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capítulos
Juiz
marca mais uma audiência de conciliação entre Asvre
e prefeitura
O caso do reenquadramento por tempo de serviço dos servidores
da cidade do aço, associados à Asvre (Associação
dos Servidores Municipais de Volta Redonda) voltará a ser discutido
na presença do juiz da 3ª Vara Cível, Luiz Eduardo
Cavalcanti Canabarro, na próxima semana. Mais precisamente na
quinta, 11, quando será realizada a segunda audiência de
conciliação entre Lucy Amorim (presidente da Asvre) e
o prefeito Gotardo. Há duas semanas, o juiz bem que tentou dar
um fim à pendenga chamando as partes interessadas para discutir
as questões que envolvem o reenquadramento, mas como nessa história
todo mundo acha que tem razão, o encontro deu em nada.
Canabarro chegou a acreditar que o prefeito Gotardo fosse reenquadrar,
por livre e espontânea vontade, o restante dos servidores da Asvre,
uma vez que hoje só estão se beneficiando da sua decisão
cerca de 300 servidores que participam do primeiro processo, instaurado
em setembro de 2005. “O pedido para o reenquadramento de todos
os servidores filiados à Asvre foi apresentado ao prefeito, que
solicitou um tempo para estudar essa possibilidade. Vamos aguardar e
esperar que consigamos dessa vez chegar a um resultado que satisfaça
ambas as partes de forma amigável”, disse Canabarro, referindo-se
à próxima audiência.
Com base na proposta que Gotardo apresentará na próxima
audiência, é que o juiz da 3ª Vara Cível resolverá
o que fazer com o recurso impetrado pela Asvre – antes da primeira
audiência - pedindo que a decisão que obriga o município
a reenquadrar os servidores se estenda a todos os seus associados. “Se
o prefeito apresentar uma planilha incluindo todos os associados não
será necessário que eu julgue esse recurso, mas se ele
não quiser fazê-lo, o caso irá a julgamento e ele
poderá ser obrigado pela Justiça a reenquadrar todos os
servidores”, explicou Canabarro, em entrevista exclusiva ao aQui.
Além de dizer se vai aceitar ou não reenquadrar o restante
dos servidores filiados à Asvre, Gotardo terá ainda que
apresentar uma solução para o pagamento dos atrasados,
já que a diferença salarial só foi incorporada
ao pagamento em janeiro deste ano e não em outubro de 2005 como
determinou a decisão judicial. “Se o prefeito resolver
reenquadrar todos os servidores filiados à Asvre, ele estará
demonstrando que está mesmo interessado em resolver a questão
e neste caso poderemos até deixar para discutir o pagamento dos
atrasados depois”, sugeriu Canabarro.
Benefício
Vale lembrar, que aqueles servidores contratados antes de 1995, que
não são associados à Asvre só terão
direito a se beneficiar da decisão de Canabarro, se entrarem
com novos processos individuais na Justiça. Como já existe
um caso análogo, julgado procedente, as chances de vitória
aumentam, segundo explicou o juiz. Vale lembrar que caso o prefeito
aceite reenquadrar o restante dos associados da Asvre, o número
de funcionários públicos beneficiados passará de
300 para 1.100.
Reprovado
Professores
estariam sendo obrigados a aprovar alunos para receberem o Nova Escola
Aparentemente,
a notícia, divulgada na semana passada, de que 84 mil professores
e funcionários de Educação do Estado iriam receber
bônus de até R$ 435,10 por conta do Programa Nova Escola
deveria agradar a todos, sem exceção. Afinal, quem é
que não gosta de um extra no salário? No entanto, não
é de hoje que professores da rede estadual de ensino vêm
fazendo críticas ao programa que atrela a gratificação
ao desempenho obtido pelas escolas. Há casos em que professores
estariam sendo obrigados pela direção a aprovar estudantes,
mesmo sem as condições mínimas de passar para uma
próxima série.
Na Região do Médio Paraíba II, que abrange Volta
Redonda, Barra Mansa e Rio Claro, todas as escolas estaduais receberam
o Nova Escola e cerca de 5 mil professores e funcionários foram
beneficiados com a gratificação. Isso, no entanto, não
esconde o desconforto de alguns profissionais da Educação
com o que estaria acontecendo dentro de algumas escolas da região.
Uma professora que preferiu não se identificar conta que desde
que o Nova Escola foi instituído os docentes estão sendo
pressionados a serem mais condescendentes nas avaliações
dos alunos. “O índice de reprovação atrapalha
o desempenho da escola. Então, eles fazem pressão para
aprovar alunos que não têm condições de passar
de ano. Não é à toa que estamos formando analfabetos
funcionais”, criticou a professora, que dá aula para turmas
do ensino fundamental.
Denúncias como essa também já chegaram ao Sindicato
Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), que vem
exigindo na campanha salarial deste ano que o governo do Estado incorpore
o Nova Escola ao piso dos profissionais, desvinculado-o de qualquer
tipo de avaliação das unidades de ensino. “Temos
denúncias de professores que estão sendo chamados durante
as férias para irem até à escola mudar a nota do
aluno, para ele ser aprovado. O professor perdeu o controle da aprendizagem
do aluno”, afirma Maria das Dores Pereira da Mota, coordenadora
do Sepe-VR.
Mas não é só isso. De acordo com Dodora, os números
divulgados pela secretaria estadual de Educação sobre
o Nova Escola estão muito longe de corresponder à realidade
dos fatos. Isso porque, lembra a sindicalista, 4.727 profissionais,
que tiraram licença especial ou médica, perderam o bônus.
Outros 40 mil aposentados, professores contratados, que têm uma
segunda matrícula e os que foram chamados no ano passado não
têm direito ao Nova Escola. E, pior, 14 mil professores e funcionários
terão que devolver a gratificação recebida nos
três primeiros meses de 2006, porque suas escolas não repetiram
o resultado do ano anterior.
“Dizer que 84 mil profissionais foram beneficiados é mentira!
O número real a gente não sabe. No entanto, isso não
nos causa surpresa porque desde que o Nova Escola foi criado estamos
denunciando esse programa”, afirmou Dodora, dizendo que o grande
feito do Nova Escola foi criar competição dentro das próprias
unidades de ensino. “Esse programa instituiu dentro da escola
uma política de competição. Existe uma disputa
entre as equipes pedagógicas, de dentro da sala de aula, e de
gestão, que é quem administra. Isso só vem causando
desavença, não tem nada de pedagógico”, avalia
a coordenadora do Sepe-VR.
Outra observação dos Sepe é que, em geral, as escolas
que alcançam a maior pontuação são as que
o corpo docente é formado, em sua maioria, por professores contratados,
que não têm direito ao Nova Escola. De acordo com Dodora,
o próprio secretário de Educação, nos encontros
com professores para discutir a campanha salarial, tem se mostrado contrário
aos critérios do programa.
“Nossa proposta é que os R$ 16 milhões mensais usados
para dar essa gratificação seja incorporado ao piso, beneficiando
a categoria igualmente, inclusive os aposentados. Não somos contra
a avaliação, somos contra a atrelar essa avaliação
a salários”, justifica a sindicalista, acrescentando que
avaliação é feita por uma empresa terceirizada
e que pouco conhece a realidade das unidades de ensino.“Trata-se
de um agente externo que não tem nada a ver com escola, que faz
a visita num dia. Não há um acompanhamento, isso não
pode ser chamado nem de avaliação”, critica.
A responsável pela Coordenadoria Estadual de Ensino do Médio
Paraíba, Joselita Murta Adler, informou ao aQui que todas as
56 escolas da região foram gratificadas com o Nova Escola. “Nossas
escolas ficaram com os níveis dois e três, o que é
excelente. Além disso, quatro delas, tiveram nível quatro”,
comemorou Joselita, se referindo a escala de avaliação
do Nova Escola que vai até cinco.
Joselita garante ainda que não recebeu nenhuma denúncia
de que houvesse pressão de diretores de escolas para que professores
aprovarem alunos para melhorarem o desempenho na avaliação
do governo do estado. “Não recebi nenhuma denúncia
nesse sentido. Também não acredito que nossos professores
se deixem levar por pressões. As escolas que têm conseguido
notas são aquelas que realmente têm tido bom desempenho”,
garante Joselita, lembrando que prova disso foi o desempenho das escolas
estaduais de Volta Redonda, Barra Mansa e Rio Claro no Exame Nacional
do Ensino Médio (Enem). “O melhor desempenho entre escolas
públicas na região são de quatro escolas estaduais.
E, em todo o Brasil, a região está em 47º lugar pelo
desempenho das nossas escolas”, acrescentou.
Oficial
De acordo com o resultado divulgado pelo secretário de Educação,
Arnaldo Niskier, o Programa Nova Escola avaliou 1.732 unidades de ensino
em todo o estado. E, apesar das críticas ao sistema de avaliação,
no governo Rosinha Garotinho ele foi comemorado. É que, pelo
resultado, o número de escolas no nível de qualidade mais
alto – o nível cinco – passou de 15, em 2004, para
37 no ano passado. Com destaque para o fato do desempenho dos alunos
terem melhorado nas disciplinas de Matemática e Língua
Portuguesa.
O Programa Nova Escola, criado em 2000, avalia os itens desempenho,
gestão e fluxo escolar e compara o progresso da unidade em relação
ao resultado obtido no ano anterior. Com base no diagnóstico,
o governo do estado paga gratificações aos professores
e pessoal de apoio, calculadas a partir dos dois eixos de avaliação.
De acordo com o governo, os valores que serão pagos a 64.346
docentes e 19.632 funcionários, totalizando 83.978 servidores
beneficiados, vão de R$ 50 a R$ 435,10.
“As gratificações com os valores atualizados serão
pagas com certeza em junho, mas estamos nos empenhando, junto com a
secretaria de Administração e Reestruturação,
para anteciparmos para maio, talvez em folha suplementar”, explicou
Niskier, reforçando que os servidores lotados nas escolas que
caíram de nível terão que ser descontados, o que
será feito em parcelas. Ao contrário de quem tem direito
a uma gratificação maior este ano, que receberá
todos os atrasados de uma única vez.
Pela avaliação do programa, além das 37 escolas
que atingiram o nível 5, o mais alto, 163 ficaram no 4, 659 no
3, 664 no 2 e 209 no 1, o mais baixo. Para atingir o nível 5,
considerado o padrão ideal, a unidade tem que obter resultados
como 80% dos estudantes com desempenho considerado satisfatório
e taxa de aprovação superior a 90%, além de cumprir
80% dos itens avaliados no quesito gestão escolar, que verifica
a administração financeira da unidade.
Campanha salarial
Os professores da rede estadual de ensino que estão em greve
conseguiram uma vitória na Justiça contra o governo Rosinha
Garotinho. Essa semana, a juíza Ellen Garcia, da 1ª Vara
da Fazenda Pública da Comarca da Capital, concedeu uma liminar
determinando que o governo do Estado não suspenda o pagamento
nem desconte os dias paralisados, nos vencimentos e salários
dos servidores que aderiram ao movimento grevista. Do mesmo modo, que
não promova nenhum tipo de retaliação pelo movimento
de greve até a decisão final da campanha salarial.
De acordo com a coordenadora do Sepe-VR, o secretário estadual
de Educação, Arnaldo Niskier, havia se comprometido a
não cortar o ponto dos professores em greve, mas foi obrigado
a voltar atrás por determinação da governadora
Rosinha Garotinho. “As negociações continuam. Além
disso, foi formada uma comissão para discutir itens da pauta
que não envolvem gastos orçamentários”, informou
Dodora.
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