusar, impedir ou prejudicar a entrada e a ascensão de homossexuais, em função da orientação sexual, em qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional.
“Estamos propondo aos senadores que o projeto não logre êxito. Somos absolutamente contra qualquer tipo de preconceito, mas somos contrários também à explícita afronta à nossa constituição cidadã que nos garante a plena liberdade religiosa e de expressão. E o projeto é um atentado contra todos esses valores”, reafirmou o pastor, ressaltando que a população que elegeu os senadores espera pelo pronto atendimento da reivindicação. “Pelo bem de nossa amada pátria e conservação da paz social, esperamos ser atendidos por essa justa reivindicação”, finalizou David Cabral. Amém.

Com razão
CONSUMIDOR: Procon de Volta Redonda recebe 2 mil reclamações por mês


Silveira: “O consumidor pensa que o
melhor meio é resolver na justiça”

Para muitos consumidores, o Procon de Volta Redonda estaria pisando na bola na defesa de seus direitos. E, por conta dessa ‘ineficácia’ estaria deixando espaço para o crescimento de escritórios de advocacia, tipo Anacont, especializados na defesa do consumidor. Pode ser. Ainda mais quando se sabe que o titular do órgão na cidade do aço é ou era até pouco tempo assessor de um político ligado ao Partido dos Trabalhadores, o vereador Carlos Roberto Paiva.
Só que o diretor do Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor), o advogado João Silveira, contesta com um forte argumento. É que das mais de duas mil reclamações que o órgão recebe, 70% delas “são resolvidas no próprio Procon”. “Quando há uma reclamação a respeito de alguma empresa ou estabelecimento, a primeira medida é entrar em contato com o acusado por telefone. Se o problema não for resolvido, é feita uma notificação e uma audiência de conciliação é marcada para tentar um acordo entre as partes. Se não houver uma conciliação, o Procon encaminha o consumidor para o juizado de pequenas causas e fica a cargo da justiça resolver”, justificou João Silveira.
Segundo Silveira, a campeã de reclamações na cidade do aço é a telefonia. “Telefone fixo principalmente, ainda mais com essa mudança de cobrança de pulso para minuto. As pessoas vêm reclamar muito de suas contas”, revelou o coordenador, lembrando que qualquer reclamação pode ser feita pelo 151, o disque-procon. Depois da telefonia, os serviços bancários e o comércio em geral são os maiores alvos de queixas dos consumidores. E essas reclamações podem custar caro, pois, dependendo do caso, a empresa ou o estabelecimento pode receber uma multa salgada.
“Existem dois tipos de infrações. A infração individual, que ocorre com um único consumidor. Como um aparelho que ele comprou e não funciona, por exemplo. E existe a infração coletiva, que é quando várias pessoas são prejudicadas, como é o caso de um banco demorar muito para atender seus clientes. O Procon aplica multa somente em casos coletivos. Casos de infração individual são encaminhados ao juizado de pequenas causas para o consumidor obter a indenização”, explicou.
A partir deste mês o Procon pretende fiscalizar os estabelecimentos com maior número de reclamações, começando pelas agências bancárias. E segundo Silveira, as multas podem ir de R$ 300,00 a R$ 5 milhões, sendo que o dinheiro arrecadado é destinado ao Fundo de Defesa do Consumidor de Volta Redonda. “Esse fundo será utilizado para promover campanhas de conscientização da população e para manter o Procon e suas funções”, afirmou o coordenador.
Para aplicar uma multa, vários fatores são analisados, como a existência ou não de reincidência, o porte da reclamação e o número de pessoas prejudicadas. “Também deve haver certo bom senso. Se eu aplicar uma multa de R$ 1 milhão em um barzinho, o dono do bar vai rir na minha cara, porque é quase impossível ele conseguir pagar. Agora uma multa de R$ 2 mil já assusta o comerciante para ele não cometer a infração novamente. Ou seja, a multa também depende da situação do estabelecimento”, afirmou João Silveira.
Com relação à concorrência dos escritórios de advocacia especializados em leis do consumidor, como a Anacont, Silveira lembra que o serviço prestado é bem diferente. “Primeiro que na Anacont o consumidor tem que pagar pelo serviço, no Procon não. Segundo que, no Procon, nós tentamos uma conciliação entre as partes, para que elas resolvam aqui mesmo sem precisar entrar na justiça. Já a Anacont é como se fosse um escritório de advocacia, onde o consumidor procura um advogado para reivindicar seus direitos na justiça. Às vezes, por causa disso, o consumidor acha melhor procurar uma empresa particular, por pensar que o melhor meio é resolver na justiça mesmo”, explicou.

Reclamações inusitadas
Normalmente, o Procon é visto pela população como um órgão que defende os direitos do consumidor. E embora, na maioria das vezes, ele esteja certo, em alguns casos, as reclamações são um tanto curiosas. Como um senhor que usou um sapato por quatro anos, quando o calçado furou, ele, inconformado, foi até o Procon reclamar do produto e pedir que alguma providência fosse tomada.
Há outras pessoas que pensam que qualquer problema pode ser resolvido no Procon. Duas senhoras, por exemplo, foram ao órgão para reivindicar que seus filhos fossem apontados como o verdadeiro pai de uma criança. “Geralmente nós vemos famílias brigando para não assumir a paternidade. Mas nessa situação, as duas senhoras estavam brigando porque uma falava que o filho dela era o pai e a outra desmentia dizendo que o seu filho é que era o pai. O pior de tudo é que elas queriam que o Procon resolvesse a situação. O que não tem nada a ver com nossa função”, revelou Silveira.
Ele lembrou ainda que a população é muito carente de atenção e que muitas vezes vêem o Procon como um refúgio. “As pessoas chegam aqui e contam toda a história de sua vida até chegar no caso que interessa ao Procon. E, algumas vezes, o assunto que elas tratam nem pode ser resolvido aqui”, comentou. “Mas se juntar todas as histórias e reclamações engraçadas que ouvimos aqui todos os dias, dá para escrever um bom livro”, completou.

A fila anda
FISCALIZAÇÃO: Procon começa a multar bancos que fazem os clientes esperarem por muito tempo

Atire a primeira pedra quem nunca se irritou em uma fila de banco. Pode ser na Caixa, no BB ou na lotérica, por 30, 45 minutos ou uma hora, em agências cheias de caixas vazios. O consumidor fica revoltado e com toda razão. O que poucos sabem é que, em Volta Redonda, existe uma lei municipal que determina o prazo máximo para os atendimentos em agências bancárias de 20 minutos de espera em dias normais e 30 minutos em véspera e após feriados prolongados. É em cima dela que o Procon vai fiscalizar as agências e a multar as que não cumprirem a lei. “A partir da primeira infração, a agência recebe uma advertência por escrito. Na segunda infração, uma multa de R$ 1.000,00 será aplicada. Na quinta infração, o valor subirá para R$ 5.000,00. Se ultrapassar a sétima infração, o alvará de funcionamento poderá ser suspenso”, prometeu o coordenador do Procon, João Silveira.
Ele explicou que essa fiscalização acontecerá da seguinte forma: os fiscais chegam na agência bancária e a primeira coisa que verificam é se existe um equipamento que controle o tempo de atendimento dos usuários, as famosas máquinas que liberam senhas. “Existe uma lei municipal que obriga todas as agências bancárias de Volta Redonda a possuírem esse tipo de equipamento que deve emitir o nome e o número da instituição, o número da senha, além da data e do horário de chegada do usuário. Se a agência não possuir esse equipamento, ela será multada no mesmo esquema aplicado em relação as filas”, revelou Silveira.
“Após verificar se o banco possui ou não o equipamento, o fiscal vai interpelar os usuários que estão esperando na fila para saber se há alguma infração em relação ao tempo de espera. Havendo a infração entraremos com as medidas necessárias”, explicou o coordenador, lembrando que aqueles que se sentirem lesados pelo banco podem pedir uma indenização por danos morais. “O consumidor deve dirigir-se ao juizado de pequenas causas. Na situação de fila de banco, o juizado determina uma indenização de R$ 1.000,00 para o cliente que se sentir prejudicado”, afirmou.
A indenização, segundo ele, chega a ser justa em função da falta de consideração que é imposta ao consumidor. Entretanto, isso tem chamado a atenção de certos malandros à procura de dinheiro fácil. “Ficamos sabendo de um senhor que vai ao banco só para enfrentar fila. Quando fica muito tempo, pede indenização. Ele fez disso uma profissão. Fomos informados até que ele já entrou com seis ações na justiça contra os bancos. Se ganhar as seis, receberá R$ 6.000,00”, revelou. “Não há como punir essa pessoa. Se o banco não fizesse o cidadão ficar esperando tanto tempo e cumprisse a lei, ninguém iria fazer disso uma profissão”, completou.
Mas, é bom lembrar que essas multas são aplicadas apenas em filas de agências bancárias. Afinal, brasileiro tem a estranha mania de formar fila para tudo. Em cinemas, shows, jogos de futebol, self-service, supermercados, lojas e, em certos lugares, até para ir ao banheiro. “Essas filas, com exceção dos bancos, não há como o consumidor reclamar, pois não existe uma lei específica para elas. Em supermercado, por exemplo, é a lei da concorrência. Se neste supermercado tem fila, vou em outro. Já o banco não. Há contas e outros serviços que só podem ser feitos em um banco e não há como ‘fugir’ para outro, é um serviço público”, afirmou João Silveira.

Para todos
E é justamente por ser um serviço público que os bancos devem estar aptos a atender todos os cidadãos, inclusive deficientes físicos. Para fazer valer esse direito, a Quarta Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis do Rio de Janeiro condenou o Banco Itaú a disponibilizar na agência Debret, no Centro do Rio, um terminal eletrônico que os deficientes visuais possam utilizar sem o auxilio de qualquer pessoa e que emita extratos e demais serviços impressos em braile. O terminal deverá ainda atender a todas as exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABTN), inclusive ter fone de ouvido, sem qualquer ônus para os clientes.
O processo foi proposto por uma cliente do banco, Luzia de Fátima Lopes, que é deficiente visual. E espera-se que em Volta Redonda algum dos nossos ilustres vereadores (e aí Paiva?) se interessem pela causa e façam uma lei especifica para deficientes físicos. Quando ela entrar em vigor, qualquer um poderá entrar na justiça, reclamando no Procon. Só não vale é reclamar do Procon.

Relembre - Falta de respeito


Em maio passado, o aQui mostrou que muitos volta-redondenses enfrentam situações embaraçosas, dignas de um processo judicial, no relacionamento com os bancos. Foi o caso da aposentada Maria José Fernandes Batista. Ela precisava de um empréstimo urgente para dar prosseguimento a um tratamento médico delicado e caro e acabou tendo que ir de maca até a boca do caixa da agência do Itaú, no Aterrado. Na época, a assessoria do banco divulgou que tudo não passou de excesso de zelo.

Sem reciclagem
LEI: Supermercados desconhecem que são obrigados a comprar garrafas PET vazias


Imperial: “Os supermercados terão que recolher as garrafas”

O que fazer com milhares de garrafas PET e embalagens de plástico que se tornam inúteis depois de serem usadas? Para muitos, a resposta seria simples e prática: jogar no lixo. Mas, levando-se em conta que uma garrafa plástica leva em média 400 anos para se decompor na natureza e que o planeta passa por uma onda de preservação dos bens naturais, a alternativa não é válida. O ideal seria que garrafas e embalagens fossem recicladas.
Seria é o termo certo, pois em Volta Redonda, praticamente, todo mundo desconhece a existência da lei estadual 3369/00, que determina que as empresas que comercializam esses produtos recomprem 25% do que for vendido, montando postos de recolhimento e apoiando o trabalho das cooperativas de catadores. Quem não a acatar estará correndo risco de ser multado pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) em valores que vão de R$ 5 mil a R$ 1 milhão.
Para checar se a lei é obedecida, uma equipe de reportagem do aQui esteve em cinco filiais dos principais supermercados da cidade: Floresta, Máximo e Royal, no Aterrado, e Tuti Fruti e Sendas, na Vila. Em todos, a resposta foi idêntica: “não”. Ou seja: os gerentes não conhecem a lei e nem compram garrafas PET, como deveriam. Alguns sugeriram até que a equipe procurasse uma cooperativa de catadores, como foi o caso do responsável pelo Royal. Já os do Máximo, Sendas e Floresta informaram apenas que os supermercados não trabalham com reciclagem. Tem mais. Garantiram que não conhecem nenhum que realize tal trabalho.
No Floresta e no Sendas, por exemplo, os gerentes até mostraram boa vontade querendo saber qual era o tipo de embalagem que a reportagem queria vender. No entanto, quando viam que se tratava de garrafas PET eles diziam que elas eram recicláveis, mas que deveriam ser encaminhadas para outras pessoas, no caso os catadores. No Tuti Fruti, um dos responsáveis disse que até iria procurar saber mais a respeito da lei, mas que no momento não poderia comprar o material oferecido pelo aQui.
Responsável pela Coordenadoria de Defesa do Meio Ambiente (Coordema), Luiz Carlos Rodrigues Imperial, garantiu que a lei ainda não pegou em Volta Redonda por uma simples razão: o governo estadual não enviou a regulamentação da lei. “Essa lei é estadual e cabe as instituições estaduais verem se ela está sendo cumprida”, disse, prometendo, entretanto, que vai agir assim que a legislação for colocada em prática.
Imperial prometeu também que vai entrar em contato com os supermercados para tentar fechar um acordo para que a lei seja cumprida. “Vemos com muitos bons olhos essa legislação e pretendemos colocá-la em prática, pois ela vem ajudar ao meio ambiente reciclando material que seria jogado na natureza”, declarou. Ele está certo. Só os supermercados, por exemplo, comercializam cerca de 900 milhões de garrafas PET, que, em sua maioria, são destinadas a lata de lixo.
Imperial lembrou que ao entrar em contato com os supermercados vai mostrar a importância de valorizar a cooperativa de catadores que funciona na cidade, com apoio da governo Gotardo. “Os supermercados terão que recolher o material e vamos sugerir para que eles doem o que for recolhido para a Reciclar”, concluiu, referindo-se à associação de catadores de resíduos sólidos de Volta Redonda.
Embora mantenha parceria com várias entidades do município, inclusive com a prefeitura, nenhum supermercado da cidade tem convênio com o projeto, segundo informou Rodrigo Rosa Vicente, coordenador e técnico ambiental da Reciclar. “Recebemos diariamente em torno de 200 a 300 quilos de garrafas PET. Mas esse material nós compramos dos catadores que pegam nas ruas”, informou Rodrigo, ressaltando que a Reciclar também desconhece a lei 3369/00.

Operação
Como forma de verificar se a lei estava sendo cumprida na cidade maravilhosa, a Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais, da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), realizou duas operações, nos dias 19 e 23 de outubro, em diversos supermercados da Zona Norte e Sul do Rio de Janeiro. Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o objetivo da operação foi mudar o comportamento dos supermercados que não respeitam a lei, estimulando a reciclagem e cuidando do meio ambiente.
Nas duas operações quatro supermercados foram multados pela Secretaria estadual do Ambiente e os gerentes foram convidados a depor na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), pois não possuíam documentos comprovando a recompra de garrafas PET. Segundo Minc, eles poderiam ser condenados a uma pena de um a quatro anos de prisão, mas ninguém foi detido.
Para que nenhum outro supermercado seja pego “desprevenido”, foi realizada uma reunião segunda, 29, com o secretário Minc e representantes de supermercados do estado que se comprometeram, em um prazo de seis meses, a se adequar à lei estadual e a trabalhar com cooperativas de catadores, fornecendo equipamentos para operação, como galpões, transporte e prensas. Eles ainda apoiarão a instalação de ecobarreiras em pontos de rios que deságuam na Baía de Guanabara, para recolhimento do lixo plástico.

Garrafas especiais
As 200 mil toneladas de garrafas PET jogadas no lixo diariamente pelo brasileiro representam um enorme desperdício. Veja abaixo os produtos que podem ser produzidos a partir do PET reciclado:
tecidos internos (estofamentos), carpetes, peças de barco;
Pisos: carpetes, capachos para áreas de serviço e banheiros;
Artigos para residências: enchimento para sofás e cadeiras, travesseiros, cobertores, tapetes, cortinas, lonas para toldos e barracas;
Embalagens: garrafas, embalagens, bandejas, fitas;
Roupas esportivas, calçados, malas e mochilas

Volta Redonda garante
recursos do PAC para saneamento

Por Julia de Brito

Quarta cidade do estado a garantir a maior verba do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Volta Redonda começa a dar os primeiros passos para realizar obras de saneamento e habitação, com recursos do governo federal, no valor de R$ 123,3 milhões. O município, inclusive, já colocou à disposição da Caixa Econômica Federal parte dos projetos de saneamento básico. A intenção da prefeitura é garantir 100% de esgoto tratado por meio da construção de 56 quilômetros de rede, 43 estações elevatórias e 13 estações de tratamento.
Do total de recursos repassados pelo PAC, R$ 90 milhões serão aplicados em saneamento e R$ 33,3 milhões em habitação. E de acordo com o diretor executivo do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Volta Redonda), Paulo César de Souza, o PC, o governo municipal pretende utilizar a melhor tecnologia existente em tratamento de esgoto para atender à população da cidade. “Com a execução desses projetos vamos garantir mais qualidade em saneamento e saúde aos moradores de Volta Redonda, principalmente em relação ao problema de odor”, garantiu.
Além de tratamento de esgoto, o município vai realizar obras de habitação. Segundo o diretor do Fundo Comunitário de Volta Redonda, João Streva, responsável pelo setor habitacional, resta enviar à CEF o detalhamento do projeto executivo que inclui urbanização de favelas, construção de casas para famílias que vivem em áreas de risco, canalização de córregos e melhorias em casas populares.
O projeto de habitação prevê a construção de 60 casas populares no bairro Três Poços, para abrigar famílias que moram nas margens do Rio Paraíba do Sul, e reformas de casas que beneficiarão cerca de duas mil pessoas em comunidades carentes. Além disso, sete quadras poliesportivas, cobertas com estrutura metálica também serão construídas.
“Estamos aguardando o sinal do governo federal para enviarmos o projeto à Caixa, que vai analisar e aprovar as plantas de engenharia. Só então poderemos começar a fase de licitação. Já estamos obtendo as licenças ambientais na Serla (Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas) e na Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente)”, informou, destacando que em ambas as áreas – saneamento e habitação – a previsão de conclusão das obras é de 24 meses.
“Essas obras são de vital importância para a melhoria da qualidade de vida da população. O governo do estado tem buscado junto à União os recursos necessários para investimentos, principalmente, nas áreas de saneamento, urbanização e habitação. Para as cidades com população inferior a 50 mil habitantes já criamos uma força-tarefa com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a fim de identificar recursos disponíveis e ajudar os municípios na preparação de seus projetos. Queremos dar aos fluminenses uma nova realidade”, frisou o vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão.

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