Educação
Para (quase) todos
Faculdades de Volta Redonda aprovam programa
do MEC que garante bolsa de estudo integral a
alunos de baixa renda

Atualmente, quase 40 mil adolescentes estão matriculados nas escolas municipais de Volta Redonda. Daqui a alguns anos, eles irão concluir o ensino médio e, os que puderem, vão ingressar numa faculdade. Como moram na cidade do aço, a tendência é que prestem vestibular nos dois centros universitários do município: o UniFoa e a Ferp. Ou então no UBM, de Barra Mansa, que mantém um campus na Cicuta. Só que, por enquanto, quem não pode pagar, e é reprovado no vestibular das universidades públicas, tipo a UFF, acaba desistindo dele antes mesmo de tentar o processo seletivo. São estes jovens que entram para as estatísticas, do Ministério da Educação, que dão conta do número de brasileiros sem curso superior.
Elas mostram, por exemplo, que apenas 9% dos jovens brasileiros, entre 18 e 24 anos, conseguem uma vaga no ensino superior. Enquanto isso, de acordo com os números do MEC, países como a Argentina e o Canadá, apresentam índices de 40% e 92%, respectivamente. Para mudar o quadro atual, o MEC criou um programa que consiste em reverter 20% da vagas ociosas das faculdades particulares para alunos carentes. O projeto está sendo apreciado na Câmara dos Deputados e, aprovado em 1ª votação, está sendo aguardado com ansiedade pelos jovens.
Afinal, se isso acontecer, o PROUNI - Programa Universidade para Todos, vai conceder bolsa de estudo integral para cursos de graduação e seqüenciais de formação específica, nas 1.442 faculdades particulares do Brasil. Inclusive as que estão em Volta Redonda: Foa, Ferp e UBM-Cicuta. Para que isso ocorra, o representante do Ministério da Educação no Estado do Rio, professor William Campos, esteve na cidade do aço e aproveitou para conversar com os reitores destas três faculdades. William apresentou-lhes o PROUNI e sugeriu que aderissem ao programa. “Conversei com a direção destas três universidades e existe um interesse enorme delas de inserir no programa”, disse Campos.
A vantagem do Universidade para Todos, segundo Campos, é que, ao contrário do que muitos pensavam, ele não foi criado para substituir o Financiamento Estudantil (Fies). Pelo contrário, o PROUNI é mais um programa de apoio ao estudante universitário. “O Fies é para quem pode pagar uma faculdade. O Universidade para Todos é para quem não pode pagar”, explicou William Campos. Ele, inclusive, disse que visitou o campus Cicuta, a Ferp e o campus do UniFoa, em Três Poços e gostou do que viu. “Todas têm boas instalações e excelente estrutura. Faremos o possível e o impossível para que as faculdades de Volta Redonda e a de Barra Mansa entrem para o programa. Aliás, as três já foram pré-aprovadas pelo MEC e têm condições de aderir ao PROUNI”, avaliou, antes de criticar a Faculdade Estácio de Sá, de Resende, que, segundo ele, não foi aprovada. “Na nossa opinião, a Estácio em Resende é negativa. Ela não foi aceita pelo MEC”, disse.
Segundo William, até o final de julho o MEC espera que o PROUNI seja oficializado. Até lá, entretanto, os coordenadores do programa vão ter que enfrentar a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), que se posicionou contrária a criação do “Universidade para Todos”. A entidade, inclusive, ingressou com uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que condicionar a isenção fiscal à reserva de vagas, como o MEC quer fazer, é ilegal. Argumentam que a Constituição Federal garante imunidade tributária à instituições filantrópicas. Para William, isto é choro de quem não quer garantir o ingresso de alunos de baixa renda no ensino superior de qualidade. “Não vou discutir a atitude da Confenen. Instituições assim prejudicam o ensino superior no Brasil. Eu confio plenamente no departamento jurídico do governo federal”, concluiu.

Contagem regressiva
Inscrições para cursos da Faetec terminam na segunda

Terminam na segunda, 28, as inscrições para o concurso de acesso aos cursos de nível técnico/sequencial (pós-médio) da Faetec. Eles são voltados para quem já concluiu o ensino médio e busca especialização técnica em edificações, eletrônica, eletrotécnica, mecânica, informática, enfermagem, patologia clínica, prótese dentária, telecomunicações, técnico de logística e transporte, técnico em transportes manutenção elétrica metro-ferroviária, técnico em transportes manutenção mecânica metro-ferroviária, administração, contabilidade e ainda para o curso de técnico em enfermagem do trabalho.
Estão sendo oferecidas 1.043 vagas e, na primeira semana, 972 candidatos já haviam feito suas inscrições. Destes, 869 foram para os cursos pós-médio e 103 para o curso de técnico de enfermagem do trabalho. No interior do estado, a unidade da Faetec mais procurada pelos candidatos foi a da Fevre Volta Redonda, com 38 inscritos no curso de Informática. Na cidade do aço, existem duas unidades da Faetec. A da Fevre, localizada na rua 560, nº 212, bairro Aterrado, que oferece 78 vagas para informática, sendo 40 no turno da manhã e o restante no turno da tarde. E o Cetep do Volta Grande II, localizado na rua 1015 onde estão sendo disponibilizadas 80 vagas para Informática, sendo 40 em cada turno.

Inscrições
Para se inscrever, o candidato deve depositar, em espécie, em qualquer agência do Banco do Brasil, a taxa de inscrição no valor de R$ 16,00 (dezesseis reais), em favor da Fundação José Pelúcio Ferreira, conta corrente nº 26495.4, agência 3652.8 - UFRJ, do Banco do Brasil. Com o comprovante do depósito à mão, ele deve confirmar a inscrição, pela Internet através do endereço eletrônico www.faetec.rj.gov.br/concurso2004, ou pelo telefone da Central de Atendimento Telefônico, número 0800-2828585, de segunda a sexta-feira, das 7h às 22 horas, excluindo-se os feriados.
É bom destacar que o apenas o depósito da taxa de inscrição no Banco do Brasil não garante a inscrição. O Manual do candidato, contendo todas as orientações e o conteúdo do programa das matérias para as provas poderá ser obtido pela internet ou retirado gratuitamente na unidade do Cetep Volta Grande II, em Volta Redonda.

Centro de Informática

Além disso, o CETEP Volta Redonda, dará início ao seu processo de inscrição para preenchimento de 1.308 vagas para os cursos do seu Centro de Informática nos módulos: Básico, Avançado e Montagem e Manutenção de Micros. O Centro de Informática oferecerá 540 vagas para o básico; 490 vagas para o avançado e 278 vagas para montagem e manutenção de micros. O processo de Inscrição será através de sorteio eletrônico, dividido em três etapas: Pré-Matrícula, Sorteio e Matrícula. Os dias das inscrições para Pré-matrícula serão 1 e 2 de julho, no caso do módulo básico. E os outros dois módulos nos dias 8 e 9. A pré-matrícula pode ser feita entre 9 e 16 horas no Cetep do Volta Grande.

Na pista
Escola Municipal de Hipismo é vice
campeã no torneio Carioca


Estudantes da escola de hipismo se destacam no campeonato carioca

Eles são jovens, estudam em escolas da rede municipal de ensino e têm em comum o gosto por um esporte tido como “de elite”: o hipismo. Mais que isso, são bons, muito bons, no que fazem. Tanto que obtiveram sucesso durante o Campeonato Carioca de Hipismo, no Clube Marapendi, na Barra da Tijuca. Durante os três dias de competição eles conquistaram excelentes lugares na classificação geral. Na prova de 40 cm, Thaís Brito ficou com o quinto lugar e Flávia Josef com o quarto. E na prova de 60 cm, o quarto lugar ficou com João Pedro e o segundo lugar com Anderson Silva que, assim, garantiu vaga para disputar o Campeonato Brasileiro. “Ainda temos chance de classificar mais três atletas para o Campeonato Brasileiro. A equipe do Rio de Janeiro vai com um total de dez e com certeza estamos lutando para que Volta Redonda mande o maior número possível de cavaleiros e amazonas para a maior competição do país”, explicou o coordenador e idealizador da escola, Vitor Hugo Gonçalves de Oliveira. A Escola Municpal de Hipismo, pioneira no país, competiu com mais dez entidades e nove escolas particulares e após a competição, no Clube Marapendi, atletas e familiares participaram de uma festa de confraternização para comemorarem juntos a vitória.
A equipe volta-redondense que participou da competição no Rio de Janeiro, que contou com a presença do prefeito Neto, foi composta por 15 dos 80 alunos da Escola Municipal de Hipismo

 

de Volta Redonda. São dez cavaleiros e cinco amazonas, entre elas Flávia Giusepe e Marcela Tito que venceram, recentemente, competição realizada pela Associação Brasileira de Hipismo Rural (ABHR) em duas categorias: salto sobre obstáculos, a alturas de 40 cm e 60 cm, respectivamente. Na manhã de quinta, 17, véspera da viagem ao Rio de Janeiro onde participariam da competição, acompanhados dos pais, do coordenador do projeto e do instrutor, os 15 jovens - que estão em primeiro lugar no ranking estadual - estiveram no gabinete do prefeito Neto. Foram tomar café da manhã com o chefe do executivo. E ouviram lições do coordenador Vítor Hugo que, com certeza, serão importantes. “Vocês têm que ter sempre em mente que são crianças que estão vivendo uma situação privilegiada. E que nunca mais vão esquecer”, disse, referindo-se ao pioneirismo do projeto. “E que não é só ganhar. Ganhar faz parte, mas o mais importante é saber perder. Quem sabe perder agora, lá na frente, vai saber ganhar”, completou.
E Vítor Hugo sabe que seu recado está sendo assimilado pela garotada. De outra forma, não estaria conseguindo transformar, em menos de um ano, jovens que, em sua maioria, “só tinham visto cavalo através de fotografias”, em campeões. “Eles vão participar de sua terceira competição. Nas outras duas chegaram a ser surpreendentes”, disse referindo-se a competição no Marapendi e contando que, em uma disputa realizada em Resende, dos oito primeiros colocados cinco eram da escola de Volta Redonda. “Ficamos com o 1º, 3º, 4º e 5º lugares. Em outra, com 29 competidores, levamos 13 alunos entre os 15 primeiros, 11 eram nossos”, diz orgulhoso.
Só que para essa meninada colocar seus cavalinhos na chuva, foi preciso uma força e tanto do poder público. Vítor Hugo acredita que, não fosse isso, o custo do esporte - bancado pelo próprio aluno - manteria a imensa maioria muito longe das pistas. “Um bom cavalo, por exemplo, custa de R$ 3 mil a R$ 5 mil. Esse custo, mais o da manutenção, que consome de R$ 300,00 a R$ 500,00, por mês e das aulas, com instrutores particulares, em torno de R$ 500,00, inviabilizaria essa experiência para a maioria”, calcula. Por conta disso, o município de Volta Redonda, acabou desempenhando um papel fundamental.
“A prefeitura comprou dez cavalos e está bancando o custo mensal”, disse Vítor Hugo. Um custo que, de acordo com o prefeito, gira em torno dos R$ 3 mil. “É um custo muito baixo”, afirmou o prefeito Neto, diante do temor demonstrado por um pai de aluno de que o projeto acabe no próximo ano. Ou no próximo governo. “Acredito que, independentemente, de quem for o novo prefeito, é um custo tão baixo que só um maluco faria uma coisa dessas”, disse Neto, brincando com o fato de o patrimônio municipal ter sido aumentado. “Agora o município de Volta Redonda é proprietário de dez cavalos”, justificou, arrancando risos dos alunos e dos seus pais.
Com seu pioneirismo reconhecido pela Federação Brasileira de Hipismo, a Escola Municipal de Hipismo de Volta Redonda foi implantada em setembro de 2003. Desde então, 80 alunos da rede municipal praticam o esporte na Ilha São João, sempre às terça e quintas-feiras, em dois turnos. E cumprem uma rotina dura. Que passa, principalmente, pelo respeito aos horários e freqüência. “Temos cerca de 60 crianças na fila de espera, cadastradas e aguardando uma vaga”, explicou Vítor Hugo, acrescentando que, por conta disso, quem não segue as regras, acaba sendo dispensado das aulas. “Dá lugar a outro que está esperando”, resume. Coisa que, pelo visto, raramente acontece.

Saúde
De bem com a saúde
Hospital São João Batista ganha prêmio
do Ministério da Saúde

Apesar das inúmeras reclamações de usuários e de ser considerado o calcanhar de Aquiles do governo Neto, a saúde do município obteve, na terça, 22, um importante reconhecimento nacional. O Hospital São João Batista ganhou do Ministério da Saúde o prêmio David Capristano de destaque no atendimento humanizado na categoria de “Gestão Participativa e Descentralizada”. Além do São João Batista, o único do estado do Rio de Janeiro, apenas outras 16 unidades de saúde do país receberam a premiação no valor de R$ 50 mil.
O prêmio David Capristano, entregue pelo ministro Humberto Costa, tem o objetivo de identificar experiências positivas que dignifiquem a saúde pública e, principalmente, de dar visibilidade ao processo de humanização do Sistema Único do Saúde (SUS). Na visão da Comissão Nacional de Avaliação, composta por 17 profissionais, o Hospital São João Batista - que é uma autarquia municipal - desde que adotou o modelo de Gestão Participativa e Descentralizada, em 1993, vem passando por diversas transformações básicas e estruturais, com o intuito de democratizar o gerenciamento da unidade.
Isso, na avaliação da comissão, vem possibilitando a construção de um hospital público que ofereça serviço de qualidade e humanizado à população, atendendo os princípios de universalidade, equidade, descentralização, integralidade e controle social do SUS. “Sete anos após a implantação do modelo, pode-se dizer que foi construída uma sólida estrutura que sustenta o paradigma inicial”, analisou a comissão.
Nesse período, o São João Batista conseguiu mostrar em números que o modelo adotado dá resultados. O hospital dobrou o número de leitos disponíveis para internação, dobrou a área construída e aumentou o número de internações por mês. Em 1993, eram 120 e, em 2000, atingiu uma média de 780 internações/mês. Além disso, conforme atestou a equipe do Ministério da Saúde, otimizou o faturamento, quadriplicou o número de médicos, incluindo o de especialistas, investiu em tecnologia e tornou-se referência para a região.
Para chegar a esses resultados, a comissão avaliadora concluiu que alguns instrumentos criados foram determinantes para o “sucesso do modelo de gestão do hospital”. Como a Comissão de Acolhimento ao Usuário, uma ouvidoria dos pacientes; a Comissão de Apuração de Custos, uma política de avaliação do desempenho institucional para garantir a integração dos funcionários; Centro de Estudos; e implementação de uma Política de Desenvolvimento Pessoal, responsável por promover cursos de treinamento e capacitação.
O Prêmio David Capistrano está incluído na Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no Sistema Único de Saúde (Humanizasus), que trabalha para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e para estabelecer uma nova relação com o público. Em todo o Brasil, 671 instituições se inscreveram para concorrer à premiação. Destes, 45 chegaram à final e apenas 16 obtiveram o reconhecimento. Foram avaliadas ações desenvolvidas por cada unidade de saúde, sobre o aspecto do estímulo à democratização institucional, acolhimento, resolutibilidade, responsabilização e ambiência. Além do grau de institucionalização da Política de Humanização, inovação, criatividade e ineditismo, que serviram como critério de desempate.
Apesar da premiação de destaque nacional, a Secretaria de Saúde de Volta Redonda, procurada pela reportagem do aQui, não quis se manifestar. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que o assunto será comentado apenas na segunda, 28, em uma entrevista coletiva, quando a vice-prefeita e diretora do Hospital São João Batista, Suely Pinto, estará na cidade.

O outro lado
Faltam medicamentos, copos descartáveis, agulhas e seringas no São João Batista

Não se sabe ainda quando a direção do HSJB, vai colocar as mãos nos R$ 50 mil do prêmio. Mas o dinheiro será mais que bem vindo. Afinal o hospital, ao que tudo indica, anda precisando de um reforço de caixa, já que há meses funcionários e pacientes não vêem a cor de alguns medicamentos e apetrechos básicos em uma unidade de saúde. Como agulhas e copos descartáveis. A denúncia chegou ao aQui há pelo menos 30 dias. Na ocasião, a reportagem tentou entrar em contato, por três dias consecutivos, com a diretora Suely Pinto e sua assessoria, sem sucesso. Pior. Passado todo esse tempo o problema persiste sem que ninguém explique os motivos.
Pela denúncia feita ao aQui, há meses os pacientes estão recebendo apenas, por exemplo, duas drágeas de 12,5 mg de Capotem (remédio para controle da pressão), pois não existe no estoque o medicamento de 25 mg, agulhas descartáveis também estão em falta há três meses e há 40 dias, mais ou menos, a última seringa de 20 ml foi usada e o estoque ainda não foi renovado. “A pomada Dersane, utilizada para prevenir feridas em pacientes que ficam muito tempo deitados, está em falta há dois meses”, conta uma fonte do aQui no hospital, acrescentando que o esparadrapo antialérgico, o micropólium, também está em falta. A fonte revela ainda que existem casos de medicamentos, como o antibiótico Ciproflaxina, que ficaram em falta durante um período, mas cujos estoques acabaram sendo renovados.
Mas não são apenas medicamentos que andam faltando. Há um mês, mais ou menos, a fonte do aQui conta que não havia água para ser consumida. “A água (mineral), em galões, acabou”, conta, acrescentando que, por conta disso, pacientes e funcionários andaram bebendo “água da torneira”. E em canecas plásticas já que os copos descartáveis também acabaram e até hoje não foram comprados. “Cada funcionário tem o seu próprio copo e os pacientes usam canecas plásticas, dessas que crianças usam”, diz a fonte do aQui. Isso tudo sem falar que, até hoje, no São João Batista, os acompanhantes dos pacientes estão sem direito ao almoço. A ordem, dada pela diretoria da unidade, há cerca de seis meses, é que apenas o paciente pode almoçar. O acompanhante que fique com fome ou vá almoçar fora.

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