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Santa intriga
Católicos
e evangélicos brigam por causa de política

São
todos unânimes em afirmar que, independentemente da religião,
todos são filhos de Deus. Mas, até na sagrada família
cristã, irmãos costumam brigar. Principalmente, quando
o assunto é política, o que leva católicos e evangélicos
a travarem uma verdadeira guerra santa. Como na hora da comunhão
ou na ceia, líderes religiosos costumam pregar aos fiéis
que os votos sejam distribuídos a quem compartilha da mesma fé
e está no mesmo rebanho. Ou seja, católico deve eleger
católico e evangélico votar em evangélico –
embora nem sempre isso seja dito com todas as palavras e pingos nos
‘is’.
Exemplo disso foi a declaração do bispo emérito
da Diocese de Volta Redonda e Barra do Piraí, dom Waldyr Calheiros,
que em entrevista a um jornal diário não chegou a pedir
voto a seus afilhados políticos, mas ao “incentivar a análise”
de candidatos pelos fiéis soltou a seguinte pérola: “Vejo
com muita tristeza que a maior parte dos envolvidos no escândalo
da Máfia das Sanguessugas é da bancada de nossos irmãos
evangélicos”, disse o bispo, que também orientou
os fiéis a votarem em candidatos que têm um “passado
político limpo e mantém ligações com a comunidade”.
Ao fazer isso, o bispo – que vive pregando a paz e o amor aos
homens de boa vontade – pode ter incitado uma polêmica religiosa
com os principais líderes evangélicos. Pastores e irmãos
de outras denominações não gostaram nada, nada
do comentário de dom Waldyr. Para muitos, a intriga santa do
bispo foi considerada no mínimo infeliz. E contra-atacam: lembram
que se há evangélicos envolvidos em escândalo de
corrupção, eles estão muito longe de representar
a maioria. Esta, sim, formada, segundo eles, por políticos da
Igreja Católica Apostólica Romana.
“Na verdade a declaração dele (dom Waldyr) é
infeliz. Eu poderia dizer que se têm 90 envolvidos, cerca de dez
são evangélicos e o restante é católico
ou de outra religião e ninguém fala”, critica o
pastor do Projeto Vida, Joel Martins, que disse que não defende
nenhum dos parlamentares da bancada da bíblia envolvidos no escândalo.
“Não quero defender porque se estão sendo acusados
eles precisam passar pela Justiça”, justifica, ressaltando,
entretanto, que a cobrança sobre os evangélicos é
implacável. “Nós evangélicos somos cobrados
por termos uma postura ética e sermos exemplos de bom comportamento,
é por isso que acredito que quando acontecem essas coisas sempre
somos mais cobrados”, observa.
Candidato à reeleição para a Alerj e membro da
Igreja Assembléia de Deus, o deputado estadual Edson Albertassi
(PMDB) preferiu não incitar a polêmica religiosa. Fez questão
de frisar, antes de fazer qualquer comentário, que respeita a
trajetória do líder da igreja católica e entende
o apoio que ele possa dar a outros candidatos. “Longe de mim julgar
a posição dele (d. Waldyr), mas de um total de 97 políticos
envolvidos no escândalo, o número de evangélicos
não chega a 20. Os outros, na sua maioria, se colocam como católicos.
O que me incomoda é esse posicionamento apenas contra os evangélicos”,
retrucou Albertassi.
O deputado, que concentra a maior parte de seus votos entre os ‘crentes’,
reclama da perseguição que existe contra os políticos
evangélicos. Isso, segundo Albertassi, aumentou depois que o
casal Garotinho conseguiu destaque no cenário político
nacional. “Existe hoje um trabalho no Brasil para denegrir a imagem
dos políticos evangélicos. Começou com o Garotinho,
o que é um absurdo”, enfatiza o parlamentar.
Se fosse seguir a risca a idéia de que ‘crente’ vota
em ‘crente’, Albertassi nessas eleições teria
que votar no bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcelo Crivella
(PRB), para o governo do Estado. No entanto, dessa vez sai de cena a
convicção religiosa e entra os acordos partidários.
“Por exemplo, eu como evangélico vou votar num católico,
que é o Sérgio Cabral, e por quê? Porque o conheço
e voto sem preocupação com a religião dele. Queria
ver o mesmo posicionamento dos católicos”, acentuou.
Quem também foi procurado para comentar a intriga santa foi o
líder das Assembléias de Deus do Sul Fluminense, pastor
David Cabral, que nessas eleições não quis tentar
a sorte de se lançar candidato a deputado estadual como o fez
em 2002, quando teve apoio do Palácio 17 de Julho. Alegando motivos
de saúde, o pastor preferiu não entrar na polêmica
com o bispo católico, outro aliado do Palácio. Apenas
mandou um recado pelo seu filho, Davi Cabral Júnior: diz que
está apoiando candidatos evangélicos. Para a Alerj, Cabral
vai de José Nader (PTB) e para deputado federal, ele apóia
Carlos Nader (PL) e Bispo Manuel Ferreira (PTB), líder das Igrejas
Assembléia de Deus no estado do Rio.
No
comando
Além de ocupar o cargo mais alto do Estado, com a governadora
presbiteriana Rosinha Garotinho, os crentes são representados
por 10% dos 70 deputados que atualmente ocupam uma cadeira na Alerj.
A “bancada da bíblia” é uma das maiores da
Assembléia Legislativa. E não foi apenas no Rio que os
“irmãos” saíram vitoriosos das urnas na última
eleição para deputado estadual. Prova disso, é
que no Congresso Nacional, onde quase 10% das cadeiras são ocupadas
por evangélicos.
Em 1994, eram 26 deputados federais protestantes. Quatro anos mais tarde,
esse número saltou para 44 e, em 2003, passou para 48. Com o
fortalecimento dos crentes na política, questões polêmicas
– como a legalização do aborto, o casamento entre
homossexuais e a limitação do barulho produzido nas igrejas
– quando forem discutidas, prometem dar pano para manga. Com ou
sem a benção do bispo.
Somando
forças
Francisco
Chaves promove mega evento em torno de sua candidatura
Na
noite de segunda, 7, o Aero Clube foi palco de um grande evento, com
a presença de cerca de cinco mil pessoas. Todas bem comportadas,
sem brigas, sem bebidas, sem aquele horrível som dos bailes funks.
É que amigos e cabos eleitorais do candidato a deputado estadual
Dr. Francisco Chaves (PSC) se reuniram nas dependências do clube
a fim de demonstrar apoio e simpatia à candidatura do juiz aposentado.
“Agradeço a todos, indistintamente, pois cada um dos presentes
aqui representa uma grande parcela do respeito que tenho por esta comunidade”,
destacou Chaves.
Quem também marcou presença no encontro, foi o ex-secretário
estadual de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, que vai
disputar uma cadeira no Congresso Nacional. “Eu e o Dr. Francisco
Chaves saberemos dignificar o apoio que estamos recebendo e estender
os nossos braços para oferecer o nosso trabalho em favor da coletividade”,
afirmou Itagiba. Junto os dois fazem parte da coligação
‘Unidos pelo Rio’, formada também, pelo PP, PTB,
PMN, PTC, PAN, PL e PRONA.
Em seu discurso, Francisco Chaves destacou os seus planos caso conquiste
uma vaga na Alerj nas eleições de outubro. “Como
vereador, procuro criar leis que completem diretamente a população,
em seus vários segmentos: como para crianças, adolescentes,
idosos, deficientes e desempregados. Quero continuar fazendo isso para
beneficiar todo o Estado”, disse Chaves.
Por último, o candidato do PSC comentou a importância de
ter Marcelo Itagiba como companheiro de chapa. “Vamos quebrar
o gelo da inércia e da incompetência que se abate sobre
a maioria dos nossos representantes na Assembléia Legislativa
e na Câmara dos Deputados, com trabalho, dignidade e integral
respeito ao cidadão”, frisou o vereador volta-redondense.
Diversas lideranças políticas e comunitárias marcaram
presença no evento, como o delegado de Barra do Piraí,
Alexandre Leite; os vereadores Sebastião Barreto e Cláudio
Traíra, de Natividade; o vice-prefeito de Pinheiral, Rivalney
Pedrosa. “A reunião foi uma demonstração
da união que cresce a cada dia em torno da candidatura, que já
se apresenta vitoriosa”, destacou o presidente do PSC, Alexander
Silva.
Para o vice-prefeito de Pinheiral, Rivalney Pedrosa, a união
é o ponto principal do movimento de apoio à candidatura
de Francisco Chaves. “Pela identificação que todos
temos com os ideais do candidato, fazendo-nos uma grande família,
uma constante reunião de amigos tenho certeza que estamos caminhando
rumo a vitória”, finalizou Pedrosa.
Até
prova em contrário
Ameaçados
de cassação, Baltazar e Carlos Nader juram inocência
até o fim
Às
vésperas das eleições, tudo o que os deputados
Paulo Baltazar (PSB) e Carlos Nader (PL) queriam era correr atrás
de votos para continuarem suas carreiras políticas. Agora, porém,
terão que se preocupar em contratar bons advogados e reunir provas
para se livrarem da acusação de envolvimento no escândalo
da Máfia das Ambulâncias. Caso contrário, poderão
perder seus mandatos e ficar oito anos inelegíveis, uma vez que
ambos tiveram seus nomes incluídos no relatório da CPI
dos Sanguessugas, que pede a cassação de 72 parlamentares.
O relatório final da CPI - que investiga, desde o dia 22 de junho,
o esquema de compra superfaturada de veículos para a área
de saúde por meio de emendas parlamentares – pede a cassação
de 69 deputados e três senadores. Nele, os integrantes da comissão
reuniram depoimentos de diversas pessoas envolvidas na máfia
e gravações telefônicas feitas com autorização
da Justiça em que Baltazar e Carlos Nader são citados
como beneficiários do esquema.
Baltazar, que desde o início é apontado como um dos principais
envolvidos, destinou emendas parlamentares para várias cidades
da região, entre elas Barra do Piraí, Quatis, Pinheiral,
Porto Real, Itatiaia, Piraí, Valença, Rio Claro, Mendes
e Miguel Pereira. E em todas elas, as empresas do grupo Planam venceram
as licitações. O texto do documento traz ainda declarações
do empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, um dos donos
da Planam, dizendo que Baltazar era muito cauteloso e não permitia
depósitos em suas contas ou a de seus assessores. Daí
o motivo pelo qual ele teria pago R$ 50 mil, em espécie, ao deputado
volta-redondense no Aeroporto do Galeão.
Diante de todas as evidências encontradas pela CPI, começaram
a circular pela cidade do aço logo após a divulgação
do relatório que Baltazar renunciaria à sua candidatura.
Mas, no final da tarde de quinta, a assessoria de imprensa do parlamentar
divulgou uma carta à população em que Baltazar
contesta o relatório final por ser, segundo ele, “oportunista,
com objetivos puramente eleitoreiros, como por ser extremamente injusta”,
e ainda reafirma sua candidatura.
Em sua carta, Baltazar diz que exonerou seu assessor Paulo Roberto Corrêa,
que teria recebido propinas do grupo, segundo escutas da Polícia
Federal. “Supostos pagamentos que ele nega e que não foram
provados. Mesmo assim, exonerei-o da função e aguardo
o resultado da investigação da Polícia Federal”,
ressaltou o parlamentar, que criticou o fato do depoimento do empresário
Vedoin ter sido utilizado como prova para a conclusão final.
“Também foi considerado “prova” o depoimento
do empresário Vedoin, em que ele diz ter negociado comigo a colocação
de emendas em troca de pagamentos e o contato direto com prefeitos para
participação em esquemas. Repilo veementemente essas declarações.
São palavras de um réu confesso, que precisa desesperadamente
justificar o benefício de delação premiada recebido
pela Justiça. Jamais negociei emendas ou obtive vantagens no
exercício do meu mandato”, garantiu o parlamentar, dizendo
que suas emendas são “fruto do trabalho que desenvolvo
na região Sul Fluminense, que sofre com as condições
precárias de saúde e com a falta de empregos”.
O deputado ainda fez questão de frisar que seus sigilos bancário,
telefônico e fiscal estão à disposição
para serem investigados. E lembrou que durante a CPI do Mensalão,
ele propôs que todo homem público, independentemente do
cargo, abrisse mão de seus sigilos. “Isso mexeu com muitos
interesses de gente poderosa e por isso não foi aprovado. Mas
tenho força e fé! Vou a luta sempre, pois nada devo e
nada temo. Tenho a consciência tranqüila de que jamais me
envolvi em processos ilícitos”, assegurou, reafirmando:
“Sou candidato à reeleição a deputado federal
pelo PSB, meu partido há 18 anos, para continuar representando
a minha região”, concluiu.
Nader
Ao contrário de Baltazar, o deputado federal Carlos Nader só
teve seu nome divulgado oficialmente entre os suspeitos de envolvimento
com o esquema das sanguessugas quando as investigações
da CPI se aproximavam do final. Isso, entretanto, não significa
que o caçula dos Nader na política esteja menos encrencado
que Baltazar. Pelo contrário. No caso de Carlinhos, há,
além de depoimentos de integrantes da máfia, provas de
que foram feitos depósitos na conta de assessores do parlamentar,
que é o campeão de emendas para a compra de ambulâncias.
De acordo com as testemunhas, o acordo é que Nader receberia
10% sobre os valores direcionados para a área de saúde
na aquisição de unidades móveis e equipamentos
médicos-hospitalares. Entre outras, segundo Luiz Antônio
Vedoin, Carlinhos teria cobrado sua comissão, no valor de R$
32 mil, inclusive, numa licitação em que a Planam acabou
não vencendo, pois a direção do hospital desistiu
de direcionar a concorrência. E em outra oportunidade teria recebido
R$ 72 mil das mãos do próprio Vedoin.
Em sua defesa, Carlos Nader, na sexta, 11, fez um discurso na Câmara
protestando contra a inclusão de seu nome no relatório
final da CPI. E em sua defesa, encaminhada à comissão
no início de agosto, o parlamentar diz que o depoimento de Vedoin,
com quem nega ter feito “qualquer acordo lícito ou ilícito”,
é “infundado e mentiroso”. Além disso, nega
que tenha recebido propina do esquema. Seja em mãos ou através
de conta de assessores.
Para justificar o grande número de emendas para a compra de ambulâncias,
Nader afirma que só fez isso para atender aos interesses de seus
eleitores de Mendes, Volta Redonda e Angra dos Reis, além de
ter ajudado entidades filantrópicas em Resende, Piraí,
Vassouras, Valença, Barra Mansa e Resende. “Não
me envergonho de nada que fiz. Agi com lisura em meu mandato e me vejo
agora tendo que me defender de acusações sem provas de
um bandido confesso e que, certamente, procura encobrir seus verdadeiros
cúmplices”, defendeu-se.
Os próximos passos que definirão o futuro político
de Baltazar e Nader estão agora a cargo dos deputados que fazem
parte dos conselhos de Ética e de Decoro Parlamentar, que farão
a apuração e adotarão as medidas em razão
da conduta considerada incompatível com o decoro parlamentar,
com fundamento no Regimento Interno da Câmara e do Senado. Caso
sejam julgados e condenados pela maioria dos integrantes dos conselhos
de Ética, os parlamentares serão julgados novamente pelo
plenário, onde a votação é secreta. Aí
a decisão pela cassação ou não dos mandatos
dos dois vai depender dos votos da maioria absoluta da Câmara.
E, mais tarde, dos votos dos eleitores.
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